Por que Bellingham não foi expulso por cobrir a boca em Inglaterra x Gana
Estrelas Negras apontaram suposto desrespeito à nova regra da Copa do Mundo, criada no caso Vinicius Jr e Prestianni
O empate sem gols entre Inglaterra e Gana ficou marcado pela solidez defensiva de Carlos Queiroz, instransponível para Thomas Tuchel. Entretanto, uma polêmica de arbitragem virou alvo de discussão apósJude Bellingham ser fotogrado cobrindo a boca em conversa com Jordan Ayew. Nova regra da Fifa prevê a expulsão de um jogador que tape a boca ao falar com um adversário.
Contudo, o camisa 10 do English Team não foi punido com o cartão vermelho pelo árbitro hondurenho Said Martínez. No último sábado (20), Miguel Almirón se tornou o primeiro jogador expulso no torneio com base nessa diretriz após recomendação de análise do VAR durante Turquia x Paraguai, quando o atacante cobriu a boca para se dirigir a Mert Muldur.
Portanto, a pergunta que fica é: por que Bellingham não recebeu o vermelho direto por fazer algo parecido com o camisa 9 das Estrelas Negras? A resposta tem a ver com o contexto da partida, pois a regra do Mundial exige a sanção em situações de conflito, e não apenas pelo ato de tapar a boca.
Caso de Bellingham em Inglaterra x Gana é diferente de Almirón em Turquia x Paraguai
Following a VAR review in the FIFA World Cup match between Türkiye and Paraguay, Miguel Almirón was shown red card for covering his mouth.
— FIFA (@FIFAcom) June 20, 2026
Following a special meeting of The IFAB held in April, a number of amendments were introduced to be implemented at the FIFA World Cup 2026.… pic.twitter.com/RkBLMhHGxl
Antes da competição começar, Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa, deixou claro que a proibição não é sobre cobrir a boca, mas sim realizar esse ato em momentos de confronto com um rival. O ex-juiz italiano já havia dito que, se o papo fosse amigável, não caberia expulsão.
— Os jogadores podem continuar cobrindo a boca com o braço e a camisa, pois podem estar conversando com os amigos. É normal bater um papo antes, durante ou depois da partida. Portanto, se a conversa for amigável, eles podem continuar sem nenhum problema — começou Collina.
— Quando a conversa se torna confrontativa, cobrir a boca significa que você está fazendo algo muito errado, potencialmente, e a sanção é o cartão vermelho — concluiu o chefe de arbitragem da entidade.
É importante deixar claro que, quando o meia da seleção inglesa foi flagrado se dirigindo a Ayew tapando a boca, não havia nenhuma animosidade entre os dois, eram apenas dois atletas conversando. Em outros jogos da Copa, foi possível ver jogadores, e até mesmo árbitros, realizando esse gesto entre si.
İşte o kırmızı kartı getiren an! 🟥 pic.twitter.com/Ah87bnxWZ7
— Damla Uğurtürk (@damlaugurturk) June 20, 2026
Caso completamente diferente ao de Almirón. Pouco antes do intervalo, Isidro Pitta caiu no chão alegando uma entrada violenta de Ismail Yuksek. Isso deu início a uma confusão generalizada entre atletas paraguaios e turcos. Nesse momento, o camisa 10 da Albirroja cobriu a boca para falar com o lateral-direito, que rapidamente avisou a equipe de arbitragem.
Embora Miguel Almirón e Muldur não estivem envolvidos diretamente no empurra-empurra da confusão, era um período de alta tensão. Em entrevista à “SNTV” na terça-feira (23), Gianni Infantino defendeu o vermelho mostrado para o atacante do Paraguai.
— Essa questão de cobrir a boca é uma regra muito, muito importante para nós. Trata-se de respeito, do exemplo que devemos dar. Se você não tem nada a esconder, não cubra a boca ao falar com alguém. As regras foram explicadas de forma muito clara para todos — salientou o presidente da Fifa.
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Origem da regra com Vinicius Jr e Gianluca Prestianni
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No dia 17 de fevereiro, durante o jogo de ida dos playoffs da Champions League entre Benfica x Real Madrid, Vinicius Jr. comemorou o gol da vitória por 1 a 0 dançando em frente à bandeirinha de escanteio, de frente para o setor da torcida mandante no Estádio da Luz, o que foi entendido como uma provocação pelos portugueses.
Uma confusão entre os atletas antes do reinício de jogo acabou com Gianluca Prestianni tapando a boca com a camisa para xingar o atacante brasileiro. Vinicius Jr. imediatamente comunicou ao árbitro que o atacante argentino havia chamado-o de “mono” (“macaco”, em espanhol”).
A arbitragem paralisou a partida e acionou o protocolo antiracismo. Após o jogo, a Uefa iniciou uma investigação sobre o caso, e a defesa de Prestianni alegou que ele cometeu uma ofensa homofóbica, e não racista. O argentino acabou suspenso por seis jogos, cujo ocorrido motivou a Fifa a criar uma regra proibindo jogadores de cobrirem a boca em momentos de discussão, justamente para poder identificar o teor de uma fala ou xingamento.