Brasil

Camisas 9 da Seleção passam 2023 em branco, mas Endrick surge como esperança de gols

Seleção usa nove centroavantes em 2023 e nenhum deles consegue marcar um golzinho sequer

Pior posição no ranking da Fifa desde 2016, pior campanha na história das Eliminatórias, inéditas três derrotas seguidas… A Seleção colecionou tantas marcas e recordes negativos em 2023, que a má fase se espalha por todos os setores do campo. Se a defesa encerra o ano com a sua maior média de gols sofridos em quase seis décadas (!!!), o Brasil também passou uma temporada em que nenhum dos camisas 9 utilizados conseguiu marcar um mísero gol sequer.

Todos os nove centroavantes que entraram em campo com a amarelinha em 2023 saíram sem balançar as redes. A temporada encerra de forma melancólica em muitos sentidos. Mas ao menos, há uma esperança chamada Endrick. O garoto de 17 anos fez sua estreia pela Seleção pelas mãos de Fernando Diniz.

Endrick é a única boa notícia de 2023

O adolescente que mudou os rumos do Palmeiras bicampeão brasileiro é a única boa notícia possível do ataque do Brasil neste ano. Muito mais pelo que ele fez em seu clube na reta final do Brasileirão do que com a amarelinha, claro. Pela Seleção, Endrick entrou apenas no segundo tempo das derrotas para Colômbia e Argentina.

— Não estava esperando a convocação, mas Deus faz as coisas no meu caminho. Sou um menino muito precoce. Achava que ia acontecer um pouco mais para frente. O Diniz é um excelente treinador, tenho essa felicidade de treinar com ele. Ele falou para eu ir para frente, atacar, se perder a bola não tinha problema. Depois que ele falou aquilo, fiquei mais leve, mais tranquilo. Espero que ele possa dar muito orgulho para a nossa Seleção — contou o garoto, sobre a primeira convocação.

Endrick atuou em apenas 26 minutos nos dois jogos. Era de se esperar, portanto, que ele aos 17 anos entrasse muito mais como coajduvante do que como jogador capaz de mudar os rumos das partidas. Mas esse é um plano colocado em prática por Diniz de olho no futuro a longo prazo.

– No caso do Endrick, especificamente, é um jogador que tem potencial para ser um daqueles grandes talentos. A gente não sabe se vai se confirmar ou não. A convocação não é pressão, é um prêmio, e também uma visão de futuro do que ele pode ser. Um menino nascido em 2006 conseguir produzir o que ele produz há muito tempo me chama muito a atenção, e nesse momento específico da convocação ele vive seu melhor momento jogando contra as grandes equipes aqui do Brasil e conseguindo se sobressair – disse Diniz, ao convocar Endrick pela primeira vez.

Foto: (Icon Sport) - Endrick está nos planos futuros do Real Madrid
Foto: (Icon Sport) – Endrick está nos planos futuros do Real Madrid

Nove camisas 9 e nenhum gol marcado em 2023

Por todo o seu potencial, Endrick deve ser tratado como esperança para estancar a seca de gols dos atacantes do Brasil em 2024. Mas veja bem: esperança não é sinônimo de responsabilidade. Não pode o peso de um jejum que durou toda uma temporada recair sobre um adolescente de 17 anos. Especialmente quando outros oito centroavantes também estiveram em campo e não conseguiram marcar uma mísera vez sequer.

Aliás, é até emblemático que exatos nove camisas nove tenham entrado em campo pela Seleção em 2023, e nenhum deles tenha conseguido balançar as redes. A maioria deles atuou apenas por alguns minutos. Rony, Pedro, Vitor Roque e Yuri Alberto marcaram presença nos amistosos do início do ano – só o primeiro deles atuou mais de 90 minutos.

Endrick, Matheus Cunha e João Pedro foram apenas opções de Fernando Diniz ao longo dos jogos nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 e também não chegaram a completar 90 minutos. O maior peso da seca de gols recai sobre Richarlison (especialmente) e Gabriel Jesus.

Gabriel Jesus também não conseguiu corresponder pela Seleção (Foto: Joilson Marconne / CBF)

A seca dos centroavantes da Seleção em 2023

  • Richarlison – 6 jogos, 382 minutos
  • Gabriel Jesus – 5 jogos, 239 minutos
  • Rony – 3 jogos, 99 minutos
  • Matheus Cunha – 3 jogos, 37 minutos
  • Pedro – 2 jogos, 40 minutos
  • Endrick – 2 jogos, 26 minutos
  • João Pedro – 1 jogo, 63 minutos
  • Vitor Roque – 1 jogo, 25 minutos
  • Yuri Alberto – 1 jogo, 5 minutos

Richarlison e Jesus ficam devendo

Autor do último gol da Seleção marcado por um centroavante – foi contra a Coreia do Sul, na Copa do Mundo de 2022 –, Richarlison é também o emblema da seca dos atletas da posição. O Pombo começou o ciclo para o próximo Mundial como camisa 9 titular, mas acabou perdendo não apenas a titularidade, como também espaço na lista de convocados. Foi assim na última convocação, em que ele próprio admitiu que não se convocaria.

– A Seleção faz parte de mim. Acho que sempre foi um sonho, de vestir a camisa. Claro que fiquei triste ali na hora de não estar, mas entendo o Diniz. Se eu fosse ele, também não me convocava. Não venho apresentando um bom futebol, venho devendo. Claro que dei uma melhorada nos últimos jogos, mas mesmo assim falta muito para vestir a camisa da Seleção – disse o camisa 9.

Em 2023, Richarlison sofreu com a falta de gols e também com alguns problemas de lesões e pessoais. O atacante convivia com dores no púbis desde a Copa de 2022 e teve passar por cirurgia recente pelo Tottenham. Fora de campo, o atacante ainda revelou que sofria com alguns problemas psicológicos e que procuraria tratamento com psicoterapia. Foi após passar em branco na primeira Data Fifa com Diniz, quando chegou até a ir às lágrimas após ser substituído. O atacante agora parece dar a volta por cima pelos Spurs.

Gabriel Jesus, por sua vez, seria o titular de Diniz desde o início, se não tivesse sido atrapalhado por algumas lesões pelo Arsenal. Mas a verdade é que o atacante não conseguiu engrenar nem mesmo quando assumiu a titularidade. Ele iniciou os clássicos contra Uruguai e Argentina, mas não balançou as redes, nem chegou perto disso nas duas partidas.

Quando a Seleção volta a jogar?

A Seleção só volta a jogar em março do ano que vem. No dia 23, o Brasil enfrenta a Inglaterra em um amistoso em Wembley, em Londres. Está previsto ainda outro duelo com a Espanha, no Santiago Bernabéu. Mas até agora, esta partida não foi oficializada pela CBF. Estes serão os últimos dois compromissos sob o comando do técnico Fernando Diniz e antes da disputa da Copa América, em junho, (supostamente) já com Carlo Ancelotti.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
Botão Voltar ao topo