Inglaterra mostra que acerta ao montar time para Kane e dá adeus à monotonia pré-Copa ao vencer a Croácia
Astro do Bayern de Munique marca dois em goleada inglesa sobre croatas na estreia da Copa do Mundo
Inglaterra e Croácia fizeram um dos melhores jogos da Copa do Mundo 2026 nessa quarta (17), que terminou com vitória inglesa por 4 a 2. Harry Kane (duas vezes), Jude Bellingham e Marcus Rashford marcaram pela Inglaterra, enquanto Martin Baturina e Petar Musa descontaram para os croatas.
O grande destaque do jogo foi Kane. O camisa 9 marcou duas vezes, chegou a 10 gols em Mundiais e igualou Gary Lineker, principal artilheiro dos Três Leões na história do torneio. E seu brilho também veio com dedo de Thomas Tuchel.
Kane brilha na Copa do Mundo porque Tuchel o priorizou na Inglaterra
Em times em que há um grande destaque no ataque, é comum ver treinadores que optam por montar um time em função desse jogador. Em vários desses casos, ele se torna o foco ofensivo ficando mais adiantado, tendo menos responsabilidades táticas ou entra em um time que o procura constantemente.
Na Inglaterra, Thomas Tuchel reconheceu que Kane é esse jogador, mas fez com que a grande capacidade criativa do atacante moldasse todo o time. O “Kane volante” do Bayern de Munique voltou a aparecer na Copa do Mundo.
Foi dessa forma que Noni Madueke apareceu com perigo em algumas oportunidades no primeiro tempo: Kane baixava para receber sem marcação e lançava para os pontas atacarem o espaço na defesa. O ponta do Arsenal teve dois lances cruciais: roubando a bola de Luka Modric após um lançamento que não deu certo, em imediata contrapressão, e sofrendo o pênalti que Kane converteu para abrir o placar.
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A experiência de Kane descendo na linha dos volantes se manteve em todo o jogo, mas a Croácia mudou a forma de marcar depois da primeira pausa para hidratação. Antes, Kane descia sem marcação porque os zagueiros croatas se mantinham na defesa. Depois, o camisa 9 passou a ser perseguido em todo o campo.
Essa mudança foi impactante e, inclusive, ajudou a criar o gol de empate da Croácia. Luka Vuskovic, o zagueiro central, subia com mais frequência para dar combate no campo inglês e foi ele quem roubou a bola que gerou a transição para o gol de Martin Baturina: um ataque rápido que já se iniciou perto da área.
Kane ainda empatou após cobrança de escanteio que marcou a influência da bola parada no futebol inglês: Nico O’Rilley fez o “corta luz” do basquete para impedir a defesa zonal croata e liberar o centroavante para atacar a área livre.
E até mesmo o gol de Jude Bellingham, o terceiro dos Três Leões, veio com influência desse posicionamento de Kane. O camisa 10 recebe em profundidade atacando o meio-espaço direito justamente depois de Kane baixar e puxar um defensor, liberando o espaço para um belo passe de Elliot Anderson.
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As ressalvas da Inglaterra contra a Croácia
Os gols croatas vieram em situações diferentes: o primeiro, após pressão alta que deu certo com os zagueiros subindo para impedir a influência de Kane no meio-campo; o segundo, em um raro momento em que os ingleses defendiam muito baixo.
No lance do segundo gol croata, no fim da primeira etapa, a Inglaterra chegou a defender em 6-4-0. Anthony Gordon, o ponta-esquerdo, baixou para defender o ala croata, enquanto Anderson também entrou no meio dos zagueiros. Curiosamente, foi quando o volante foi atraído para fora da linha que a Croácia encontrou o passe para furar a linha.
— England (@England) June 17, 2026
Com diversos meias criativos em campo — Luka Modric, Petar Sucic, Mario Pasalic e Baturina –, a Croácia conseguiu encontrar espaços mesmo em uma defesa curiosamente baixa inglesa. Mas, de modo geral, pouco conseguiu entrar na área: foram apenas três chutes de dentro da área em oito totais, um número não tão alto.
O estilo inglês fez sucesso e se mostrou por completo: mais intenso no ataque, para atrair durante a construção e aproveitar espaços, mas também para pressionar alto. Foi diferente dos últimos jogos da equipe antes da Copa do Mundo, principalmente por conta dos adversários, muito mais fracos e que não faziam tanta questão de atacar.
Agora, a Inglaterra colocará à prova a sua liderança do grupo contra Gana, na próxima terça-feira (23), às 17h no horário de Brasília, e depois diante do Panamá, no próximo dia 27, às 18h.