Como Argentina tem sucesso mesmo com Messi ‘andando em campo’ na Copa do Mundo?
Craque argentino comandará sua seleção novamente neste sábado (11), em duelo diante da Suíça, pelas quartas de final
Lionel Messi continua provando que nem sempre o futebol segue a lógica dos números físicos. Aos 39 anos, o argentino é o jogador de linha que menos corre entre os principais nomes da Copa do Mundo de 2026, mas também lidera boa parte das estatísticas ofensivas da competição — incluindo a artilharia da competição, empatado com Kylian Mbappé, que anotou mais um nesta quinta-feira (09) na vitória francesa diante do Marrocos.
Enquanto o futebol moderno exige intensidade cada vez maior, Messi mostra que inteligência, posicionamento e qualidade técnica ainda podem fazer a diferença. Seus números de deslocamento impressionam tanto quanto seus gols.
Copa do Mundo 2026
Sem defeitos? Existe alguma forma de parar a França?
Messi é quem menos corre entre os protagonistas da Copa do Mundo
Segundo levantamento do jornal espanhol “As”, os dados físicos que a Fifa disponibiliza do torneio revelam um cenário incomum. Em cinco partidas disputadas, Messi percorreu apenas 35,87 quilômetros, média de 6,88 km por jogo. Esse é um índice bastante inferior ao registrado pela maioria dos meio-campistas e atacantes em alto nível.
No ranking geral da Copa, Messi é o 186º na estatística. Outro grande criador, o francês Michael Olise, é o segundo, com mais de 64 quilômetros. Harry Kane, um centroavante, tem 53 quilômetros percorridos.
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Mais curioso ainda é como essa distância de Messi é distribuída. Dos 6,88 quilômetros percorridos por partida, 4,41 km acontecem simplesmente caminhando. Nenhum outro jogador da Copa apresenta um volume tão alto de deslocamentos em baixa intensidade.
Até mesmo nos jogos em que precisou atuar durante mais do que os 90 minutos, os números seguiram baixos. Na histórica virada contra o Egito, pelas oitavas de final, percorreu 8,28 km. Na estreia diante da Áustria, registrou 7,90 km.
O baixo volume físico aparece também nas acelerações. Messi soma apenas 23 arrancadas por partida, uma das menores médias entre os jogadores ofensivos da competição. Em comparação, é o 257º jogador no torneio com mais arrancadas, com 124 no total. Ismael Saibari, do Marrocos, lidera o ranking com 315 sprints.
Ao longo do Mundial, Messi percorreu apenas 631 metros em velocidade máxima. Outros 1,48 km foram feitos em ritmo de trote. São números que destoam completamente do padrão atual do futebol de elite, cada vez mais baseado em intensidade, pressão e capacidade atlética.
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‘Meus companheiros me fazem correr menos‘, diz Messi
Após a classificação contra o Egito, Messi explicou por que consegue atuar dessa forma. Segundo o camisa 10, o funcionamento coletivo da Argentina permite que ele concentre energia para os momentos decisivos.
“Graças aos meus companheiros, eu estou dentro de campo. Sei que eles fazem um sacrifício extra, que tiram forças de onde não têm para os momentos em que eu corro menos.”
O argentino também destacou que esse esforço coletivo acontece de forma natural. “Eles fazem isso de coração, porque querem e porque sentem isso.”
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A declaração ajuda a explicar um dos princípios da seleção argentina: enquanto os demais jogadores aumentam o volume físico sem a bola, Messi preserva energia para decidir quando ela chega aos seus pés.
Se fisicamente Messi faz menos do que quase todos, tecnicamente ele continua produzindo mais. O argentino lidera diversas estatísticas ofensivas da Copa do Mundo: são oito gols marcados em cinco jogos, média de 1,6 por partida, além da maior taxa de gols esperados (xG) do torneio, com 1,09 por jogo.
Também é o jogador com mais gols de fora da área e mais gols marcados em cobranças de falta. Não por acaso, lidera a avaliação estatística da competição, com nota média de 8,7, nos dados da Fifa.
Antes de Mbappé jogar a partida das quartas de final, que a Argentina ainda disputará neste sábado (11), contra a Suíça, Messi liderava as estatísticas de:
- Chutes (29);
- Chutes no gol (18);
- Gols (8);
- Chutes de fora da área (14);
- Gols esperados (xG): 5,65;
Em uma época em que distância percorrida, intensidade e pressão são métricas quase obrigatórias para avaliar desempenho, Messi segue sendo uma exceção.
Enquanto a maioria dos craques depende cada vez mais da capacidade física para influenciar partidas, o argentino continua construindo sua vantagem pela leitura do jogo, pelo posicionamento e pela eficiência com a bola nos pés.