Por que discurso de Scaloni após nova vitória sofrida da Argentina mostra contradição
Treinador da seleção argentina é honesto sobre desempenho do time na Copa do Mundo, mas decisões em campo vão na contramão
Novamente, a Argentina sofreu mais do que o necessário para avançar na Copa do Mundo. Como contra Cabo Verde nos 16 avos e Egito nas oitavas de final, a Suíça dificultou até o fim a vida da Albiceste, que só venceu na prorrogação, 3 a 1. O técnico Lionel Scaloni tem um enorme desafio para a semifinal contra a Inglaterra, na próxima quarta-feira (15).
Ele até mostrou sinceridade na entrevista pós-jogo ao assumir que os resultados têm escondido as atuações fracas de sua equipe. “Precisamos ser realistas. Há muitos aspectos do nosso jogo que precisam melhorar. Às vezes, a vitória pode esconder esses detalhes, mas sabemos que eles existem”, disse.
Copa do Mundo 2026
Sem defeitos? Existe alguma forma de parar a França?
— Sinceramente, a sorte esteve ao nosso lado em determinados momentos — resumiu, franco, em outra resposta.
Ao mesmo tempo que é honesto com a situação de seu time, Scaloni mostra contradição, afinal, boa parte de suas escolhas, inclusive contra a Suíça, tem colocado a Argentina nessa situação.
Técnico da Argentina se mantém firme em convicções
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F07%2Flionel-scaloni-argentina-suica-scaled.jpg)
O estilo de jogo de passes curtos da Argentina, com muitos jogadores próximos no centro do campo, potencializando Lionel Messi, até que deu certo em uma fase de grupos acessível contra Argélia, Áustria e Jordânia. Na competitividade e luta do mata-mata, mostrou-se um esquema falível pela situação física de seus principais jogadores.
Enzo Fernández, Rodrigo De Paul e Alexis Mac Allister estão em um péssimo momento físico — o que é aumentado por precisarem compensar Messi sem a posse de bola. Julián Álvarez e Lautaro Martínez (mesmo com ambos marcando gols sobre a Suíça) vivem momento abaixo tecnicamente.
Thiago Almada também, tanto que perdeu a vaga no time titular para Leandro Paredes, que é um dos poucos argentinos que fazem uma grande Copa. A entrada de Paredes na vaga dele é um acerto de Scaloni, assim como a de Nicolas Tagliafico na de Facundo Medina pela lateral esquerda. Mas parou por aí.
O treinador já tinha visto as atuações abaixo de Enzo, Mac Allister e De Paul frente a Cabo Verde e Egito e decidiu dobrar a aposta tendo Valentín Barco, Giovani Lo Celso e Exequiel Palacios como opções para o meio-campo no campo de reservas.
Na partida com os suíços, seguiu dando errado e manteve a estrutura até os 78 minutos, quando colocou Nico González na lateral esquerda. De Paul só saiu aos 85; Enzo, no início da prorrogação. E, quem entrou, não foram meio-campistas. Scaloni empilhou atacantes: Lautaro, Álvarez, Flaco López e Almada.
Paredes saiu lesionado — mas depois afirmou que não é nada grave. Cristian Romero, com problema físico antes da Copa, saiu desgastado para a entrada de Nicolas Otamendi. Um time que pede trocas, rotações e, até o momento, o técnico argentino tem sido conservador.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Título da Copa do Mundo de 2022 veio justamente no poder adaptativo
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F07%2FENZO-FERNANDEZ-JULIAN-ALVAREZ-ARGENTINA-scaled.jpg)
Quando a Argentina conquistou o título mundial há quase quatro anos, uma das marcas da campanha foi justamente Scaloni não ter receio de mudar o time, seja para adaptar ao contexto dos jogos ou pelo mau momento de algum jogador. Nos sete jogos, foram sete escalações diferentes e até linha de três zagueiros foi utilizada.
No momento em que os experientes não corresponderam, o treinador ousou: firmou como titulares Enzo Fernández, à época com 21 anos, e Julian Álvarez, 22, jovens com pouco tempo pela Albiceleste. A dupla foi decisiva para o título.
Agora, na edição de 2026, Scaloni parece mais apegado a seu grupo. Não abre mão dos pilares de 2022, um conservadorismo que pode pagar o preço em uma semifinal que promete ser intensa e exigente contra a Inglaterra. Quem avançar, enfrenta França ou Espanha na grande final, em 19 de julho.