México

Técnico histórico do América, Miguel Herrera chega ao Tigres com ambição: “Quero ser um Tuca Ferretti”

Um dos grandes nomes do futebol mexicano, treinador assinou por dois anos com o clube; ele trabalhou no rival Monterrey

Tuca Ferretti deixou o Tigres depois de 11 anos e a busca por um novo técnico terminou. Miguel Herrera, ex-América, assinou contrato por duas temporadas. Curiosamente, ele foi oficializado no dia 20 de maio, mesmo dia que Tuca foi apresentado há 11 anos. Aos 53 anos, com história também no rival do Tigres, o Monterrey, mas com laços mais fortes com o América, el Piojo chega para comandar a reformulação da equipe.

Herrera será o técnico que recebe o mais badalado reforço do futebol méxicano: o francês Florian Thauvin, que chega para jogar com o compatriota Andre-Pierre Gignac. O atacante francês é um dos grandes destaques do time, que foi campeão da Concachampions. Recentemente, o centroavante renovou seu contrato por três anos. Com ele, o Tigres foi ao Mundial, eliminou o Palmeiras e perdeu a decisão para o Bayern de Munique.

“Miguel é um técnico muito capaz, trabalhador, com muita experiência e com resultados que dão aval para chegar a esta grande instituição, estou certo que dará muitas alegrias a nossa torcida”, afirmou Mauricio Culebro, vice-presidente do Tigres, responsável pelo futebol do clube.

“Todo mundo disse que o Tigres está em crise porque saiu Tuca e tudo vai mal, mas não é certo. O agradecemos pelo ciclo anterior, porque nos deixou em um patamar muito alto e isso nos obriga a cumprir com essas expectativas”, declarou ainda Herrera. O novo treinador ainda brincou que na pré-temporada, que será em em um local com praia, “poderão tomar muito sol, mas não para descansar”.

O primeiro a falar com o novo técnico foi o goleiro Nahuel Guzmán, goleiro do Tigres e da seleção argentina. “Você é um goleiro que os rivais não gostam por causa de suas atitudes, eu estive do outro lado, porque você é um vencedor e verá que vamos continuar a ser vencedores”, declarou o novo treinador. “A única chave é trabalhar, fazer bem as coisas. Chego a um grupo muito trabalhador, determinado, que dão tudo em campo e eu sofri isso como rival”.

Herrera é uma figura conhecida pela sua personalidade forte e por ser um cara até um pouco falastrão. Na chegada ao Tigres, ele fez uma citação interessante, de quem entende onde está chegando. Ele falou uma frase de Osvaldo Batocletti, ex-jogador e lenda do clube. “Temos uma frase muito identificada com um dos ícones do clube: aqui nós temos que dividir até com a mãe pela equipe”.

A ambição é grande: o técnico quer fazer no Tigres algo similar ao que Tuca Ferretti fez em termos de conquistas. “Tufca deixou o sarrafo muito alto, nos dá gosto chegar a uma novo temporada, é tratar de melhorar as conquistas, temos um grande plantel, temos a melhor torcida, quero ser um Tuca Ferretti. Nosso projeto esperamos que seja a longo prazo, os resultados precisam ser já, esta equipe está forte, os rapazes sabem o que querem”, afirmou o treinador.

Em relação às prioridades de campeonatos, o técnico disse que o que vem primeiro, a liga mexicana, será o primeiro algo. “O primeiro é o campeonato local e buscaremos o título no primeiro torneio. Vamos buscar todos os títulos, nacionais e internacionais. Trataremos que esta equipe se mate no campo”, disse Herrera. Perguntado sobre o seu passado no Monterrey, ele foi sucinto: “Os Rayados ficaram para trás”.

Uma carreira ligada ao América

Ex-jogador, Miguel Herrera começou a carreira no Atlante em 2002, onde também teve história como jogador. Passou pelo Monterrey de 2004 a 2007, depois comandou também Veracruz, Estudiantes Tecos, voltou ao Atlante e chegou em 2011 ao América, em sua primeira passagem, quando conquistou o Clausura de 2013. Ficou até 2013, quando assumiu o comando da seleção mexicana.

Foi com Miguel Herrera que o México veio à Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e complicou a vida da Seleção ainda na primeira fase, em um empate por 0 a 0 em Fortaleza. Ficou no cargo até 2015, quando se envolveu em uma briga que foi às vias de fato com Christian Martinoli, jornalista da TV Azteca – que, aliás, é dona do América. A briga aconteceu no aeroporto de Philadelphia, depois do México conquistar a Copa Ouro em 2015, nos Estados Unidos.

Fora da seleção mexicana, Herrera voltou ao futebol de clubes pelo Tijuana, ainda em 2015, e ficou por lá até 2017, depois de conseguir levar a equipe duas vezes aos playoffs. Em maio de 2017, retornou ao América. Foi por lá que conquistou o Apertura de 2018, a Copa MX Clausura de 2019 e o Campeón de Campeones, equivalente à Supercopa do México, em 2019 – curiosamente, neste último venceu o Tigres.

Sua permanência nos Águilas durou até dezembro de 2020, quando o clube foi eliminado da Champions League da Concacaf, a famosa Concachampions. Novamente, Herrera se envolveu em uma briga depois daquela partida. A demissão veio com críticas ao comportamento do técnico, que não seriam condizentes com o que os dirigentes acreditavam serem os valores do clube.

Apesar de ter trabalhado no rival Monterrey, o técnico não acredita que a sua ligação com os Rayados possa influenciar na sua relação com a torcida do Tigres. “Estaria encantado de voltar a Monterrey pelo Tigres. Não estou ligado ao Monterrey como estou com o América, por isso disse que nunca dirigiria o Chivas. Com o Monterrey, cheguei a duas finais, não consegui vencê-las, mas demorou pouco e a verdade é que trabalho é trabalho”, disse Herrera em entrevista ao Mediotiempo, em 12 de maio.

O treinador deve ser apresentado ainda nesta quarta-feira no Tigres. O clube foi eliminado na repescagem do Clausura com uma derrota diante do Atlas por 1 a 0. O Clausura tem suas semifinais nesta semana, com Pachuca e Cruz Azul e também Santos Laguna e Puebla. O Apertura da próxima temporada começa em julho.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo