Brasil

Há um ano, Dunga era demitido. A um ano da Copa, Tite colocou Brasil entre os favoritos

“O futebol continua ruim, não há ideia de jogo. Não há evolução. Os resultados em amistosos mascararam e até deram a falsa impressão que o time poderia ser competitivo. Nos jogos para valer, nunca foi. Não foi eliminado por um lance fortuito, por um erro de arbitragem. Foi eliminado por ter jogado pouco futebol. Não conseguir ser melhor nem que Equador, nem que Peru, que têm, ambos, times muito piores que o Brasil”.

O trecho a seguir é do texto “Dunga não pode mais ser técnico da seleção brasileira”, escrito por Bruno Bonsanti nas primeiras horas do dia 13 de junho, logo depois da derrota por 1 a 0 para o Peru, na noite do dia 12, que eliminou o Brasil da Copa América Centenário. Em 14 de junho, exatamente há um ano, a CBF anunciou a demissão do treinador. Na época, a CBF já tinha a ideia clara de levar Tite ao comando da equipe. Curiosamente, este dia 14 de junho também é o dia que marca um ano para o início da Copa do Mundo 2018. Aquela que a Seleção não sabia nem se chegaria, mas que agora está no grupo dos favoritos.

No dia seguinte, 15 de junho, o anúncio que todo mundo já sabia foi feito: Tite como técnico da Seleção. Aqui na Trivela, escrevi que Tite na seleção brasileira é a escolha certa com dois anos de atraso:

“A escolha de Tite para ser o técnico da seleção brasileira não surpreende absolutamente ninguém. É o melhor técnico em atividade no Brasil e parece ter capacidade para montar times de diferentes maneiras. Tudo isso já era verdade em 2014, quando Dunga foi escolhido. O presidente de então, José Maria Marin, preferiu o capitão do tetra, que tinha uma passagem contestável pela Seleção entre 2006 e 2010. A escolha de Tite chega com atraso, mas também com justiça. A questão é: que condições Tite terá para trabalhar na Seleção?”

Um ano depois, sabemos que o trabalho de toda comissão técnica comandada por Tite é ótimo. O técnico não mudou muitos nomes, mas o jeito de jogar, esse sim, mudou completamente. O time passou a ser muito mais organizado em campo, principal característica do técnico; passou a explorar mais o potencial de diversos jogadores – notadamente Philippe Coutinho, que se tornou titular; deixou o time mais seguro defensivamente; passou a ser uma equipe que se impõe aos adversários.

É verdade que o Brasil encontrou um camisa 9 confiável, Gabriel Jesus, que cresceu muito justamente neste ano de comando de Tite. Há outros jogadores interessantes que ainda nem tiveram chances, como Luan, do Grêmio. Tite deixou para tentar recuperar Thiago Silva, tecnicamente um dos melhores zagueiros do mundo e muito questionado ainda no Brasil pela Copa 2014, apenas nestes primeiros jogos amistosos que teve pela frente.

Desde que Tite assumiu, foram 11 jogos e 10 vitórias. A única derrota aconteceu justamente nesta última data Fifa, contra a Argentina, em um jogo que a Seleção atuou sem alguns dos seus principais jogadores – sete, para ser específico, em relação ao grupo que vinha sendo escalado. E, mesmo assim, foi uma partida em que o time teve um bom desempenho e conseguiu criar chances.

A Seleção está em grande fase, mas o caminho parecia muito mais difícil. A estreia de Tite foi em 1º de setembro, em um compromisso fora de casa contra o Equador nas Eliminatórias. Jogar em Quito não vinha sendo moleza para o Brasil nos anos anteriores e a equipe acabou se saindo muito bem. Como escrevemos por aqui, entre tudo que funcionou, estreia de Tite teve Gabriel Jesus como maior destaque. Foi um início contundente, com o garoto roubando a cena, e as coisas só melhoraram a partir de então.

7 de setembro

Na segunda partida com o treinador, o Brasil se impôs diante de um dos mais difíceis adversários destas Eliminatórias, a atual segunda colocada Colômbia. Por aqui, escrevemos: Brasil engrena como time que domina e que, agora, não sucumbe às dificuldades. Entre os méritos de Tite, trazer de volta Marcelo e ajudar a torná-lo chave.

6 e 11 de outubro

O adversário seguinte era um dos mais fracos das Eliminatórias. Ainda assim, a Seleção jogou um futebol vistoso contra a Bolívia, para dar esperanças até aos desiludidos. Aliás, a sequência era mesmo de dois países fracos, pegando a Venezuela. O Brasil jogou para o gasto, mas o suficiente para assumir o topo das Eliminatórias.

10 e 15 de novembro

Um teste duro para a Seleção de Tite: a Argentina. E o time foi impecável. Um, dois, três: Brasil passa por cima da Argentina e consolida ainda mais sua ascensão. Sim, isso mesmo: foi um 3 a 0 incontestável em Belo Horizonte, palco do fatídico 7 a 1. Alguns viram como o renascimento de uma seleção que é das mais pesadas no mundo justamente no estádio em que o Brasil desmoronou na Copa, dois anos antes. Alguns dias depois, mais uma vitória contundente. Contra o Peru, Brasil mostrou sua maior qualidade para vencer: jogo coletivo.

25 de janeiro

O amistoso festivo contra a Colômbia, só com jogadores que atuam no Brasil, também acabou com vitória brasileira, gol de Dudu.

23 e 28 de março

Um jogaço no primeiro duelo pelas Eliminatórias em 2017: Uruguai, em Montevidéu, com os uruguaios com campanha perfeita em casa. O Brasil teve uma atuação incrível incrível e venceu, de virada, por 4 a 1, ficando a um passo da Copa. Paulinho foi o craque da partida, chutando as críticas que recebeu para longe. Em seguida, veio o Paraguai. Contra o ferrolho paraguaio, Brasil teve que mostrar repertório. E mostrou. A classificação para a Rússia foi garantida. Mostramos seis números que enfatizam a campanha arrasadora nas Eliminatórias.

6 de abril

O Brasil voltou a ocupar o primeiro lugar do ranking da Fifa. Algo importante, porque é daí que saem os cabeças de chave da Copa.

9 e 13 de junho

Veio o amistoso contra a Argentina e a primeira derrota com Tite no comando. Por fim, o Brasil goleou a Austrália com destaque para Diego Souza.

Há um ano, o Brasil era um arremedo de time, mal comandado, mal treinado, com jogadores rendendo pouco e algumas dúvidas sobre a classificação para a Copa. Um ano depois, está entre os favoritos, segundo as casas de apostas, próximo da Alemanha, atual campeã. Tudo pode mudar muito rápido. Em um ano estaremos enlouquecidos com a Copa do Mundo 2018. Há muito tempo até lá. Neste momento, de qualquer forma, o Brasil é líder do ranking e tem tudo para chegar como uma das melhores equipes à Copa.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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