Copa do Mundo 2026

Por que Bellingham não foi expulso por cobrir a boca em Inglaterra x Gana

Estrelas Negras apontaram suposto desrespeito à nova regra da Copa do Mundo, criada no caso Vinicius Jr e Prestianni

O empate sem gols entre Inglaterra e Gana ficou marcado pela solidez defensiva de Carlos Queiroz, instransponível para Thomas Tuchel. Entretanto, uma polêmica de arbitragem virou alvo de discussão apósJude Bellingham ser fotogrado cobrindo a boca em conversa com Jordan Ayew. Nova regra da Fifa prevê a expulsão de um jogador que tape a boca ao falar com um adversário.

Contudo, o camisa 10 do English Team não foi punido com o cartão vermelho pelo árbitro hondurenho Said Martínez. No último sábado (20), Miguel Almirón se tornou o primeiro jogador expulso no torneio com base nessa diretriz após recomendação de análise do VAR durante Turquia x Paraguai, quando o atacante cobriu a boca para se dirigir a Mert Muldur.

Portanto, a pergunta que fica é: por que Bellingham não recebeu o vermelho direto por fazer algo parecido com o camisa 9 das Estrelas Negras? A resposta tem a ver com o contexto da partida, pois a regra do Mundial exige a sanção em situações de conflito, e não apenas pelo ato de tapar a boca.

Caso de Bellingham em Inglaterra x Gana é diferente de Almirón em Turquia x Paraguai

Antes da competição começar, Pierluigi Collina, chefe de arbitragem da Fifa, deixou claro que a proibição não é sobre cobrir a boca, mas sim realizar esse ato em momentos de confronto com um rival. O ex-juiz italiano já havia dito que, se o papo fosse amigável, não caberia expulsão.

— Os jogadores podem continuar cobrindo a boca com o braço e a camisa, pois podem estar conversando com os amigos. É normal bater um papo antes, durante ou depois da partida. Portanto, se a conversa for amigável, eles podem continuar sem nenhum problema — começou Collina.

Quando a conversa se torna confrontativa, cobrir a boca significa que você está fazendo algo muito errado, potencialmente, e a sanção é o cartão vermelho — concluiu o chefe de arbitragem da entidade.

É importante deixar claro que, quando o meia da seleção inglesa foi flagrado se dirigindo a Ayew tapando a boca, não havia nenhuma animosidade entre os dois, eram apenas dois atletas conversando. Em outros jogos da Copa, foi possível ver jogadores, e até mesmo árbitros, realizando esse gesto entre si.

Caso completamente diferente ao de Almirón. Pouco antes do intervalo, Isidro Pitta caiu no chão alegando uma entrada violenta de Ismail Yuksek. Isso deu início a uma confusão generalizada entre atletas paraguaios e turcos. Nesse momento, o camisa 10 da Albirroja cobriu a boca para falar com o lateral-direito, que rapidamente avisou a equipe de arbitragem.

Embora Miguel Almirón e Muldur não estivem envolvidos diretamente no empurra-empurra da confusão, era um período de alta tensão. Em entrevista à “SNTV” na terça-feira (23), Gianni Infantino defendeu o vermelho mostrado para o atacante do Paraguai.

— Essa questão de cobrir a boca é uma regra muito, muito importante para nós. Trata-se de respeito, do exemplo que devemos dar. Se você não tem nada a esconder, não cubra a boca ao falar com alguém. As regras foram explicadas de forma muito clara para todos — salientou o presidente da Fifa.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Origem da regra com Vinicius Jr e Gianluca Prestianni

Prestianni cobre a boca para falar com Vinicius Junior (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Prestianni cobre a boca para falar com Vinicius Junior (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

No dia 17 de fevereiro, durante o jogo de ida dos playoffs da Champions League entre Benfica x Real Madrid, Vinicius Jr. comemorou o gol da vitória por 1 a 0 dançando em frente à bandeirinha de escanteio, de frente para o setor da torcida mandante no Estádio da Luz, o que foi entendido como uma provocação pelos portugueses.

Uma confusão entre os atletas antes do reinício de jogo acabou com Gianluca Prestianni tapando a boca com a camisa para xingar o atacante brasileiro. Vinicius Jr. imediatamente comunicou ao árbitro que o atacante argentino havia chamado-o de “mono” (“macaco”, em espanhol”).

A arbitragem paralisou a partida e acionou o protocolo antiracismo. Após o jogo, a Uefa iniciou uma investigação sobre o caso, e a defesa de Prestianni alegou que ele cometeu uma ofensa homofóbica, e não racista. O argentino acabou suspenso por seis jogos, cujo ocorrido motivou a Fifa a criar uma regra proibindo jogadores de cobrirem a boca em momentos de discussão, justamente para poder identificar o teor de uma fala ou xingamento.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo