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Veja como Dorival pode usar o que deu certo no São Paulo para tirar atraso da Seleção

Dorival chega à Seleção com a missão de repetir a fórmula que transformou o São Paulo em um time campeão

Ednaldo Rodrigues voltou à presidência da CBF na última quinta-feira (4) e três dias mais tarde já havia demitido Fernando Diniz e fechado a contratação de Dorival Júnior como novo técnico da seleção brasileira. Em uma amostra de poder, o presidente agiu rápido para resolver aquela que era a grande incógnita do Brasil após a renovação de contrato de Carlo Ancelotti com o Real Madrid. Nem parece o mesmo mandatário que demorou mais de um ano para definir um treinador desde a saída de Tite no pós-Copa de 2022.

E será justamente sob este atraso de mais de 12 meses que Dorival Júnior assume a Seleção a partir desta quarta-feira (10), data marcada pela CBF para a apresentação do treinador. Após uma temporada de interinatos (de Ramon Menezes e Fernando Diniz), o comandante inicia um trabalho que terá pouco mais de dois anos em um ciclo que já era naturalmente mais curto até a próxima Copa do Mundo, em 2026.

E pior. Dorival assume a Seleção após um de seus piores anos na história, com a pior campanha de todos os tempos nas Eliminatórias. Mas para realizar seu “sonho” no comando do Brasil, o treinador pode repetir uma estratégia que deu certo no São Paulo – e uma outra que ele costuma adotar por onde passa.

– É a realização de um sonho pessoal, que só foi possível porque tive o reconhecimento do trabalho desenvolvido no São Paulo. Por isso tenho de agradecer por ter feito parte desse importante período de reconstrução, liderado com competência pela presidência e pela diretoria. Com o investimento na infraestrutura e o planejamento dos últimos anos, o Clube está preparado para receber os mais qualificados profissionais do mercado. Agradeço também à torcida por todo o carinho e apoio – disse o treinador, em nota oficial publicada pelo Tricolor.

Dorival pode usar no Brasil o que deu certo no São Paulo

O nome de Dorival Júnior é citado para assumir a seleção brasileira desde meses antes de ele chegar ao São Paulo, em maio passado. Mais exatamente desde os títulos conquistados pelo Flamengo na temporada anterior. O treinador desembarca no Rio de janeiro como atual bicampeão da Copa do Brasil e com o título da Libertadores pelo Rubro-Negro em 2022 como cartões de visita para começar o trabalho na Seleção.

Mas é justamente por um aspecto de seu trabalho no Tricolor paulista que o treinador pode recolocar rapidamente o Brasil nos trilhos depois de um início terrível nas Eliminatórias. É que Dorival chegou ao São Paulo para mudar os rumos do clube na temporada. O técnico encontrou um vestiário em clima de terra arrasada após a eliminação para o Água Santa no Paulistão e a consequente demissão de Rogério Ceni.

O primeiro ato, ainda no CT da Barra Funda foi dizer a todos aqueles jogadores desacreditados que eles brigariam por título ainda em 2024. E Dorival o fez: transformou um elenco cercado de desconfiança em um elenco campeão.

O processo terá de ser semelhante na Seleção – guardadas as devidas proporções. O treinador chega com a missão de retomar a confiança de jogadores que ainda não conseguiram render como o esperado pelo Brasil. Especialmente depois das três derrotas consecutivas nas Eliminatórias. O técnico terá um trabalho imediato com foco na questão anímica do grupo de jogadores.

Dorival pode repetir na Seleção a estratégia que fez o São Paulo ser campeão da Copa do Brasil (crédito: Iconsports)

E o estilo de jogo?

O o cuidado com o lado humano é um dos pilares do trabalho de Dorival Júnior – como é também de Fernando Diniz. Mas a CBF buscou o treinador também por seu estilo de jogo. Em sua carreira, o treinador se notabilizou por equipes “à brasileira”, de vocação ofensiva e que gostam de ficar com a bola. As trocas de passe são rápidas e diretas para buscar o gol. E isso se viu no São Paulo que encerrou o Brasileirão como o segundo time com mais posse de bola e como time que mais inverteu jogo.

O treinador costuma adaptar seu jogo às características de cada elenco que trabalhou. E na Seleção terá material humano farto para impor seu estilo de acordo com as peças necessárias. Esta flexibilidade será usada para implementar um estilo de jogo ofensivo e direto. No São Paulo, o técnico adotava como esquema tático base o 4-2-3-1 (um dos mais usados em sua carreira), sempre com dois jogadores abertos – que podem ser extremas, ou laterais, a depender da característica. Por exemplo: na esquerda, Caio Paulista jogava como um “ponta”, e Nestor centralizava. Na direita, era Rafinha quem construía por dentro, com Wellington Rato mais rente à lateral.

O São Paulo (e o trabalho) de Dorival se notabiliza também por muita mobilidade. Os jogadores trocam incessantemente de posição para tentar abrir espaço nas defesas adversárias. Algo que também deve ser repetido na seleção brasileira.

A saída de Dorival para assumir a Seleção

O treinador de 61 anos era o principal alvo da entidade máxima do futebol brasileiro desde que Ednaldo Rodrigues reassumiu a presidência da CBF, após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele ouviu os primeiros contatos do mandatário nos últimos dias e já demonstrava interesse em ser o sucessor do interino Fernando Diniz, demitido na semana passada. A negociação não demorou a ser concretizada, já no último domingo. Agora, Dorival será apresentado oficialmente como treinador da Seleção na próxima quarta-feira (10).

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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