Sul-Americana

Base, sorte e Cássio: a receita do Corinthians para chegar à improvável semi da Sul-Americana

Corinthians buscava titulo inédito, mas além disso conquista poderia aliviar pressão e salvar o ano do clube

A Sul-Americana é o único título que falta na prateleira histórica de conquistas do Corinthians. E nesta temporada o time passou perto de levantar o caneco inédito, mas os problemas vividos durante os meses anteriores se acumularam sem resoluções e refletiram na decisão que poderia amenizar a pressão vivida pelo alvinegro.

Depois da eliminação precoce na Libertadores, o Corinthians conseguiu uma vaga na Sula, ainda sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, o time já tinha apresentado dificuldades dentro do campo, com problemas tático e de desorganização em todos os setores, coletiva a após coletiva, o treinador deixava claro que a competição não era um a prioridade, pelo menos até a eliminação na Copa do Brasil, ainda assim foi conseguindo os resultados necessários para seguir na competição, e eles passaram diretamente pelo desempenho dos garotos da base do clube.

Garotos da base foram essenciais para a campanha na Sul-Americana

Quando se classificou para a competição continental, o Timão disputava o Brasileiro e a Copa do Brasil, essa já nas fases do mata-mata e prioridade no ano, por conta dos altos valores de premiação pagos pela CBF a cada classificação das equipes na disputa.

Com o elenco estourado por lesões e desgastes dos seus principais jogadores veteranos, Luxemburgo buscou garotos na base devido ao desempenho dos escolhidos o Corinthians foi se classificando com os resultados dentro e fora de casa.

Durante as quatro fases que disputou – playoffs, oitavas de final, quartas de final e semifinal – o Timão balançou as redes sete vezes, quatro gols marcados pelos profissionais, e três deles pela base, alguns em jogos complicados fora de casa:

  • Corinthians 1 x 0 Universitário – Felipe Augusto (base)
  • Universitário 1 x 2 Corinthians – Ryan (base), Maycon (profissional)
  • Corinthians 2 x 1 Newell’s Old Boys – Wesley (base), Yuri Alberto (profissional)

O inacreditável jogo com o Estudiantes, em La Plata, na Argentina

Já fora da Copa do Brasil, a Sul-Americana se tornou a nova prioridade, classificado para as quartas de final, o Corinthians encarou o Estudiantes, da Argentina, jogou o primeiro jogo em casa, na Neo Química Arena, e venceu por 1 a 0, com um gol do Gil, a segunda partida foi em La Plata.

O jogo na Argentina foi simplesmente o mais inacreditável, isso porque o Estudiantes deixou tudo igual no placar, e foi para cima do Corinthians, de todas as maneiras possíveis, com dificuldades para lá de táticas, o Timão finalizou ao gol apenas sete vezes, enquanto os argentinos 20 a mais.

Completamente dominado pelo Estudiantes, o Corinthians se segurou, e contou com a mistica e com a sorte, isso porque tomou quatro bolas na trave durante o tempo normal e mais duas no travessão nos pênaltis. Outro ponto a favor do Timão o desempenho do Cássio, que defendeu mais dez tentativas no tempo normal e uma penalidade.

Nos dois jogos da semifinal, futebol apresentado pelo Corinthians foi vergonhoso

Classificado para a semifinal, após fazer metade da torcida passar mal, o Corinthians tinha pela frente um confronto brasileiro, com o Fortaleza, que vinha embalado nas competições, e bem mais estruturado que o Timão. No primeiro jogo, a torcida corintiana fez a função dela, preparou uma enorme festa de incentivo, lotou a Neo Química Arena, mas viu o time mais uma vez enormes dificuldades e sair atrás do placar, no final o jogo ficou em aberto, 1 a 1. Dias depois da partida o Vanderlei Luxemburgo foi demitido.

Já sob o comando de Mano Menezes, há pelo menos cinco dias, o Corinthians foi até Fortaleza, para encarar o Leão do Pici, no Castelão, apesar de ter consciência de que seria um tarefa difícil, a torcida e o time parecia confiante quanto ao bom resultado. Mas acabou sendo pressionado os 90 minutos pela equipe cearense, não conseguiu criar jogadas, e cometeu erros que deram a chance para o Fortaleza matar o jogo em 2 a 0, e se classificar a final da Sul-Americana. 

Caso tivesse chegado a final da competição continental, e com um possível título, a temporada de 2023 seria “salva”, e a pressão na reta final menor, e Duilio Monteiro Alves teria encerrado seu mandato com pelo menos um título em três anos, além de para o fim ao jejum de quatro anos sem títulos.

Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância e transformou a paixão em profissão. Além do futebol, se mantem por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhou como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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