Copa América 2024

Parceiro de Gómez na seleção quer Paraguai brigando de igual para igual com o Brasil

Em entrevista à Trivela, Omar Alderete, do Getafe, explicou suas previsões para a Copa América e elegeu o ponto forte da seleção de seu país

O fim da temporada europeia indica um período de recesso para os atletas, mas, nesse ano, não será dessa maneira. Os europeus terão a Eurocopa para disputarem, enquanto os sul-americanos estarão ocupados com a realização da Copa América. Omar Alderete, zagueiro paraguaio do Getafe, está nessa parcela que vai precisar se desdobrar em meses que, teoricamente, seriam de descanso.

Isso não desanimou nem um pouco o defensor, contudo. Em entrevista à Trivela, Alderete revelou que a expectativa para esse time do Paraguai na Copa América é grande, especialmente por conta do seu sistema defensivo. Ele ainda abordou outros assuntos, como as principais diferenças entre o futebol sul-americano e o europeu. Sobrou até um palpite para a final da Champions durante a conversa. 

Esse Paraguai vai dar trabalho na Copa América?

Segundo Alderete, está se criando uma grande expectativa para a disputa da competição de seleções. O elenco está cada vez mais interessante, ainda que as oportunidades de enfrentamento tenham sido escassas em 2024. Antes do início da Copa América, contudo, o Paraguai vai encarar o Chile em amistoso, um rival que já venceu a competição duas vezes neste século.

— É uma vontade muito grande de todos (chegar longe na Copa América). Estamos com um bom elenco, um bom treinador, vários jogadores que estão jogando aqui na Europa. Tudo isso contribui para a força da nossa seleção. Os amistosos ajudam muito na preparação. Não jogamos nenhum amistoso na última Data Fifa, então enfrentar um possível adversário (o Chile) faz toda a diferença — iniciou.

Alderete em ação pelo Getafe (Foto: Antonio Pozo / Pressinphoto / Icon Sport) – Photo by Icon sport – Photo by Icon Sport

Apesar disso, se quiser avançar ao mata-mata, o Paraguai precisar desbancar dois rivais de peso: Brasil e Colômbia. O Grupo D ainda conta com a Costa Rica e é considerado o mais difícil dessa fase inicial da Copa América. Sobraram elogios de Alderete à Canarinha, e o defensor ainda explicou como Gustavo Gómez, Balbuena e Júnior Alonso, que conhecem bem o futebol brasileiro, podem agregar no confronto direto.

— Temos que ir passo a passo, pois entendo que estamos no grupo mais difícil, com Brasil, Colômbia. A Colômbia já mostrou que está muito bem nas Eliminatórias, vai ser um rival difícil. O importante é que possamos lutar com todos eles de igual para igual, buscando os resultados (…)

— O forte do Paraguai é realmente o sistema defensivo, é algo histórico. Gustavo (Gómez) é um campeão da Libertadores, capitão da sua equipe, Júnior Alonso e Balbuena também já disputaram esse torneio, te dá uma noção a mais dessa garra do futebol sul-americano que estávamos falando. Por outro lado, a maioria dos brasileiros convocados jogam aqui na Europa, Vinicius Júnior, Rodrygo estão aqui, então não sei se é a maior das vantagens. Contra o Brasil é sempre muito difícil — explicou.

Temporada mais tranquila no Getafe ajuda

Para representar bem o seu país, Alderete teve uma temporada interessante no Getafe, iniciando 23 dos 30 jogos que disputou em La Liga. Foi um dos melhores do time em diversas estatísticas defensivas, como interceptações, cortes e duelos aéreos vencidos, que é um ponto forte do zagueiro de 1,87m. Por uma evolução maior, ele faz coro por mais compatriotas atuando na Europa.

— Não fizemos partidas ruins, mas estivemos mal na defesa, erramos em momento que não podemos errar. As equipes aqui na Espanha são muito complicadas, os atacantes são muito bons, têm uma confiança diferente. Os erros são nossos e precisamos corrigi-los com o tempo. É um bom treino para a Copa América também, o nível é altíssimo, precisamos de mais jogadores paraguaios aqui na Europa. O nosso sub-23 saiu campeão do pré-olímpico. Queremos competir com todos — frisou.

O mapa de calor do zagueiro Omar Alderete, canhoto do Getafe (Imagem cedida pelo portal SofaScore)

Semelhanças e diferenças entre Europa e América do Sul

Alderete já vê paraguaios mais presentes no Velho Continente, embora brasileiros, argentinos e uruguaios continuem dominando. Os últimos, inclusive, segundo ele, são os que mais chegaram recentemente.

A saudade de casa bate, mas a experiência de jogar no mais alto nível continua motivando o zagueiro de 27 anos. Alderete ressalta a importância de estar em uma liga com gigantes mundiais como Real Madrid e Barcelona

— Aqui os erros saem muito caros para nós. Mesmo com times da parte de baixo da tabela, como no caso do Almería, que foi até rebaixado, os centroavantes são excelentes. Como defensor você precisa estar atento o tempo todo, eles podem marcar a qualquer momento. Na América do Sul você tem uma margem de erro um pouco maior para essas falhas. No final das contas tenho que saber onde estou, o nível da liga é altíssimo, com Real Madrid, Barcelona — disse, antes de concluir:

— O jogador sul-americano é muito competitivo, não gostamos de perder, temos essa garra. As equipes daqui sabem que isso é um fator importante, eu acho ótimo que seja assim. Eu acompanho pouco da Libertadores por conta do horário, mas sempre que possível gosto de assistir por conta disso — finalizou.

Omar Alderete é titular absoluto no Paraguai de Daniel Garnero, que ainda não divulgou a lista oficial de convocados para a Copa América. A presença do zagueiro do Getafe, contudo, é dada como certa pela imprensa local. Ele deve fazer a dupla ao lado de Gustavo Gómez.

A Seleção Paraguaia estreia na Copa América no dia 24 de junho, em pouco menos de um mês, contra a Colômbia, em Houston. O enfrentamento com o Brasil está marcado quatro dias depois, uma sexta-feira (28), a partir das 22h (de Brasília), na cidade de Las Vegas.

Veja outros pontos abordados na entrevista

Reviravolta dá tranquilidade no Getafe
— A temporada passada foi muito desgastante, perdemos muitos pontos no segundo turno que não perdemos no primeiro e acabamos nos complicando sem necessidade. Trocamos de treinador, mas também entendo que o ambiente melhorou. Não passar por isso foi alívio, estivemos mais compactos e mais agressivos, ajudou muito no final. Chegar no fim sabendo que estamos salvos é excelente, a equipe não queria passar por isso novamente, sabemos a luta que foi. Não estamos lutando por competições europeias, mas é um processo.

— Sabemos que temos um bom plantel. Isso estava sendo colocado na nossa cabeça desde a pré-temporada. Queríamos jogar uma competição europeia, mas ficou complicado diante de alguns resultados na temporada. Saímos satisfeitos, pois chegamos às rodadas finais com muita tranquilidade.

Quem vence a final da Champions League? Real Madrid ou Borussia Dortmund?
— Sinto que vai ser um jogo muito disputado. O Real Madrid tem essa mística de te ganhar a qualquer momento, vimos bastante isso aqui na Espanha também, mas o Borussia é um time muito arrumado. Sabe a maneira que quer jogar e foi assim ao longo de toda a competição. Vai ser um jogo muito parelho.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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