Mundial de Clubes

Numa final sem brilho, o Bayern fez o mínimo para destravar um aplicado Tigres e conquistar o Mundial

O Bayern de Munique adiciona mais uma taça à sua extensa galeria de títulos nos últimos meses. Sem precisar de muito virtuosismo, os bávaros confirmaram o favoritismo e conquistaram o Mundial de Clubes. Foi uma decisão bastante morna em Doha, na qual o Tigres apresentou boa organização, mas incomodou pouquíssimo no ataque e só realizou três finalizações. Apesar do amplo domínio, o Bayern também esteve distante de realizar a melhor de suas partidas e não apresentou grande ímpeto enquanto administrava a posse de bola, sofrendo para destravar a boa marcação adversária. Assim, um gol irregular de Benjamin Pavard permitiu a vitória por 1 a 0, retrato de uma competição que pouco ofereceu emoções. Fica a obrigação cumprida pelos alemães e o gosto dos mexicanos pela esperada primeira final do país.

O começo da partida até pareceu apresentar uma versão mais corajosa do Tigres. Os mexicanos conseguiram sair para o jogo algumas vezes durante os primeiros 15 minutos. André-Pierre Gignac era quem mais incomodava, enquanto Manuel Neuer precisou se antecipar em uma bola esticada a Luis Quiñones. De qualquer maneira, o domínio do Bayern acabaria se evidenciando em breve. Os bávaros logo começaram a empurrar o Tigres, que também não se expunha. As primeiras jogadas dos bávaros surgiram rápido, com finalizações sem muito perigo. Joshua Kimmich era o melhor dos europeus, ditando o ritmo e organizando a pressão com bons lançamentos.

O Bayern chegou a balançar as redes aos 18 minutos, com Kimmich. O meio-campista arriscou de longe, em tiro que morreu no canto de Nahuel Guzmán. Contudo, Robert Lewandowski estava impedido e atrapalhou o goleiro, o que levou à anulação do tento. Não era a versão mais intensa dos bávaros, contra um Tigres bem organizado. Ainda assim, a equipe aproveitava a velocidade pelos lados (especialmente com Alphonso Davies) para criar suas principais oportunidades. Leroy Sané chegaria a carimbar a trave aos 33, numa cobrança rápida de escanteio. Enquanto isso, Neuer era um mero espectador do outro lado do campo.

O mérito do Tigres na final esteve em seu plano tático, muito bem armado para conter a pressão do Bayern. O segundo tempo voltaria um pouco mais arrastado, com os bávaros tocando com paciência e pouca agressividade. O lance decisivo veio aos 13 minutos. Depois do cruzamento de Kimmich, Lewandowski disputou a bola no alto com Guzmán e a sobra ficou para Benjamin Pavard concluir às redes. O lance foi inicialmente anulado por impedimento, mas o VAR confirmou a posição legal do polonês. Porém, ignorou o toque no braço de Lewa, que deveria ter mesmo cancelado o tento. Os alemães não precisavam muito, mas acabaram beneficiados.

O Tigres não exibiria muito poder de reação. Tirando um lance de Quiñones pelo lado esquerdo do ataque, que a zaga neutralizou, os felinos mal invadiram a área. O Bayern manteve o controle, sem sofrer muito com a presença de Gignac. Além disso, Hansi Flick renovou as forças trocando várias peças no ataque. Alguns dos substitutos pareciam mais dispostos a atacar, mas os lances de maior perigo dependeram de vacilos dos mexicanos. Guzmán rebateu um chute de Corentin Tolisso contra a própria trave e depois salvou uma bobeada de Carlos Salcedo, que quase fez contra. Guzmán também rebateria uma pancada de Douglas Costa, mas ficaria nisso. Depois de aberto o placar, parecia impossível tirar a taça das mãos do Bayern.

Com a conquista de 2020, o Bayern de Munique chega a quatro títulos no Mundial de Clubes, em suas diferentes versões. Os bávaros também foram campeões em 1976, 2001 e 2013. O troféu parece mais um capricho à força dominante da temporada, levando todos os seis campeonatos referentes a 2020. Não é mais a equipe que enche os olhos como na reta final da Champions, mas até se poupando deu para levar o Mundial. Já o Tigres sai de cabeça erguida, mais por sua campanha inédita aos clubes mexicanos do que exatamente por aquilo que produziu na final. Fica mais uma vez a impressão de abismo insuperável entre europeus e os demais continentes na competição da Fifa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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