Antídoto Argentina: As chaves para a Inglaterra derrubar a atual campeã mundial
Ingleses apostam na dupla Kane-Bellingham para ferir a Albiceleste enquanto tentam diminuir impacto de Messi
Argentina e Inglaterra voltarão a se enfrentar em Copas do Mundo logo em uma fase aguda como a semifinal, trazendo um contexto ainda mais tenso para o confronto histórico. Bélico em outros tempos, principalmente pela rivalidade diante da Guerras das Malvinas, o duelo coloca frente a frente duas equipes em puro contraste, mas com um ideal em comum: jogar por seus craques.
Enquanto os argentinos criam o ecossistema perfeito para Lionel Messi brilhar como um autêntico camisa 10, Harry Kane está em pura liberdade de movimentação, assim como faz no Bayern de Munique, e não decepciona diante do gol. Apesar de fazerem de seus principais jogadores postulantes à artilharia do Mundial, existe um lado, de certa forma mais fragilizado.
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O time de Lionel Scaloni chega na semifinal sem um grande teste, tendo enfrentado Argélia, Áustria, Jordânia, Cabo Verde, Egito e Suíça. No entanto, a vida dos argentinos no mata-mata não vem sendo fácil. Em nenhum dos duelos, os atuais campeões mundiais foram absolutos e em duas ocasiões precisaram da prorrogação para avançar, o que evidencia dificuldades com um contexto específico e, consequentemente, cansaço pela longa duração dos embates.
Por outro lado, a Inglaterra respondeu bem aos principais confrontos, a começar pela fase de grupos. O time de Thomas Tuchel estreou contra a Croácia e logo empolgou, com um triunfo por 4 a 2. No mata-mata, assim como a Argentina, não foi absoluto. Venceu a República Democrática do Congo de virada com algum sofrimento, segurou o México com Estádio Azteca mesmo com um a menos e interrompeu a história de ascensão da Noruega, liderada por Erling Haaland.
Se de um lado há um Messi inspirado, o English Team reparte o protagonismo em dois: Harry Kane e Jude Bellingham, cada um com seis gols no Mundial. Mesmo com o desafio perante aos argentinos, aparentemente há um antídoto já evidenciado para pará-los.
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Os pontos fortes da Inglaterra para ferir a Argentina
A seleção argentina, assim como em 2022, tem sua estrutura montada para potencializar o seu grande talento e líder: Lionel Messi. Dessa forma, o viés dos comandados de Scaloni é por controlar o jogo a partir da posse. Na maiorias das vezes, consegue, já que conta com um meio-campo robusto, composto por Leandro Paredes, Rodrigo De Paul, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister. O quarteto traz, em tese, intensidade, ímpeto nos duelos e caráter de controle. Ou seja, não há tanta lateralização do jogo na Argentina. O principal comando é achar Messi na entrelinha.
No entanto, esta estratégia tem sido cada vez mais combatida e, em certos momentos, anulada. Cabo Verde deu uma demonstração disso nos momentos em que precisou adiantar suas linhas quando estava atrás do placar, assim como a Suíça, até a expulsão decisiva de Breel Embolo.
Quem chegou mais perto de tirar a Argentina do Mundial foi o Egito, que explorou muito as transições ofensivas e colocou o meio-campo argentino nas cordas em questão de intensidade. A partir desta amostra, a Inglaterra chega como adversário mais ameaçador para Scaloni e companhia.
O time de Thomas Tuchel, apesar de não encantar, tem repertório suficiente para explorar as duas principais debilidades da Argentina: dividir a posse ou duelar para explorar contra-ataques. Com um meio-campo do mais alto nível técnico e físico, com Declan Rice, Elliot Anderson e Jude Bellingham, os ingleses aliam força, muita intensidade e nível técnico para se impor como protagonista do jogo.
Naturalmente, mais um agente precisará se aproximar para compor o setor, com o intuito de, ao menos, igualar numericamente o corredor central. Tanto Kane, que possui extrema liberdade para transitar no campo, quanto Bukayo Saka, que está cotado para começar jogando e, naturalmente, ocupa zonas interiores por ser um canhoto atuando pela direita, poderão se aproximar do trio principal.
Já em relação a pressão e transição, a Inglaterra dispõe de uma configuração ofensiva excelente para este tipo de jogo. Os seis de frente, já contando Anthony Gordon, estão acostumados a marcar alto e direcionar a recuperação da posse de uma forma mais objetiva, o que é justamente um dos cenários em que a Argentina mais sofre.
Enquanto Saka, ou Madueke, e Gordon são extremos agudos e de velocidade com e sem bola, Kane e Bellingham fazem uma dupla extremamente complementar por dentro, principalmente em relação aos movimentos no campo. Jude é um meia de infiltração, com excelente timing e capacidade de finalização, como a maioria de seus gols no Mundial evidencia.
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Para além disso, em contextos em que o adversário consegue reter e dominar a posse, a Argentina até tem artifícios para conseguir rouba-la rapidamente, mas não dispõe de válvulas de escape para contra-atacar e acaba se arriscando com passes curtos para tentar assumir o controle do jogo novamente.
No entanto, os ingleses, como já dito, são extremamente privilegiados fisicamente e já se mostraram uma máquina de pressão pós-perda nessa Copa do Mundo. Ou seja, o cenário para Lionel Scaloni é de uma margem de erro baixa.
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O antídoto Messi
Aos 39 anos, Lionel Messi segue se provando um extra-classe. Com a menor média de distância percorrida por jogo no Mundial, o camisa 10 é o sopro de criatividade da Argentina e, impressionantemente, vem fazendo sua melhor Copa. Até então, o craque marcou 8 gols e contribuiu com 2 assistências em 6 partidas, aparecendo em momentos decisivos. No entanto, alguns padrões de seu jogo são observados há algum tempo e passaram a ser melhor defendidos pelos adversários no mata-mata.
Por ocupar a entrelinha, Messi sempre vislumbra o espaço. E esse espaço se abre a partir do distanciamento das linhas de defesa e meio-campo, geralmente por um gatilho de movimentação dos meias, buscando atrair uma pressão para então achar o camisa 10 com um passe vertical.
No entanto, observou-se uma Suíça muito atenta à compactação e preenchimento da entrada da área, uma das zonas em que Lionel Messi mais marca seus gols. O fato de ter Rice como um opositor em potencial durante boa parte do jogo será um teste de grande porte para o jogador do Inter Miami e, ao que tudo indica, os espaços estarão ainda mais reduzidos.
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No entanto, admite-se que Messi terá mais um jogo de muita participação, já que quando existe a dificuldade em acessá-lo na entrelinha, o craque argentino baixa para a buscar a bola na base da jogada. Assim, ele tem poder de verticalizar o jogo com passes em profundidade ou em associações.
No primeiro cenário, este passe costuma ocorrer visando as costas dos laterais, principalmente o lateral-direito adversário. Assim, é provável que um dos duelos mais recorrentes seja entre Nicolas Tagliafico e Reece James ou Saka, caso Tuchel opte por baixar seus pontas.
A segunda situação pede atenção para o centroavante, Julián Alvarez, e o jogador que substituirá Messi na entrelinha quando o craque buscar a bola nos pés de um dos volantes. Se antes o camisa 10 arrancava com dribles curtos impressionantes, hoje ele se aproveita dessas tabelas, típicas do futsal, para ganhar metros e chegar mais perto do gol.
É o famoso “um-dois”, dito tantas vezes em todos os níveis de um jogo de futebol. Para isso, a compactação também será uma das chaves para inibir uma das armas de Lionel Messi. A conclusão é que será um duelo ferrenho de estratégia, digno de uma semifinal de Copa do Mundo.