Copa do Mundo 2026

Inglaterra mostra ao Brasil como é possível parar Haaland sem precisar ser conservador

Eliminado da Copa do Mundo, atacante sai sem marcar um gol em competição oficial pela seleção pela primeira vez desde 2024

A trajetória da seleção norueguesa não durou muito depois de eliminar o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo. Logo na fase seguinte, neste sábado (11), caiu para a Inglaterra, 2 a 1 após prorrogação, e deu adeus à sua melhor campanha na história dos Mundiais. O craque Erling Haaland, diferente do jogo anterior, teve participação nula na partida.

Frente à seleção brasileira, o camisa 9 foi absolutamente decisivo: marcou duas vezes em quatro finalizações. Isso mesmo com a equipe de Carlo Ancelotti praticamente se adaptando para tirar o melhor do jogo do centroavante, apostando em ter menos a bola para evitar que ele tivesse campo para correr.

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Tanto que a Amarelinha terminou apenas com 34% de posse de bola, menor número desde que iniciaram os registros da Copa do Mundo, a partir da edição de 1966.

A Inglaterra não necessariamente reteve a bola por todo o tempo e tirou Haaland do jogo. Foram alguns fatores que pesaram na atuação abaixo do autor de sete gols na Copa do Mundo.

Haaland em Noruega x Inglaterra
Haaland em Noruega x Inglaterra (Foto: IMAGO / Action Plus)

Como Haaland encontrou espaço contra o Brasil

Nas oitavas de final, o atacante de 25 anos também fez uma atuação de poucas ações com a bola, somando apenas nove a mais contra os brasileiros (30) em comparação ao jogo com o English Team (21). Haaland é esse atacante de ter pouca posse, mas, quando a receber, ser mortal. Aí, entra a diferença das atuações.

Os dois gols foram de pouca pressão brasileira para permitir que a jogada se desenrolasse, seja no lado do campo, onde Andreas Schjelderup aproveitou o bote errado de Endrick e o longo espaço que Danilo deixou, ou na entrada da área, local em que Haaland dominou, ajeitou e chutou na frente de Danilo e Gabriel Magalhães.

Além disso, o centroavante foi acionado diversas vezes diretamente da defesa com lançamentos. Ele poderia nem tocar na bola, mas empurrava os zagueiros e dava espaço na entrada da área, onde Martin Odegaard quase abriu o placar contra o Brasil. O segundo gol, inclusive, começou em bola longa do goleiro Orjan Nyland.

Haaland contra o Brasil em 90 minutos

  • 30 ações com bola
  • 2 gols em 0.47 gol esperado
  • 4 finalizações (3 certas)
  • 8 perdas de posse
  • 4 duelos pelo alto ganhos de 4 disputados

Fonte: “SofaScore”

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Por que a Inglaterra foi mais efetiva parando o atacante nas quartas da Copa do Mundo

Nenhum lance parecido dos contra o Brasil aconteceu contra a Inglaterra. Na primeira etapa, a equipe de Thomas Tuchel dominou a bola em uma estrutura 3-5-2 que permitiu poucos espaços por mais de 30 minutos, além de uma pressão forte no campo de ataque. Depois, mesmo que tenha dado mais espaço para as transições norueguesas, Haaland foi acionado em contextos de chutes bem mais difíceis.

A Noruega teve mais a posse nos três tempos seguintes, mas ainda assim não teve espaço pelos lados do campo pela boa e concentrada marcação dos ingleses, evitando cruzamentos ou lançamentos em condições ideais para seu 9. Agressividade não vista pela seleção brasileira no segundo tempo da partida, decisiva para o segundo.

A primeira finalização do atacante contra a Inglaterra, aos 34, obrigou que o centroavante subisse no segundo andar para recuar fácil a Jordan Pickford em cruzamento de Julian Ryersson. A cabeçada aos sete do segundo tempo também foi complexa, próxima da marca do pênalti, longe do gol, e o levantamento também veio ruim para uma finalização forte.

A terceira e última conclusão de Erling foi uma batida na segunda trave, na rede pelo lado de fora, após escanteio. Não tinha espaço para mais do que isso.

Disputa entre Haaland e Elliot Anderson em Noruega x Inglaterra
Disputa entre Haaland e Elliot Anderson em Noruega x Inglaterra (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)

Claro que esse roteiro poderia ter sido muito diferente se Alexander Solorth, em um raro contra-ataque que tinha só um defensor contra ele, tocasse para o centroavante ficar cara a cara com Pickford em vez de ter tentado chutar, errando o alvo. Esse lance foi pouco depois do empate inglês, com Jude Bellingham, no fim da etapa inicial.

Haaland também foi pouco efetivo no jogo aéreo. Sua presença física teve efeito direto só em uma oportunidade, fixando Marc Guéhi em bola longa de Nyland que permitiu o espaço para Alexander Sorloth chutar para fora. Mas foi só. O goleiro norueguês foi menos efetivo nos lançamentos contra os ingleses (sete certos em 25 tentados) do que na vitória sobre o Brasil (12 em 27).

O English Team igualou os duelos aéreos vencidos com os noruegueses, enquanto a Seleção teve sete a menos que os Vikings.

Haaland em 105 minutos contra a Inglaterra

  • 21 ações com bola
  • 0.11 gol esperado
  • 3 finalizações (2 certas)
  • 10 perdas de bola
  • 3 duelos aéreos ganhos de 4 disputados

Após 14 jogos em competições oficiais marcando (entre Copa do Mundo, Eliminatórias e Nations League), Haaland passou um jogo em branco. A última vez tinha sido contra a Áustria em 13 de outubro de 2024, há 636 dias, segundo dados da “Opta”.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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