Copa do Brasil

Análise: Como contestado do Corinthians foi decisivo para explorar fragilidade do Vasco

Alvinegro mostrou desde o início da final tentativa de atacar costas de Puma Rodríguez

O título do Corinthians neste domingo (21) veio com um protagonista absolutamente improvável — e potencializado por Dorival Júnior. Tanto no primeiro gol, de Yuri Alberto, como no de Memphis Depay, que confirmou a taça da Copa do Brasil no Maracanã com a vitória por 2 a 1, teve a participação de um jogador muito contestado pela torcida.

Matheuzinho, em uma final de gala, conseguiu ser a peça que explorou perfeitamente uma lacuna na defesa do Vasco. Terminou o dia com uma assistência, um pré-passe para gol e bloqueou uma finalização como se fosse um gol. A Trivela analisa o papel do lateral-direito de 25 anos.

Matheuzinho era alvo dos ataques do Corinthians desde o início

Como o Alvinegro treinado por Dorival Júnior utiliza um losango no meio-campo e atua sem pontas pelos lados do campo, a obrigação de ocupar os corredores fica para os laterais: Matheus Bidú na esquerda, Matheuzinho do outro lado.

O setor canhoto, porém, foi muito pouco acionado porque o foco estava na direita desde o início. A razão é a dificuldade defensiva de Puma Rodríguez, destro improvisado na esquerda, que sempre que o Vasco tem a bola sobe para ser mais um atacante.

A primeira tentativa ficou evidente aos 11 minutos do primeiro tempo. Gustavo Henrique, próximo ao grande círculo, lançou para ponta direita, o ex-Flamengo ultrapassou Pumita e cruzou para Robert Renan afastar. Três minutos depois, a mesma jogada a partir de falta rápida cobrada pelo mesmo zagueiro e dessa vez Yuri Alberto chutou na rede pelo lado de fora.

Com 17, o roteiro foi igual e o final diferente. Raniele, que se juntava aos zagueiros na saída de bola, lançou perfeito para Matheuzinho na direita, nessa oportunidade bem mais recuado, mas com espaço para lançar Yuri Alberto em profundidade antes de abrir o placar.

Primeira jogada de Matheuzinho em cima de Puma Rodríguez
Primeira jogada de Matheuzinho em cima de Puma Rodríguez (Foto: Reprodução/Getv)
Segunda jogada de Matheuzinho em cima de Puma Rodríguez
Segunda jogada de Matheuzinho em cima de Puma Rodríguez (Foto: Reprodução/Getv)

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Lateral formado pelo Flamengo pune Vasco novamente no 2º tempo

A jogada de lançamento nas costas de Pumita foi repetida na etapa final, com o uruguaio vencendo a primeira vez o duelo ao afastar para escanteio. Matheuzinho, porém, apareceria de forma decisiva de novo, assim como seu maior adversário no jogo.

Após chutão na defesa corintiana, o lateral-direito brasileiro perdeu a disputa com Puma, que decidiu partir para driblar José Martínez. O venezuelano, porém, o desarmou, acionou Breno Bidon para um drible espetacular antes de Matheuzinho receber pela direita e tocar em profundidade para Yuri dar o gol decisivo para Depay.

Dorival Júnior leva outra Copa do Brasil com losango

Tetracampeão da Copa do Brasil (Santos 2010, Flamengo 2022 e São Paulo 2023), o técnico de 63 anos repetiu uma formação que o consagrou três anos atrás no mesmo Maracanã — inclusive, contra o Alvinegro.

O 4-3-1-2 é, por alguns, tratado como um esquema ultrapassado pela pouca ocupação dos espaços nos lados do campo e a possível fragilidade na recomposição pelo mesmo motivo. Dorival Júnior, porém, mostra que ainda há espaço para o esquema no futebol moderno.

O Flamengo de 2022 tinha Thiago Maia, João Gomes, Everton Ribeiro e Arrascaeta. O Corinthians de 2025, menos técnico neste domingo, optou por Raniele como primeiro homem, Maycon à esquerda, Martínez à direita e Bidon como o meia mais próximo da dupla de ataque.

O técnico Dorival Júnior, do Corinthians
O técnico Dorival Júnior, do Corinthians (Foto: Imago)

Mesmo que com poucas chances claras e por algumas vezes com dificuldade para superar a pressão vascaína, o Corinthians foi bem nisso para esfriar o adversário e manter a posse mais longa em algumas oportunidades. É verdade também que a formação ainda é um pequeno legado da era Ramón Díaz, que a utilizava com Rodrigo Garro como camisa 10, exatamente o que Dorival mandou a campo na ida finalizada em 0 a 0.

Após a passagem frustrante pela seleção brasileira, marcada também pelo bastidor conturbado, o treinador dá a volta por cima no mesmo ano e mostra o quão grande é no futebol brasileiro.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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