Copa do Brasil

A espera acabou! São Paulo amarra o Flamengo e é campeão da Copa do Brasil pela primeira vez na história

São Paulo faz final madura e consciente, diante de um Flamengo valente, mas que ficou nas cordas com resultado do jogo de ida

Quando o apito final soou na tarde deste domingo (24), o que se ouviu das arquibancadas do Morumbi foi um estrondoso grito que estava entalado há 3.938 dias para as 60 mil vozes que ecoaram aos céus da capital paulista. Um grito, que aliás, também foi inédito. Pela primeira vez em sua história o São Paulo é campeão da Copa do Brasil. O título tão aguardado, tão ansiado, tão festejado, veio pelos pés de Rodrigo Nestor. Foi dele o gol de empate em 1 a 1 com o Flamengo, no duelo da volta da grande final. Como havia sido dele a assistência para o gol de Calleri na vitória por 1 a 0 no duelo de ida, uma semana atrás, no Maracanã.

Depois de quase 11 anos, os são-paulinos podem, enfim, gritar orgulhoso. O São Paulo é campeão de uma competição de expressão nacional ou internacional após mais de uma década. O São Paulo é campeão da Copa do Brasil pela primeira vez na história.

São Paulo começa nervoso, mas brilho de Nestor garante título

A multidão de são-paulinos nas arquibancadas carregaram no braço os jogadores na entrada em campo com uma festa que teve de tudo: milhares de bandeiras, mosaico, fumaça, fogos, gritos de guerra em uníssono… A euforia transbordava em direção ao gramado para contagiar a equipe. Mas ela, aos poucos, foi dando lugar à apreensão na medida em que o Flamengo tomava conta do jogo. Também pudera. Uma final digna é feita de doses de sofrimento, e esta torcida sabe bem disso. Os jogadores, aliás, também pareciam saber.

Isso porque o que se viu em foi um time que não foi nem sombra daquela equipe que se impôs em um Maracanã lotado para sair com a vitória. O Rubro-Negro, por sua vez, nada parecia o adversário que foi presa fácil no jogo de ida. Desta vez, o Flamengo entrou com a postura de quem joga, de fato, uma final. Os visitantes tomaram conta do jogo e sufocaram o São Paulo do início ao (quase) fim da primeira etapa. Gerson até parou em Rafael em chute dentro da área aos 18, mas Bruno Henrique, não. O atacante abriu o placar aos 43, em rebote após conclusão de Pulgar. O gol foi duro golpe a um Tricolor que parecia sem forças até a bola encontrar o pé esquerdo potente de Rodrigo Nestor. De primeira. Um golaço para devolver as esperanças ao Morumbi.

Um torcedor próximo às tribunas de imprensa do Morumbi berrava desesperado a todo o instante um sonoro “Sai, zica”. A trilha sonora deste repórter é um retrato do que foi cada minuto do segundo tempo do jogo da volta da final. A exemplo do que aconteceu no Maracanã, o São Paulo recuou para fechar todo e qualquer espaço em seu campo de defesa. Uma estratégia imposta pelo Flamengo, é verdade, mas muito bem “aceita” por uma equipe que contava até os segundos para ouvir o apito final.

E não se pode dizer que não funcionou. O São Paulo sofreu até o fim, como manda o manual dos grandes jogos. Mas se segurou contra um Flamengo que só conseguiu levar perigo em lances de bola aérea. O Tricolor, por sua vez, apostava em bolas longas que pouco surtiam efeito. É a sina de uma torcida. Os são-paulinos que tanto esperaram pelo título da Copa do Brasil, tiveram que esperar um tanto mais, com acréscimos que pareciam intermináveis. Para depois, sim, festejar para sempre.

Naufrágio na ida prova ser demais para a remontada do Flamengo

O Flamengo já começou diferente do jogo de ida antes mesmo da bola rolar. Sampaoli fez o “arroz com feijão” e escalou um meio-campo mais povoado, com opções para fazer a transição. Gerson e Arrascaeta mais próximos de Bruno Henrique e Pedro. Deu muito certo: o Rubro-Negro foi soberano em praticamente todos os 45 minutos e teve boas chances para marcar, especialmente com o Coringa e seu centroavante. O gol era questão de tempo, e ele veio.

No sagrado minuto 43, o Flamengo abriu o placar com Bruno Henrique. Grande trama pela direita, que terminou com finalização de Erick Pulgar na trave, para que um dos jogadores mais decisivos da história do clube pudesse, novamente, ser importante em uma decisão. A equipe de Sampaoli continuou em cima e teve chance para virar o placar da eliminatória, mas a emoção acabou tendo efeito contrário. O momento de catarse trouxe a desatenção, que numa final, pode ser fatal. E foi: Rossi saiu mal, a cobertura foi pior ainda, e Rodrigo Nestor acertou chute de rara felicidade. Balde de água fria nos rubro-negros.

Bruno Henrique vibra com seu gol no Morumbi (Iconsport)

Ao contrário dos primeiros 45 minutos, o Flamengo se mostrou nervoso na segunda etapa. Todos queriam o título, claro, e fariam de tudo para buscá-lo. Gerson e Léo Pereira, por exemplo, tiveram discussão rápida por conta de um passe errado do defensor, que, definitivamente, não jogou bem a decisão. O time, no entanto, se manteve unido até o fim, como visto na parada técnica, em que os jogadores se reuniram em corrente importante.

Ciente de que o tempo estava se esgotando, Sampaoli foi para o tudo ou nada no meio do segundo tempo, ao colocar Luiz Araújo e Gabigol nas vagas de Thiago Maia e Pedro. O extremo até conseguiu construir a grande chance do segundo tempo, em cruzamento dele para Arrascaeta. A bola passou tão perto do gol defendido por Rafael que o estádio inteiro ficou em silêncio. No fim, o resultado do primeiro jogo pesou demais, e o Flamengo terminou com o vice da Copa do Brasil.

O resultado é a cereja — estragada — no péssimo bolo do Flamengo em 2023. Uma temporada que começou errado e, inclusive, viu seu ex-treinador, Dorival Júnior, levantar a taça diante do quinto vice da jornada. Agora, resta o Campeonato Brasileiro para, pelo menos, buscar uma vaga na Libertadores. O próximo desafio é no próximo sábado (30), diante do Bahia, no Maracanã.

São Paulo embolsa R$ 88.7 milhões e garante na Libertadores

Além do título inédito, o São Paulo embolsa um total de R$ 88,7 milhões em premiações da Copa do Brasil – são R$ 70 milhões apenas por ser campeão. O clube também garante a vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2023. O ano a partir de agora servirá apenas para ganhar pontos e encerrar o Brasileirão com mais tranquilidade.

Estatísticas de São Paulo x Flamengo – Copa do Brasil

  • Posse de bola: São Paulo 50% x 50% Flamengo
  • Chutes: São Paulo 7 x 11 Flamengo
  • Chutes a gol: São Paulo 3 x 4 Flamengo
  • Gols: São Paulo – Rodrigo Nestor, aos 49′ do 1ºT ; Flamengo – Bruno Henrique aos 43′ do 1ºT
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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