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Tite na seleção brasileira é a escolha certa com dois anos de atraso

A escolha de Tite para ser o técnico da seleção brasileira não surpreende absolutamente ninguém. É o melhor técnico em atividade no Brasil e parece ter capacidade para montar times de diferentes maneiras. Tudo isso já era verdade em 2014, quando Dunga foi escolhido. O presidente de então, José Maria Marin, preferiu o capitão do tetra, que tinha uma passagem contestável pela Seleção entre 2006 e 2010. A escolha de Tite chega com atraso, mas também com justiça. A questão é: que condições Tite terá para trabalhar na Seleção?

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Com a escolha do melhor técnico brasileiro atualmente, o que se espera é que o Brasil finalmente comece a ser um time, mais do que só um selecionado de jogadores. Seu trabalho no Corinthians teve diversos momentos com dificuldades, mudanças de elenco e o treinador soube se adaptar. No momento de maior baixa, em 2013, deixou o clube para voltar um ano depois, depois que Mano Menezes não conseguiu corresponder às expectativas.

Se no Corinthians Tite precisou se adaptar às necessidades, de acordo com o poder de investimento do clube – que é muito bom para o padrão brasileiro, é bom ressaltar -, na Seleção Tite terá à disposição uma enorme variedade de jogadores de qualidade, nas mais diversas posições. O técnico já se mostrou capaz de criar times que sejam envolventes e seguros, como foi o Corinthians de 2015, campeão brasileiro.

Vale lembrar que Tite conseguiu fazer com que jogadores como Fagner e Fábio Santos (depois Uendel), que sempre se caracterizaram por serem melhores atacando do que defendendo, fizessem parte de linhas defensivas muito seguras. Diversos jogadores cresceram sob o seu comando. Com a qualidade que o Brasil tem em tantas posições, desde a escolha de goleiros e defensores até os meio-campistas e atacantes, o que se espera é um time protagonista. Como foram os times que Tite armou nos últimos anos no Corinthians.

Quem acompanha a Seleção está cansado de ver o Brasil ser apenas um time com bons jogadores, sem personalidade, sem um jeito de jogar, sem saber se impor contra Equador, Peru ou tantos outros times que notadamente têm menos qualidade. O Corinthians de Tite teve muitos defeitos, teve momentos com muita dificuldade em marcar gols, mas soube se equilibrar e terminar com o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato.

A pergunta agora passa a ser quais as perspectivas da seleção brasileira com o técnico. Porque embora seja o melhor do país atualmente, a estrutura que ele trabalharia é a da CBF. A velha CBF. Dos dirigentes presos. Do presidente indiciado pelo FBI e que pode estar com os dias contados no cargo. Que não viaja para o exterior porque se não será preso. Dos dirigentes que mantém um calendário terrível do futebol brasileiro, encavalando jogos da Seleção com clubes. Que mantém a arcaica estrutura com as federações estaduais.

Entre as muitas perguntas está a necessidade de cumprir acordos nefastos como os revelados por Jamil Chade no Estadão, que obrigam a Seleção a ter jogadores de peso. Ou seja: se sai Neymar, tem que entrar alguém com mesmo porte. Não pode ser uma revelação que está brilhando.

Tem ainda a questão dos amistosos vendidos para os mais diversos lugares do mundo por uma empresa, o que prejudica o time, muitas vezes, por ter que jogar amistosos não tão relevantes ou, se relevantes tecnicamente, em locais que não fazem sentido. Tite terá que cumprir esses acordos? Terá qual liberdade para trabalhar? Como funcionará o seu trabalho dentro da entidade? São questões que ficam no ar.

A escolha de Tite para o comando técnico da Seleção é a melhor possível neste momento. O que não é garantia alguma que tudo vá correr bem. Também não resolverá os problemas do futebol brasileiro, apenas deve fazer a Seleção ser mais do que um catadão e ter um time competitivo de novo. E isso já é alguma coisa.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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