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Derrota com gol de jovem da base do Cruzeiro é soco no estômago de Felipão e do planejamento do Atlético-MG

Enquanto do lado do Cruzeiro o jovem João Pedro matava o jogo, do lado do Atlético nenhum jogador da base estava à disposição - por opção de Felipão

O Atlético-MG foi derrotado em mais um clássico na Arena MRV para o Cruzeiro. O gosto da derrota, que já era dos piores possíveis, ficou ainda mais amargo, principalmente para o torcedor, pois foi um jovem da base do Cruzeiro que marcou o gol que matou o jogo, e o que a torcida do Galo mais faz é cobrar chances (que nunca acontecem) para os seus jovens atleticanos. O gol do cria cruzeirense foi um soco no estômago de Felipão e do próprio clube.

O Cruzeiro abriu o placar com Zé Ivaldo, mas quem matou o jogo (com um belo gol de arrancada) foi João Pedro, atacante da base celeste. Enquanto isso, do lado do Atlético, nenhum jogador recente da base estava à disposição no banco para tentar fazer algo parecido. A derrota, já doída, fica ainda amarga mais com isso.

O torcedor do Atlético (e a Trivela) cobra de Felipão e do clube há meses sobre dar oportunidades reais para jovens que se destacam na base. O treinador já foi rude em respostas sobre o assunto em 2023 (e em 2024), fez promessas de dar mais chances em 2024, mas nem no Mineiro, sempre usado como “laboratório” pelos clubes, ele dá essas oportunidades.

Felipão viu de perto o garoto João Pedro acabar com o time dele. Após isso, desesperado por atacar e tentar se salvar, olhou para o banco e viu como opção Alan Kardec, atacante que chegou ao Galo em 2022, fez 28 jogos (pois se lesiona muito) e apenas 3 gols. Em resumo, nunca rendeu com a camisa atleticana. O camisa 14 entrou e, como esperado, não mudou o jogo, além de ainda protagonizado um chute de canela que tirou ainda mais os torcedores do sério.

Fora da relação, estavam os jovens Alisson Santana, que foi bem nas pouquíssimas vezes que foi acionado, Cadu, atacante de velocidade que nunca recebeu uma chance real, e Isaac, que foi artilheiro do time Sub-20 e chegou a assinar um pré-contrato com o Coritiba justamente por não ter oportunidades, mas foi convencido (inclusive por Felipão) a renovar e ficam.

Questionado quando esses jovens vão ter suas chances, Felipão foi bem claro ao dizer que entende que eles não melhores que os jogadores que ele relacionou hoje, por exemplo.

O que afeta a escalação dos jovens é que eu tenho jogadores de muita qualidade. Tem que ser melhor do que os que vou colocar em campo – Felipão

– Não vou colocar um jovem por ele ter 16/17 anos, por ser loiro ou isso e aquilo, vou colocar o melhor. Nunca vi um técnico colocar o pior. Se o jovem for superior àqueles jogadores, vamos colocar, sempre. Eles devem mostrar nos treinamentos que são superiores — completou o treinador.

A Trivela, assim como toda a imprensa que cobre o Atlético, não tem acesso aos treinos, já que o clube trabalha com portões fechado, então não da pra saber como esses jovens se saem na Cidade do Galo.

Diante disso, o que podemos ver é o time em campo nos jogos e, pelo que vimos em 2023, por exemplo, jogadores como Alan Kardec e Patrick não agregam em nada ao time. Se os jovens da base do Galo não conseguem ter desempenho melhor do que os citados, é ainda mais preocupante a situação da base atleticana.

Por que o Atlético é contra a base?

Vale destacar que, apesar de Felipão ser um dos treinadores que menos utiliza a base no Atlético, esse problema de falta de oportunidades acontece há anos. Neste século, num geral, o Galo foi (e seguirá) criticado por falta de chance para seus jovens jogadores.

O que é é importante saber é porque esse medo (ou seja lá o que for) de tentar revelar jogadores. Pode mudar coordenador de base, treinadores juvenis, jogadores, presidência e comissão principal que uma coisa não muda no Atlético: a falta de oportunidades para os jovens. Por que isso é algo institucional sendo que deveria ser um dos focos principais do clube? Inclusive, a promessa dos atuais gestores da SAF atleticana e da diretoria é ter um foco na base. Mas, mesmo que os processos realmente tenha mudado, não é algo que reflete no profissional, e parece estar longe de refletir.

Uma pergunta mais simples (ou não) é: Por que um atacante de 35 anos que nunca rendeu com a camisa do Atlético está na frente na “fila” que um de 19 anos que foi o artilheiro do Sub-20 com 19 gols em 25 jogos?

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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