Copa do Mundo 2026

Por que combinação entre Kane e Bellingham pode ser decisiva para Inglaterra eliminar Argentina

Centroavante e meia-atacante são artilheiros do English Team na Copa do Mundo graças à divisão do protagonismo

Campeã em 1966, a Inglaterra igualou suas campanhas de 1990 e 2018 ao alcançar às semifinais da Copa do Mundo em 2026. Para eliminar a atual detentora do título, a equipe de Thomas Tuchel sabe que pode contar com Harry Kane e Jude Bellingham, que estão fazendo a diferença no torneio e prometem ser decisivos contra a Argentina.

O centroavante e o camisa 10 são os artilheiros da seleção inglesa no Mundial com seis gols cada. Com exceção de Kane e Bellingham, apenas Marcus Rashford balançou as redes a favor dos ingleses até aqui. E a estatística não é por acaso, já que o entrosamento da dupla tem feito a diferença no último terço.

Sem levar em consideração o empate sem gols com Gana, ainda pelo Grupo L da competição, o camisa 9 e o meia-atacante têm dividido o protagonismo não por mera coincidência, mas graças à percepção do treinador alemão em explorar o setor mais vulnerável de uma defesa nesta Copa: os corredores internos, entre o lateral e o zagueiro.

Harry Kane e Jude Bellingham são especialistas nessa infiltração, que pode ser crucial diante da Albiceleste.

A parceria de Kane e Bellingham que resultam em gols

Bellingham e Kane celebram vitória da seleção inglesa na Copa - (Foto: Alamy/Icon Sport)
Bellingham e Kane celebram vitória da seleção inglesa na Copa do Mundo (Foto: Alamy/Icon Sport)

Apesar da expansão para 48 participantes, se teve uma coisa que o torneio tem mostrado até aqui é como as seleções com menor qualidade técnica têm conseguido igualar a competitividade devido à organização tática. Da Espanha a Cabo Verde, é muito difícil encontrar os espaços.

Como a bola é o instrumento mais importante do jogo, os atletas que conseguem aproximá-la da meta ou participar de toques verticais que possibilitam o chute são vistos como influenciadores no sistema ofensivo. Contudo, quem não tem a posse pode ser igualmente importante, por mais que passe despercebido pelo grande público.

As movimentações e trocas de posição que criam buracos na retranca adversária são fundamentais para permitir o avanço dos companheiros rumo à grande área. E nesses aspectos, o craque do Bayern de Munique e o astro do Real Madrid formam uma parceria quase que indefensável nos ataques aos corredores internos.

No vídeo abaixo, percebem como Bellingham ataca o corredor interno, atrai um zagueiro da República Democrática do Congo, o que diminui a marcação em Harry Kane, que fica com a sobra e manda uma bola indefensável.

Desde que foi para a Bundesliga, Kane tem mostrado primor técnico para descolar da dupla de zaga e apoiar o jogo no meio-campo, nas pontas ou até mesmo na defesa. Enquanto ele realiza esse movimento de desmarque nos Três Leões, lá está Bellingham para pisar na grande área e sobrecarregar o rival.

Seja uma linha de três, quatro ou cinco defensores, o setor mais desprotegido em bloco baixo são os corredores internos. O motivo por trás disso é que o lateral está preocupado em marcar o ponta, enquanto o zagueiro precisa acompanhar o centroavante.

Portanto, quando os atacantes se movimentam de fora para dentro, ou do centro para o flanco, alguém pode aparecer vindo de trás para avançar nesse espaço criado. A Inglaterra tem feito isso com frequência e, por ter um atacante e um meia com muita imposição física e capacidade técnica, acabam finalizando com muita precisão.

— Muita gente subestima o valor da movimentação do jogador, já que nem sempre ela acontece, mas um jogador com a capacidade de Bellingham de atacar o espaço é fundamental para gerar oportunidades para seus companheiros de equipe, mesmo sem passar a bola diretamente para eles — disse Jon Dahl Tomasson, membro do grupo de estudos técnicos da entidade máxima do futebol.

No vídeo abaixo, Harry Kane vai até à linha do meio-campo acompanhado do volante da Noruega, que tenta desarmar Elliot Anderson, sem sucesso. O lateral-direito não se decide entre atacar a bola e perseguir Anthony Gordon, que recebe em profundidade e obriga o zagueiro a segui-lo. Com a primeira linha desarrumada, Jude Bellingham recebe na meia-lua, infiltra o corredor interno e chuta na costura da rede.

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Argentina pode sofrer nos corredores internos

A Inglaterra tem se destacado nas transições rápidas em campo aberto, uma tendência desta edição do torneio. Por outro lado, a seleção argentina é mais “raiz”, com um meio-campo repleto de bons passadores, que gostam de manter a posse e punir o adversário com triangulações ou o brilho da jogada individual de Lionel Messi.

Para além do trabalho defensivo que Tuchel terá para impedir o sucesso de Lionel Scaloni, uma questão não pode ser excluída da balança na análise desse confronto de semifinal: o desgaste físico. Com uma geração envelhecida e duas prorrogações recentes, a Albiceleste vai ter fôlego para correr para trás quando perder a bola e proteger seus corredores internos dos avanços de Harry Kane e Jude Bellingham?

A resposta virá nesta quarta-feira (15), às 16h (horário de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos. Contudo, pelo que foi apresentado até aqui, a Argentina tem tido dificuldades em manter a alta intensidade após abrir o placar, cuja diminuição no ritmo de jogo pode convidar a seleção inglesa ao ataque. No mata-mata, os Três Leões já provaram que esse cenário é o seu predileto, com o camisa 9 e/ou camisa 10 balançando as redes.

Rodrigo De Paul em ação pela seleção argentina
Rodrigo De Paul em ação pela seleção argentina (Foto: Matteo Gribaudi/Gribaudi ImagePhoto/Imago)
Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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