Mundial de Clubes

Tigres foi melhor e mais equilibrado para superar Palmeiras e fazer história como primeiro mexicano na final

O Tigres fez história no Catar. Quebrou a sina dos mexicanos, que nunca foram além da semifinal do Mundial, e c om uma vitória que não veio por acaso. O time mexicano superou o Palmeiras em uma vitória por 1 a 0 em uma partida que foi melhor e mais equilibrado que os sul-americanos. Havia pouca diferença técnica entre os dois times, mas os mexicanos executaram melhor seu plano de jogo, foram melhor e saíram de campo merecidamente classificados à decisão. Ao Palmeiras, só restou a disputa de terceiro lugar e o gosto amargo de cair antes da final, algo que se tornou constante para os sul-americanos.

É a quinta vez que o campeão da Libertadores não avança à final do Mundial desde que este formato foi adotado, eme 2005: o Internacional, em 2010; o Atlético Mineiro, em 2013; o Atlético Nacional, em 2016; e o River Plate, em 2018. O Palmeiras se junta a essa lista. Certamente com o adversário mais forte entre todos os anteriores, o que não alivia a dor do torcedor.a

Há tempos que o Tigres é um dos grandes times das Américas. Em 2015, conseguiu ir à final da Libertadores diante do River Plate nos primeiros meses de André-Pierre Gignac no clube. Era só o começo. A equipe comandada por Tuca Ferretti faria história. Chegaria à final da Concachampions em 2016, 2017 e depois em 2019. Em 2020, enfim, conquistou pela primeira vez o torneio continental. Foi para o Mundial com a missão de fazer história. Será o primeiro representante do México (e da Concacaf) na final do Mundial de Clubes. Uma história que veio construindo com duas lendas, Gignac e Tuca Ferretti, já entre os maiores da história do clube.

Os dois times foram a campo com o que tinham de melhor e Abel Ferreira escolheu montar o time em um 4-1-4-1, similar ao que fez na final da Libertadores. Assim, Danilo, Zé Rafael e Gabriel Menino foram titulares (este último aberto pela direita) e Rony ficou aberto pela esquerda, com mais liberdade para ficar no ataque e encostar em Luiz Adriano.

O Tigres veio em um 4-4-2, com dois atacantes lado a lado, André-Pierre Gignac como grande referência e Carlos González com liberdade de se movimentar. Javier Aquino, pela direita, e Luis Quiñones, pela esquerda, avançavam quando o time tinha a bola para causar problemas pelos lados. Rafael Carioca e Guido Pizarro formavam a dupla central no meio-campo.

O primeiro tempo teve alternâncias de momentos dos dois times. Os minutos iniciais foram do Tigres e Weverton já precisou intervir com uma ótima defesa. Aos poucos, o Palmeiras se encontrou na partida, passou a tocar bem a bola e chegar com objetividade ao ataque. Criou algumas chances, com chute de Rony de fora da área. Gabriel Menino também teve uma grande chance, mas chutou para fora. Estava impedido, o lance seria anulado. O time ficou perto de abrir o placar e foi o melhor momento da equipe na partida.

Nos últimos 15 minutos da primeira etapa, o Tigres cresceu no jogo. Os mexicanos chegaram pouco antes, mas começaram a ameaçar, em finalizações de Gignac, especialmente. O francês cabeceou com precisão no canto, mesmo de longe, e obrigou o goleiro brasileiro a se esforçar muito para fazer a defesa. O apito final do primeiro tempo encerrou um momento que os mexicanos eram melhores.

Logo no começo do segundo tempo, em uma boa bola pelo meio, Carlos González foi lançado e Luan agarrou o atacante. O árbitro Danny Desmond Makkelie, da Holanda, apontou pênalti na hora. Gignac cobrou com precisão, no canto direito de Weverton, que ainda pulou no canto certo, mas não alcançou: 1 a 0.

Sofrido o gol, o técnico Abel Ferreira fez duas substituições no time: tirou Zé Rafael e colocou Patrick de Paula, além de tirar Danilo e colocar o experiente Felipe Melo, que era capitão do time até se machucar.

O gol fez os alviverdes sentirem emocionalmente. O Tigres começou a explorar as jogadas de velocidade, sem criar nenhuma chance clara, mas ameaçando em velocidade pelos lados, com dribles e abrindo espaços. O meio-campo brasileiro deu muito espaço para os mexicanos trabalharem as jogadas.

O técnico do Palmeiras mexeu de novo no time minutos depois das alterações anteriores. Colocou em campo o atacante Willian no lugar de Gabriel Menino, que não fez uma boa partida. O time brasileiro tinha dificuldades para retomar o meio-campo. Rafael Carioca ao lado do capitão Guido Pizarro dominaram o setor e dificultaram muito a vida dos jogadores do Palmeiras.  O tempo passava e o Palmeiras ainda sentia dificuldades de chegar ao ataque. Luis Quiñones, pelo lado esquerdo, causava muitos problemas para os alviverdes.

O técnico Abel Ferreira então mexeu mais uma vez. Colocou em campo o lateral Mayke no lugar de Marcos Rocha, que vinha sofrendo com Quiñones, e também Gustavo Scarpa no lugar do meia Raphael Veiga. O time conseguiu uma boa chance minutos depois. Mayke enfiou a bola para Willian, que fez um lindo giro sobre Carlos Salcedo, cruzou para o meio e quase o lateral Luis Rodríguez marca contra.

Mais uma vez a combinação entre Willian e Luiz Adriano funcionou bem. Willian foi lançado do lado esquerdo, cruzou rasteiro para trás e, de fora da área, Luiz Adriano chutou colocado, mas mandou para fora.

O time mexicano passou a tentar esfriar o jogo. O goleiro Nahuel Guzmán ficou fazendo cera no chão em um escanteio e o time todo passou a gastar tempo. O goleiro tomou um cartão amarelo aos 38 minutos por demorar a cobrar escanteio.

O técnico Tuca Ferretti então começou a fazer substituições, gastando o tempo. Primeiro parou o jogo para tirar Jesús Dueñas e colocar Francisco Meza; dois minutos depois, tirou Quiñones e colocou Raymundo Fulgencio.

Com 43 minutos do segundo tempo, Gustavo Scarpa cruzou, Rony se jogou na bola, mas não conseguiu tocar. O goleiro Guzmán defendeu com tranquilidade. Uma tranquilidade que o time mexicano teve, mas faltou ao brasileiro.

Ao final do jogo, muita comemoração, justificável, do lado mexicano. A vitória não foi por acaso. O jogo foi equilibrado, como esperado, mas o Tigres foi melhor no geral, conseguiu sair na frente em um pênalti bobo cometido pelo Palmeiras, sentiu muito o gol, e os mexicanos passaram a controlar a partida, especialmente no meio-campo.

Ao Palmeiras resta a decisão de terceiro lugar, um prêmio que ninguém quer, e depois voltar ao Brasil para terminar o Campeonato Brasileiro e, principalmente, decidir a Copa do Brasil contra o Grêmio. O grande desafio do técnico Abel Ferreira será reagrupar a equipe para entrar na decisão com tudo, afinal, é um título de muita importância. O time precisará se recuperar fisica e mentalmente para isso.

Em termos de Mundial, talvez tenha sido a última chance de conquistar neste formato. A pandemia obrigou o adiamento dos planos da entidade, que pretendia estrear o torneio em 2021. Pode ser que o atual formato seja mantido para o fim de 2021, com o novo Mundial adiado por mais tempo, o que daria a chance do próximo campeão da Libertadores de voltar ao torneio neste mesmo modelo, antes da enxurrada de europeus que a Fifa quer.

O Tigres espera o adversário da final, que será definido nesta segunda-feira entre Al Ahly, do Egito, campeão africano, e Bayern de Munique, campeão da Europa. Pensar em ser campeão é um direito que todo finalista tem. Quem alcança a decisão sempre pode sonhar.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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