Arbitragem na Copa do Mundo passou no teste? Analisamos o resultado das mudanças no torneio
Pierluigi Collina, responsável pelo setor na Fifa, promoveu novas diretrizes para torneio da América do Norte
A Copa do Mundo de 2026 já é a maior da história por ter sido realizada em três países-sede, com participação de 48 seleções e 104 jogos no total. E para acompanhar ineditismos, a Fifa também promoveu mudanças importantes na arbitragem para o torneio da América do Norte.
A International Football Association Board (IFAB), órgão que rege as leis do futebol, em parceria com a entidade máxima, divulgou novas diretrizes para o Mundial, cujo objetivo era dar mais velocidade e dinamismo ao jogo, assim como evitar perda de tempo proposital e garantir maior protagonismo ao VAR.
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Embora o nível dos árbitros e suas decisões subjetivas ainda sejam alvo de contestação, não dá para negar que Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa, tem tido sucesso em manter a bola rolando com a diminuição do tempo desperdiçado deliberadamente durante o torneio.
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Os limites de cinco segundos para cobranças de tiro de meta e laterais; Os 10 segundos para o jogador substituído deixar o gramado; Além da obrigatoriedade de ficar fora de campo por um minuto após receber atendimento médico foram cruciais para diminuir a cera. Como resultado, a Copa manteve a crescente histórica na média de tempo de bola rolando.
Média de tempo de bola rolando por partida na Copa do Mundo
- Rússia 2018: 54 minutos e 52 segundos nos 64 jogos;
- Catar 2022: 58 minutos e três segundos nos 64 jogos;
- Canadá, Estados Unidos e México 2026: 58 minutos e seis segundos nas 72 partidas da fase de grupos.
Fifa comemora avanços da arbitragem na Copa do Mundo
Ao término da primeira fase da competição, apenas um jogador substituído não respeitou o limite de 10 segundos para sair de campo, forçando sua equipe a ficar com um homem a menos por 60 segundos. Por outro lado, vários atletas foram vistos correndo rumo à linha lateral, mesmo com sua seleção vencendo, justamente para evitar a punição.
Em relação à demora para bater o tiro de meta, os árbitros assinalaram quatro escanteios à equipe adversária, enquanto 11 laterais foram revertidos por excederem a contagem regressiva de cinco segundos. Tais números foram comemorados pelo setor responsável da entidade, que considerou as medidas “muito eficazes” para incentivar a boa prática do futebol.
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Collina também apontou em comunicado da Fifa uma “diminuição drástica” nas situações de atletas reclamando de lesão ao longo da partida, com poucos pedindo a entrada da equipe médica, o que resultaria na saída do gramado por um minuto para receber atendimento. O chefe de arbitragem argumenta que o bom comportamento geral na fase de grupos do Mundial está ligado às novas regras.
Pierluigi Collina reforçou que, antes do torneio começar, os juízes foram recomendados a não punir contato normal entre os jogadores, incentivando a disputa limpa pela bola. Em números, os primeiros 72 jogos da Copa apresentaram uma média de 22,29 faltas; 2,47 cartões amarelos; e 0,4 cartões vermelhos por partida.
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O objetivo foi cumprido, mas isso não foi de todo bom
Se as leis anti-cera que promovem mais velocidade, tempo de bola rolando e dinamismo têm produzido resultados satisfatórios, o mesmo não pode ser dito sobre o protagonismo dos árbitros de vídeo, que, de fato, entraram mais em ação. Contudo, ao abandonar o lema de “interferência mínima, eficiência máxima”, eles viraram os novos “vilões” do torneio.
Antonio Vuksanovic, profissional de relações públicas e comunicação do “Sofascore”, revelou em artigo da empresa de estatística que, até o fim dos 16-avos-de-final, houve mais de 100 intervenções do VAR na Copa do Mundo, incluindo as decisões de campo mantidas e as revertidas pelo árbitro após checagem no monitor.
Before England’s goal in minute 45+2 against Norway, the sensor in the Connected Ball showed no peak in the 'heartbeat of the ball' when in the air, and therefore no evidence that the ball touched the overhead wire and changed the movement of the ball. pic.twitter.com/gYf9ukfveT
— FIFA Media (@fifamedia) July 11, 2026
— Em termos de decisões efetivamente revertidas (após checagem no VAR), estamos falando de aproximadamente 0,5 por partida, o que é mais alto do que na última Copa do Mundo — revelou Vuskanovic.
Para além da subjetividade de todas as decisões tomadas terem sido corretas ou não, a intervenção constante dos árbitros de vídeo serviu para aumentar o clima de tensão dentro de campo, sobretudo no mata-mata, quando os ânimos já estão exaltados com a possibilidade de uma eliminação traumática ou classificação sofrida.
As longas checagens dos lances no monitor, a falha na tecnologia do impedimento semiautomático, ou até mesmo o sensor da bola constatando um toque invisível a olho nu foram motivos de discussão e minutos de jogos perdidos. Portanto, se a máxima da Fifa é que a arbitragem garanta o máximo de tempo de bola rolando, será possível atingir essa meta com tantas interrupções do VAR?
Expulsão polêmica de suíço marcou mata-mata da Copa do Mundo
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Em 2026, os árbitros de vídeo podiam reverter escanteios assinalados erroneamente, checar possíveis erros de aplicação de segundo cartão amarelo e apontar “erros de identificação” de medidas disciplinares. O caso mais emblemático de toda a Copa do Mundo foi o segundo cartão amarelo dado a Breel Embolo por simular ter recebido uma falta do argentino Leandro Paredes.
Não foi a primeira vez que a nova regra entrou em vigor na competição. Na abertura do Grupo D da Copa entre Estados Unidos x Paraguai, Tim Ream recebeu um cartão amarelo porque o árbitro de campo entendeu que o carrinho em Miguel Almirón foi uma infração. Contudo, o zagueiro não encostou no atacante. Após a análise do VAR, foi constatada a simulação do paraguaio que foi punido, enquanto o estadunidense teve sua sanção retirada.
Outra novidade também consistiu em denunciar ao árbitro de campo jogadores que cobriam a boca para falar com o adversário durante desentendimentos; e intervir em lances faltosos antes da bola entrar em jogo.
According to the data provided by Connected Ball Technology housed within the @adidasfootball Trionda, the official match ball of the @FIFAWorldCup, it was proven that contact was made by Croatia's #20 Igor Matanović in the build up to the goal against Portugal, allowing the… pic.twitter.com/AyBz11N3wV
— FIFA Media (@fifamedia) July 3, 2026
No mínimo, o chefe de arbitragem da entidade precisa reavaliar algumas dessas questões para não repetir as polêmicas deste Mundial, que alimentaram teorias da conspiração com favorecimentos ou perseguições a determinada seleção e/ou jogador.