Copa do Mundo 2026

Tim Vickery: ‘A superação da Inglaterra, para mim, é maior do que a superação da Argentina’

Gigantes do futebol mundial protagonizam novo encontro histórico em Copas do Mundo na próxima quarta-feira (15)

Às vésperas de um dos confrontos mais aguardados da Copa do Mundo, Inglaterra e Argentina chegam à semifinal embaladas por campanhas marcadas por momentos de tensão, viradas e classificações dramáticas. Para Tim Vickery, no entanto, existe uma diferença importante entre as trajetórias das duas seleções.

Durante o programa “Copa em Contexto”, da Trivela, exibido neste domingo (12) no YouTube, o jornalista britânico afirmou que a caminhada inglesa até aqui representa uma superação ainda maior do que a dos atuais campeões mundiais.

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— A superação da Inglaterra, para mim, é maior do que a superação da Argentina. No sentido que, o grande jogo foi contra o México, lidando com altitude. A Inglaterra conseguiu superar o México com a bola, e depois, mais que meia hora com 10 jogadores em campo, superando com o coração. Então, mostrou os dois lados. A partir daquele momento, acho que a seleção inglesa engrenou.

No sábado (11), a Inglaterra derrotou a Noruega por 2 a 1, na prorrogação, em Miami, enquanto a Argentina também precisou do tempo extra para vencer a Suíça por 3 a 1, em Kansas City. Agora, as duas potências voltam a dividir o mesmo palco em uma semifinal que carrega não somente o peso esportivo, mas também décadas de rivalidade e capítulos inesquecíveis da história do futebol.

Inglaterra enfrentou obstáculos mais pesados no mata-mata?

A análise de Tim Vickery parte do contexto de cada campanha. Embora tanto Inglaterra quanto Argentina tenham precisado conviver com partidas extremamente equilibradas e momentos de sofrimento, o jornalista entende que os ingleses encararam desafios mais complexos ao longo do mata-mata.

A classificação sobre a República Democrática do Congo, logo na fase de 16 avos de final, já serviu como um primeiro teste de caráter. A Inglaterra saiu atrás no placar e viu a eliminação se aproximar até Harry Kane assumir o protagonismo nos minutos finais e marcar duas vezes para virar a partida por 2 a 1.

O verdadeiro divisor de águas, porém, aconteceu na fase seguinte. Diante de um Estádio Azteca completamente tomado por torcedores mexicanos, em meio à altitude da Cidade do México e a um ambiente considerado um dos mais hostis do torneio, os Três Leões conquistaram uma vitória que entrou para a galeria das mais marcantes desta Copa.

O triunfo por 3 a 2 veio mesmo depois de a equipe atuar por mais de meia hora com um jogador a menos, combinando controle técnico durante boa parte do confronto e enorme resistência emocional nos momentos decisivos.

Foi justamente essa partida que Vickery apontou como símbolo da evolução inglesa. Na visão do comentarista, a equipe mostrou que conseguia vencer tanto pela qualidade com a bola quanto pela capacidade de suportar pressão quando as circunstâncias deixavam de ser favoráveis.

Nas quartas de final, o roteiro voltou a exigir reação. A Noruega, embalada pela geração liderada por Erling Haaland e Martin Odegaard — responsável por eliminar o Brasil nas oitavas — saiu na frente, mas a Inglaterra encontrou forças para buscar mais uma virada, desta vez consolidada na prorrogação, garantindo presença na semifinal.

Jude Bellingham celebra gol pela Inglaterra diante da Noruega
Jude Bellingham celebra gol pela Inglaterra diante da Noruega (Foto: Harry Langer / DeFodi Images / IMAGO)

E a Argentina de Lionel Messi?

A Argentina também percorreu um caminho longe da tranquilidade. Contra Cabo Verde, estreante em Copas e uma das sensações da competição após empates históricos contra Espanha e Uruguai na fase de grupos, os argentinos precisaram disputar a prorrogação para confirmar uma vitória por 3 a 2. Depois de abrir vantagem, viram os cabo-verdianos reagirem no tempo extra, e somente um gol contra no segundo tempo da prorrogação definiu a classificação.

Nas oitavas, outro susto. O Egito abriu 2 a 0 e colocou os campeões mundiais contra as cordas, mas a equipe de Lionel Scaloni reagiu, virou o jogo e garantiu a vaga com um gol nos acréscimos.

Já diante da Suíça, nas quartas de final, a Argentina voltou a sofrer o empate após sair na frente. A expulsão do suíço Embolo ainda no tempo regulamentar, entretanto, mudou completamente o cenário. Com superioridade numérica durante toda a prorrogação, a Albiceleste encontrou mais espaços, marcou duas vezes e fechou a vitória por 3 a 1.

Jogadores argentinos celebram classificação para semifinal da Copa do Mundo
Jogadores argentinos celebram classificação para semifinal da Copa do Mundo (Foto: Grzegorz Wajda / Ball Raw Images / IMAGO)

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Inglaterra x Argentina: um clássico que ultrapassa o futebol

A semifinal desta edição da Copa do Mundo acrescentará mais um capítulo a uma das rivalidades mais carregadas de significado do futebol internacional. Cada encontro entre Inglaterra e Argentina inevitavelmente resgata memórias que vão muito além das quatro linhas.

O contexto político da Guerra das Malvinas, em 1982, transformou o duelo esportivo em algo ainda mais simbólico poucos anos depois. Nas quartas de final da Copa de 1986, no México, as equipes protagonizaram talvez o confronto mais famoso da história dos Mundiais.

Na vitória argentina por 2 a 1, Diego Maradona marcou os dois gols mais emblemáticos de sua carreira: primeiro, o controverso lance conhecido como “La Mano de Dios”; depois, uma arrancada histórica desde o campo de defesa, eternizada como o “Gol do Século”.

Em 1998, na França, o equilíbrio voltou a marcar o encontro. Após empate por 2 a 2, a Argentina levou a melhor nos pênaltis (4 a 3) e eliminou os ingleses na fase de oitavas de final. Já em 2002, foi a vez da Inglaterra devolver o golpe, vencendo por 1 a 0 na fase de grupos com um gol de pênalti de David Beckham.

Agora, quase um quarto de século depois daquele último duelo em Copas, ingleses e argentinos voltam a medir forças em um cenário de enorme pressão. De um lado, uma seleção que, segundo Tim Vickery, encontrou sua identidade ao sobreviver ao caos e aos desafios extremos impostos pelo caminho até a semifinal. Do outro, a atual campeã mundial, acostumada a responder sob pressão e novamente viva na luta pelo bicampeonato consecutivo.

Inglaterra x Argentina – semifinal da Copa do Mundo – quarta-feira, 15 de julho, às 16h (de Brasília)

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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