Estatísticas de Espanha x Argentina para ficar de olho na final da Copa do Mundo
Grande decisão encontra dois times que gostam da bola, mas com ataques completamente diferentes e que são ilustrados pelos números
Espanha e Argentina se enfrentarão na final da Copa do Mundo de 2026 neste domingo (19), às 16h no horário de Brasília. A final representa a coroação de dois times que priorizaram seu jogo “enraizado”, mas que tiveram histórias completamente diferentes durante o torneio.
Enquanto os espanhóis sofreram apenas um gol em toda a Copa, os argentinos precisaram sofrer em todos os jogos do mata-mata, incluindo viradas históricas. E algumas das estatísticas das duas seleções podem indicar como deve ser a grande final.
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Espanha e Argentina têm ataques fortes, mas aproveitamentos diferentes na Copa do Mundo
A Argentina tem o melhor ataque da Copa do Mundo de forma disparada, com 19 gols — três a mais do que a França, segunda colocada no ranking. Em meio aos vários jogos difíceis e vitórias apertadas por um gol de diferença, é fácil esquecer que os argentinos marcaram três gols em cinco dos sete jogos do torneio até aqui.
Por outro lado, os espanhóis, que pareceram ter uma Copa mais tranquila, têm “apenas” o quinto melhor ataque, empatado com a Noruega, com 13 gols marcados. Os Países Baixos, por exemplo, que foram eliminados nos 16 avos, deixaram o Mundial com 11 gols, somente dois a menos.
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A Espanha teve duas vitórias por 1 a 0 e um empate sem gols contra Cabo Verde na abertura da competição, mas ainda assim contou com vitórias contundentes como o 4 a 0 sobre a Arábia Saudita e o 3 a 0 contra a Áustria.
Gols marcados na Copa do Mundo:
- Argentina – 19 (1º lugar)
- Espanha – 13 (5º lugar)
Por outro lado, mesmo que não tenham sido avassaladores em gols, os espanhóis foram os que mais finalizaram no Mundial, segundo dados da Fifa. Empatada com a França, a equipe de Luis de la Fuente chutou 120 vezes nas sete partidas até aqui. A Argentina está imediatamente abaixo da dupla, com 113.
O número de finalizações também indica precisão: os argentinos chutaram menos e fizeram mais gols. Entre os times que chegaram ao menos nas oitavas de final, é o terceiro melhor aproveitamento da competição, com 17% dos seus chutes sendo convertidos em gols. A Espanha, por outro lado, é a 25ª do ranking geral da Copa na taxa de conversão, com 13%.
Finalizações (e chutes certos) na Copa do Mundo:
- Espanha – 120 (42)
- Argentina – 113 (46)
Um dado que pode parecer curioso é o do tipo de finalização. As duas seleções são conhecidas pelo seu jogo de aproximação e passes curtos, tentando entrar na área com tabelas ou manipulando espaços. De forma quase contrária, são dois dos três times que mais chutaram de fora da área e mais cabecearam em toda a Copa.
A Espanha teve 49 das suas 120 finalizações de fora da área, enquanto a Argentina teve uma a menos — colocando-os em segundo e terceiro lugar no ranking, respectivamente, atrás da França (55). Pelo alto, só ficam atrás da Inglaterra (25) em finalizações de cabeça: argentinos com 22, espanhóis com 17.
E ilustrando como são os dois melhores ataques da competição, os dois lideram a Copa do Mundo em gols esperados (xG). Isso também diz muito sobre o torneio de cada um.
Gols esperados na Copa do Mundo:
- Argentina – 15,38 xG (1º lugar)
- Espanha – 14,96 xG (2º lugar)
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A diferença no aproveitamento é clara. A Argentina marcou 19 gols em 15,38 xG — ou seja, marcou praticamente quatro gols a mais do que o esperado, com base na forma como finalizou. Enquanto isso, a Espanha só colocou 13 bolas na rede em quase 15 xG, dois gols a menos do que o esperado. Entre todos os 48 times, a Espanha está em 34º no ranking de aproveitamento de gols esperados.
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Dois times que procuram domínio a partir da bola
Talvez o dado que possa definir o duelo seja da posse de bola. São duas equipes que gostam da posse, trocam passes curtos e dominam o jogo de forma pausada. Os espanhóis lideram a Copa do Mundo nesse quesito, com 58% de posse, enquanto a Argentina, com 55%, está em 6º lugar.
Em algumas estatísticas de distribuição a disposição é a mesma, com argentinos liderando e espanhóis logo atrás. São os dois times com mais:
- Passes (4472 para Argentina, 4592 para Espanha);
- Taxa de acerto nos passes (91% para ambos).
Mas no que diz respeito às entradas no último terço, a seleção espanhola leva vantagem em diferentes números. Tem, por exemplo, mas cruzamentos, dribles individuais e tentativa de quebras de linha defensiva.
Cruzamentos:
- Espanha – 154 (3º lugar);
- Argentina – 102 (8º lugar);
Dribles individuais completados:
- Espanha – 65 (6º lugar);
- Argentina – 50 (9º lugar);
Tentativas de quebra de linha defensiva:
- Espanha – 175 (2º lugar);
- Argentina – 122 (8º lugar);
Ofertas para opção de passe:
- Espanha – 3431 (1º lugar);
- Argentina – 2971 (2º lugar);
Passes recebidos entre as linhas adversárias:
- Espanha – 1280 (1º lugar);
- Argentina – 1042 (2º lugar);
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Ter a bola também é uma forma de se defender, e a Espanha fez isso com maestria. Inibiu os franceses na semifinal e chega à decisão com apenas um gols sofrido, a melhor defesa da Copa. Os argentinos, por outro lado, sofreram sete gols, quase tanto quanto times como Jordânia e Haiti, por exemplo (8 cada).
Gols sofridos:
- Espanha – 1 (1º lugar);
- Argentina – 7 (31º lugar);
E reforçando o estilo de propor o jogo a partir da posse, dados defensivos ajudam a explicar isso. São, por exemplo, dois dos times mais pressionantes de toda a Copa do Mundo.
Pressões aplicadas:
- Espanha – 1641 (3º lugar);
- Argentina – 1609 (5º lugar);
Messi, o ‘monstro’ das estatísticas individuais, pode ser determinante
Entre estatísticas individuais, a Espanha não tem nomes proeminentes para gols ou criação de perigo. Mikel Oyarzabal é o artilheiro do time, com cinco gols, mas apenas o 7º colocado na corrida pela artilharia. O primeiro é, evidentemente, Lionel Messi.
Messi é o líder de praticamente tudo na Argentina, como um exército de um homem só. Quando não marca, dá assistência — e participou de gols em todos os jogos do time. São 12 participações em gols em 19 marcados: mais de 63% dos gols passam por ele diretamente. Segundo dados da “Opta”, Messi lidera a Argentina em:
- Gols (8);
- Asistências (4);
- Contribuições para gol (12);
- Chutes (34);
- Chutes no alvo (19);
- Passes para chute (25);
- Cruzamentos certos (21);
- Toques na bola em situações de contra-ataque (44);
- Dribles (24);
- Gols esperados (5.3 xG);
- Assistências esperadas (4.1 xA);
- Faltas sofridas (16);
- Duelos ganhos (51).
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Em toda a Copa, Messi também é o líder de finalizações totais e certas. É, disparado, quem mais chutou de fora da área (18) no Mundial. Ninguém da seleção espanhola chega perto desses números.
Por outro lado, são os espanhóis que dominam as estatísticas individuais de distribuição: Rodri, Aymeric Laporte e Pau Cubarsí são os três jogadores com mais passes e passes certos da Copa.
Yamal aparece como o jogador com mais dribles individuais completados (30) e, ao lado de Messi, quem mais tentou quebras a linha defensiva adversária (32 vezes cada). O confronto de gerações de camisas 10 do Barcelona pode, no fim, ser decidido também pelo perigo que cada um deles leva às defesas.