Gana frustra a Inglaterra e mostra que, para dar certo, ‘retranca’ ainda precisa de mínimo de criatividade
Empate sem gols teve Kane perdendo chance clara de gol e Gana com apenas 21% de posse de bola
A Inglaterra empatou com Gana nesta terça-feira (23), em partida válida pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, por 0 a 0. O empate ainda mantém os ingleses no topo do Grupo L.
O técnico Thomas Tuchel mudou o time em relação à vitória contra a Croácia na estreia: promoveu as entradas de Marc Guehi e Djed Spence no lado esquerdo da defesa. Mas, contra um time que quase “odiou” a bola, teve nada conseguiu fazer.
Inglaterra para no ônibus ganês e fica no empate
A atual edição da Copa do Mundo tem sido marcada pelo sucesso dos times que se dão melhor em campo aberto — seja transições ou equipes que conseguem acelerar o jogo em organização ofensiva.
A Inglaterra conseguiu fazer isso na estreia, também porque a Croácia era um time que queria ter a bola a construir de forma organizada. Por isso o placar elástico: um 4 a 2 que veio a partir de espaços gerados por dois times que queriam a bola.
Contra Gana, no entanto, o time de Thomas Tuchel não teve espaço em nenhum momento. Os africanos se defenderam em bloco baixo que partia de um 4-4-2, mas que contava com a ajuda dos volantes para aumentar a primeira linha para cinco defensores ou para estreitar ainda mais as distâncias do entrelinhas.
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Os Três Leões tiveram imensa dificuldade de entrar na área e passaram grande parte do tempo trocando passes entre zagueiros e volantes. Noni Madueke foi importante para tentar jogadas individuais pela direita, mas não teve tanto sucesso.
Harry Kane, que foi crucial contra a Croácia recuando para ajudar o meio-campo e liberando espaço, pouco pôde fazer com esse tipo de movimento. Como a defesa ganesa ficava toda baixa praticamente em uma única linha, sem ceder espaço entrelinhas, ao descer, Kane não era perseguido e via um muro amarelo à sua frente, o que não lhe permitia armar o jogo.
A Inglaterra teve oportunidades com faltas e escanteios, mas também sem sucesso. Sem facilidade para girar a bola com rapidez e encontrar espaço atrás de um bloco em deslocamento, os ingleses conseguiam chegar perto da área, mas sempre cobertos. No primeiro tempo, por exemplo, quatro das seis finalizações inglesas foram bloqueadas. No fim, a Inglaterra deu 19 chutes e apenas quatro foram ao alvo, e efetivamente um único teve perigo.
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Gana instaura o catenaccio na Copa do Mundo
É justo dizer que a equipe comandada por Carlos Queiroz não fazia questão de ter a bola. Mais do que os rasteiros 21% de posse de bola, o pouco ímpeto para recuperá-la e os diversos momentos em que rapidamente quis se desfazer dela ilustram isso.
Ao estilo clássico do catenaccio, Gana tinha em Thomas Partey uma figura de líbero diferente — era um volante que descia para proteger a linha de defesa, mas subia para desarmar o meia que entrava entrelinhas, muitas vezes Jude Bellingham. Foi crucial para o sucesso defensivo do time, com 12 contribuições defensivas.
78.8% – England's possession figure of 78.8% against Ghana was the most on record (from 1966) by any side in a FIFA World Cup match without managing to score.
Lacklustre. pic.twitter.com/ijqSDVRZL0
— OptaJoe (@OptaJoe) June 23, 2026
O catenaccio originário também era um 4-3-3 (apesar de sem laterais e com um líbero recuado), mas a equipe africana também foi a campo em um 4-3-3 com Partey à frente dos meias que recuavam muito e deixavam o trio de Jordan Ayew, Antoine Semenyo e Iñaki Williams como responsáveis pelo contra-ataque.
Os ganeses tiveram raras oportunidades: apenas duas, ambas em contra-ataques e já no segundo tempo. A melhor, com Prince Kwabena Adu, foi um chute de 0,24 gol esperado (xG) defendida por Jordan Pickford. O jogo de Gana, no entanto, ilustra como um bom catenaccio ainda precisa de pelo menos um pouco da bola e de criatividade.
A próxima partida da Inglaterra será diante do Panamá, no próximo sábado (27), às 18h no horário de Brasília, para fechar a fase de classificação do Grupo L da Copa do Mundo.