Copa do Mundo 2026

Copa do Mundo 2026 marca o menor índice de pênaltis convertidos dos últimos 60 anos, mas por que?

Artilheiros da competição, Messi e Mbappé já desperdiçaram oportunidades da marca da cal e evidenciam tendência

A Copa do Mundo de 2026 marca uma das edições mais globalizadas e equilibradas de toda a história, justamente na primeira com 48 seleções. Além disso, recordes importantes foram batidos, como Lionel Messi e Kylian Mbappé ultrapassando Miroslav Klose na artilharia histórica e Cristiano Ronaldo tornando-se o único a marcar em seis Mundiais. Dentre as marcas expressivas, uma delas está associada aos goleiros e pode sinalizar uma evolução da posição.

A penalidade desperdiçada por Mbappé no duelo contra o Marrocos, na última quinta-feira (9), colocou em evidência um recorde impressionante. De acordo com a “Opta”, esta Copa é a de menor índice de conversão de pênaltis, incluindo as disputas pós prorrogação, desde 1966.

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Das 60 cobranças, apenas 39 terminaram em gol, compreendendo 65% de aproveitamento dos batedores. Messi, por exemplo, perdeu as duas oportunidades que teve neste Mundial (diante de Áustria e Egito), o que também é outro recorde. Mas o que se pode analisar a partir disso?

Técnica utilizada por cobradores não tem funcionado na Copa

A “BBC Sport” realizou um estudo em relação à técnica utilizada pelos cobradores em cada um dos pênaltis e identificou que a utilização da “paradinha” na corrida para a bola foi menos eficaz do que a corrida tradicional. Fragmentando a estatística, as penalidades com a “quebra da passada” representam um aproveitamento de 56%, ou seja, 11 dos 25 com este artifício não estufaram as redes. Mbappé, por exemplo, perdeu seu único pênalti justamente fazendo a paradinha diante de Yassine Bono.

A técnica, aperfeiçoada por jogadores como Neymar e o próprio Gabigol, no futebol brasileiro, sempre teve um objetivo específico: forçar o goleiro a indicar o movimento que faria para tentar defender a cobrança.

No entanto, o recorte recente demonstra que, cada vez mais, os arqueiros tendem a esperar até o último momento para tomar uma decisão, principalmente pela evolução física dos jogadores desta posição, permitindo maior explosão. Além disso, a média de altura dos defensores das balizas é outro indicativo importante. Pela primeira vez na história, a média de altura dos goleiros na Copa do Mundo superou 1,90m, quatro centímetros a mais que em 2002.

Por outro lado, o método tradicional totalizou 35 batidas, sendo 25 delas traduzidas em gol, o que representa uma conversão de 71%. Ainda assim, um aproveitamento aquém do esperado, já que, universalmente, o conceito de “gols esperados” (xG), considera que uma penalidade possui 76% de chance de se transformar em gol. Portanto, há mais do que demérito dos cobradores para a queda dessa estatística.

Bono defendeu pênalti de Mbappé em França x Marrocos. Foto: Icon Sport/ZUMA Press Wire.
Bono defendeu pênalti de Mbappé em França x Marrocos. Foto: Icon Sport/ZUMA Press Wire.

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Evolução do estudo e atenção ao pênalti

Para além do aspecto físico, o estudo das penalidades está cada vez mais em alta e de amplo acesso. Não é à toa que, costumeiramente, as garrafinhas ou toalhas dos goleiros possuem os gráficos de probabilidade de lado e altura da batida de cada jogador. O exemplo mais recente e flagrante ocorreu no último Mundial de Clubes, na decisão entre Flamengo e PSG.

Matvey Safonov, o grande algoz dos Rubro-negros, defendeu quatro pênaltis na decisão do Mundial, obedecendo boa parte do que se evidenciou em estudos de cada batedor. Nesta Copa, o principal vilão das penalidades é Yassine Bono, recordista de pênaltis defendidos dos últimos 60 anos de Copa, que salvou quatro das seis cobranças em que foi testado, classificando Marrocos para as oitavas de final em duelo contra Países Baixos. Inclusive, uma dessas defesas chamou atenção por uma técnica pouco usual.

Bono utilizou método diferente para pegar pênalti de Summerville Foto: Icon Sport/ZUMA Press Wire.
Bono utilizou método diferente para pegar pênalti de Summerville Foto: Icon Sport/ZUMA Press Wire.

Na cobrança de Crysencio Summerville, Bono teve tanta certeza de que o atacante bateria cruzado que saiu antes e de pé para defender em seu canto direito alto. A altura que a bola tomou a partir da batida de Summerville tornaria a tarefa de evitar o gol praticamente impossível para o goleiro marroquino caso optasse por saltar normalmente.

Esta não é a primeira vez que Bono defende uma penalidade com esse método, já que havia se utilizado da técnica na última Copa Africana de Nações. Fato é que estudo, físico e técnica evoluíram proporcionalmente à ponto de dificultar ainda mais os cobradores, como o Mundial vem evidenciando.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaRedator de esportes

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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