América do SulBrasil

Um, dois, três: Brasil passa por cima da Argentina e consolida ainda mais sua ascensão

Vencer é algo que a seleção repetiu com Tite nos quatro jogos anteriores. Desta vez, contra a Argentina, era um teste grande. É a Argentina de Lionel Messi, no Mineirão, o palco do 7 a 1. O que se viu em campo foi um massacre. O Brasil venceu por 3 a 0, mas poderia ter sido cinco ou seis tranquilamente. Mais do que o placar, o que se viu em campo foi o time jogar muito melhor com o adversário e dar pouco espaço para qualquer um dos grandes jogadores argentinos. Messi quase não viu a bola. E o torcedor viu olé.

LEIA TAMBÉM: O show de Rivaldo: Os dois amistosos inesquecíveis que Brasil e Argentina fizeram em 99

Um olé que foi construído aos poucos. Não foi um massacre desde o começo, nem foi um jogo fácil. Ao menos não o tempo todo. E começou antes da bola rolar, na arquibancada. Foi um grande momento: Daniel Alves, usando a camisa 4 que um dia vestiu Carlos Alberto Torres, foi quem fez a homenagem ao lateral e eterno capitão brasileiro. A torcida gritou “CAPITA, CAPITA, CAPITA”. Um gesto bonito. Mas foi só a primeira festa no Mineirão.

O jogo até começou equilibrado, com a Argentina disputando a posse de bola, mas mantendo uma postura bastante equilibrada em campo. O Brasil soube se defender. Nos primeiros minutos, o time de Patón Bauza tentou ficar com a bola, conseguiu, mas não conseguia atacar. Messi não tinha espaço. Nenhum argentino tinha. E, ainda assim, o primeiro lance de perigo foi dos visitantes.

Aos 21 minutos, um chute perigosíssimo de Biglia de fora da área que Alisson desviou e a bola pegou na trave. Este lance acabou sendo o mais perigoso da Argentina no primeiro tempo. Mas não o do Brasil. A Seleção tinha mais a oferecer. Bem mais. Só demorou quatro minutos depois desse susto para o Brasil abrir o placar. Coutinho recebeu no lado esquerdo, puxou para o pé direito, como tantas vezes faz pelo Liverpool, e acertou o ângulo. Golaço.

O jogo era muito faltoso. Fernandinho, que tinha tomado cartão amarelo logo no começo do jogo, passou a partida inteira pendurado. E conseguiu. Paulinho, ainda no primeiro tempo, ficou mais plantado para dar mais combate. E, no final do primeiro tempo, ainda veio mais um gol. Um lindo pivô de Gabriel Jesus que passou para Neymar, frente a frente com o goleiro. Aí, não tem perdão: 2 a 0, aos 46 minutos.

O jogo foi para o intervalo e Patón Bauza mexeu no time. Tirou Enzo Pérez, que fazia o lado direito do campo, e colocou Sergio Agüero. Abriu mão de um meio-campista para tentar ser mais agressivo. E aí, o Brasil aproveitou muito o espaço deixado a deitou e rolou.

Logo nos primeiros minutos, Neymar partiu em velocidade, tocou para Gabriel Jesus, que errou a finalização. O espaço foi dado. E Paulinho, então, cresceu. Mas ele parecia estar com urucubaca. Teve uma grande chance aos nove minutos. Depois de um bate rebate dentro da área, viu a bola sobrar limpa. O volante brasileiro driblou o goleiro Romero, mas tocou muito fraco e o lateral Zabaleta teve tempo de recuperar e tirar a bola em cima da linha.

Antes que alguém tivesse tempo de reclamar de Paulinho, ele teve uma nova chance, cinco minutos depois. Foi um ataque que teve Renato Augusto pela direita cruzando a bola para Paulinho pegar de primeira e marcar 3 a 0. Com 15 minutos do segundo tempo, o Brasil dominou completamente as ações.

A Argentina estava na lona. O Brasil dominava a bola e dava espetáculo, como a bola por entre as pernas de Biglia, feita pelo Neymar. No primeiro tempo, aliás, ele já tinha dado um belíssimo chapéu. O Brasil teve inúmeras chances de aumentar o placar, com contra-ataques e com ataques mesmo, tocando a bola, chegando com facilidade demais ao ataque. E ao contrário que Bauza poderia esperar, a Argentina não conseguia atacar.

Paulinho, aproveitando o espaço do meio-campo, aproveitou. Ele, Renato Augusto, Coutinho, Neymar: todos foram muito bem em campo. Não precisaram ser geniais, mas foram extremamente eficientes. E mais do que isso, jogaram bem. Não foi um show de futebol, mas foi um time muito bem armado, que soube aproveitar tudo que a Argentina mostrou de fraqueza. Messi quase não se viu em campo, especialmente no segundo tempo. Pouco pegou na bola.

O que se viu na Seleção foi ainda um banco estelar. Entrou em campo Roberto Firmino no lugar de Gabriel Jesus, Douglas Costa no lugar de Coutinho e Thiago Silva no lugar de Miranda. Vejam só: três jogadores que poderiam tranquilamente ser titulares.

Se com Dunga o Brasil era um time que sofria demais para conseguir jogar, com Tite a Seleção mostra que pode ser um time muito mais forte com exatamente (ou quase isso) os mesmos jogadores. Paulinho é uma das poucas apostas bastante pessoas de Tite que, depois do jogo que fez contra os rivais argentinos, se consolida no grupo e mostra que tem futebol – e que talvez ele tinha vivido na Inglaterra o mesmo problema que a seleção tinha antes, não ser bem aproveitado.

No último jogo contra a Argentina no Mineirão, em 2008, pelas Eliminatórias para a Copa de 2010, o Brasil ficou em um 0 a 0. Era o Brasil de Dunga. Messi foi aplaudido na época, naquele que era o seu primeiro ano como craque que venceria como melhor do mundo. Dunga, ao contrário, foi muito vaiado. A torcida cantava “Adeus, Dunga”. Nesta quinta-feira, o que se viu foi a torcida gritando “Olê, olê, olê, olê, Tite, Tite”. Isso diz muito.

O próximo jogo, contra o Peru, será contra um time que venceu por 4 a 1 o Paraguai fora de casa. Mas para quem fez 3 a 0 com um pé nas costas, isso não assusta nada.

E por fim, um resumo do que foi o jogo pela cara de Mascherano:

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo