Corinthians x Vasco: Os pontos fortes e fracos que podem definir a final da Copa do Brasil
Equipes se enfrentam pelo título nacional e em busca de uma vaga à Libertadores na próxima temporada
Corinthians e Vasco se enfrentam a partir desta quarta-feira (16), às 21h30 (de Brasília), pela final da Copa do Brasil. O primeiro duelo, na Neo Química Arena, marca o confronto que pode salvar o ano da dupla em 2025, depois de crises financeiras, administrativas e resultados ruins no Campeonato Brasileiro.
A dupla terminou nas 13ª e 14ª colocações no Campeonato Brasileiro. Desde 2013, quando a Copa do Brasil passou a também ser disputada pelas equipes que participam da Libertadores, a final de 2025 será aquela com a pior média de posição dos finalistas no Brasileirão. Cruzeiro e Fluminense, que foram eliminados na semifinal, terminaram o ano na terceira e quinta colocação, respectivamente.
Esse é um retrato do que Corinthians e Vasco viveram neste ano. Dorival Júnior e Fernando Diniz, que comandarão as equipes à beira do gramado, assumiram os trabalhos ao longo do ano. Diferentemente de outras temporadas, também não puderam “abrir mão” do Brasileirão, justamente por correr risco de um rebaixamento, pelo mau desempenho que tiveram em 2025.
Esta final de Copa do Brasil será a última em que somente o campeão garantirá vaga à Libertadores do ano seguinte. A partir de 2026, a CBF já alterou o regulamento para que os finalistas assegurem a classificação para o torneio continental — o vice ainda precisará disputar a fase preliminar, anterior aos grupos.
O Corinthians conquistou o Campeonato Paulista neste ano, mas busca a conquista da Copa do Brasil depois de dois vices frustrantes (2018 e 2022) para o torcedor alvinegro na competição. O Vasco busca seu primeiro título nacional desde 2011, e para encerrar anos de desilusão, que também foram acompanhados por rebaixamentos à segunda divisão.
A Trivela destaca alguns dos pontos fortes e fraquezas de cada uma das equipes, e que podem definir o último título nacional nesta temporada.
Fraqueza do Corinthians em casa
O Corinthians chega à terceira final de Copa do Brasil desde 2018, em busca ainda do primeiro título nesse período. Em todas essas decisões, um dos pontos negativos para a equipe alvinegra — e que culminou no vice-campeonato — foi a fraqueza como mandante. Tanto contra o Cruzeiro (2018) e Flamengo (2022), não conseguiu fazer valer o mando para vencer na Neo Química Arena.
Isso é algo que Dorival Júnior precisará corrigir, às pressas, para esta quarta-feira. Uma fortaleza nas últimas temporadas, o Corinthians sofreu para vencer na Neo Química Arena em 2025. No Campeonato Brasileiro, teve apenas a 13ª campanha como mandante, tendo somado apenas quatro vitórias em 19 partidas.
Para efeitos de comparação, essa foi a pior campanha da equipe na Neo Química Arena desde 2018, quando venceu apenas duas partidas em casa, tendo somado nove pontos e registrado a quarta pior pontuação como mandante. Na ocasião, esse desempenho fez com que a equipe lutasse contra o rebaixamento durante boa parte da temporada.

Desde 2013, em apenas uma edição (2015) o campeão perdeu a partida de ida da final. Naquele ano, o Santos venceu o Palmeiras por 1 a 0 na Vila Belmiro, mas foi derrotado no Allianz Parque, por 2 a 1, e ficou com o vice-campeonato nos pênaltis.
Outro ponto de atenção de Dorival Júnior para a decisão é o setor ofensivo. Com Yuri Alberto instável desde que se recuperou da cirurgia de uma hérnia inguinal, o Corinthians teve o quinto pior ataque no Campeonato Brasileiro. Foram apenas 42 gols marcados ao longo das 38 rodadas — média ligeiramente superior a um por jogo.
Gui Negão, que substituiu Yuri quando o camisa 9 não esteve à disposição, é uma opção para Dorival ao longo dos 180 minutos contra o Vasco. Mas de resto, o Corinthians tem dificuldades para criar quando Rodrigo Garro, principalmente, não está em campo. O duelo com o Cruzeiro mostra isso, por exemplo. No meio-campo, além do argentino, Raniele também ajudou a movimentar a equipe quando entraram no segundo tempo.
A falta de alternativas do Corinthians no segundo tempo também foi um fator ao longo da temporada. Principalmente pelo transfer ban que entrou em vigor pelo não pagamento ao Santos Laguna, do México, pela contratação de Félix Torres. Apenas Fabrizio Angileri e Vitinho foram contratados neste ano.
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Força defensiva do Corinthians na Copa do Brasil
Na Copa do Brasil, até a partida de volta contra o Cruzeiro, o Corinthians não tinha sofrido gols, nem ficado atrás do marcador. Além disso, venceu todos os duelos contra Novorizontino, Palmeiras e Athletico-PR, além do duelo de ida no Mineirão, pela semifinal.
Essa força defensiva na Copa do Brasil se deve muito ao sucesso que Dorival teve ao encontrar um esquema fixo na defesa: Matheuzinho e Matheus Bidu nas laterais, enquanto André Ramalho e Gustavo Henrique, no centro da defesa, fortalecem a meta defendida por Hugo Souza. O goleiro foi o destaque da classificação, ao defender dois pênaltis — um destes, que poderia eliminar a equipe, dos pés de Gabigol.
O trio GYM, composto por Rodrigo Garro, Yuri Alberto e Memphis Depay, também pouco conseguiu atuar como titular desde que Dorival assumiu o Corinthians, em abril. Com eles entre os 11 iniciais, a equipe somou cinco vitórias e duas derrotas — e um aproveitamento de 71,43%. Principais destaques do ataque, eles sofreram com lesões ao longo do ano e não conseguiram engatar uma longa sequência de partidas em conjunto.
Contra o Cruzeiro, o Corinthians melhorou quando os três estiveram em campo. Partiu de uma bola parada, cobrada por Garro, o gol de Matheus Bidu, que diminuiu a vantagem dos mineiros na partida de volta e levou a decisão da vaga na final para os pênaltis. Com os três em campo, Corinthians e Dorival Júnior ficam fortalecidos contra o Vasco.
Se Garro não tiver condições, Dorival pode repetir o esquema 4-4-2, com Yuri e Memphis como referências no ataque. Apesar do Corinthians não ter feito um bom primeiro tempo contra o Cruzeiro, essa mesma formação foi utilizada na ida, no Mineirão.
A torcida do Corinthians também tem a seu favor a mística de Dorival Júnior, que chega à sua terceira decisão de Copa do Brasil desde 2022. Nas duas anteriores, com Flamengo (2022) e São Paulo (2023), o treinador terminou a temporada com o título nacional. No histórico, também foi campeão e vice com o Santos, em 2010 e 2015, respectivamente.
Vasco: visitante incômodo e com coadjuvantes em alta
Maior revelação do futebol brasileiro em 2025, o garoto Rayan é uma das grandes esperanças da torcida do Vasco para a final. Habilidoso, rápido e goleador, o jovem tem mostrado poder de decisão, marcou gols em clássicos e teve ascensão meteórica graças ao trabalho de Fernando Diniz. Não somente ele, mas outros nomes também auxiliaram os cariocas ao longo deste ano.
Se Rayan é a joia da coroa e Philippe Coutinho ainda precisa ser mais decisivo, o Vasco hoje conta com bons coadjuvantes, cada um se alternando contribuindo com atuações importantes. Seja o português Nuno Moreira, o colombiano Andrés Gómez, o lateral-direito Paulo Henrique — ainda que este tenha sido responsável pelo gol contra no duelo de volta com o Fluminense —, dentre outros.
Andrés chegou, por exemplo, no meio do ano, juntamente com Robert Renan — um desejo de Diniz para fortalecer o setor defensivo. Essas movimentações pontuais na janela de transferências auxiliaram a manter o clube na primeira divisão e a garantir a vaga à final da Copa do Brasil, em busca do primeiro título nacional desde 2011, quando conquistou a mesma competição em decisão com o Coritiba.

O Vasco decidirá o título em casa, mas pode construir o resultado na Neo Química Arena, como mostra o histórico da equipe nesta temporada. O Cruzmaltino foi o sexto time que mais venceu como visitante no Brasileirão, encerrando uma sequência de anos com campanhas sofríveis fora de casa.
Como destacado, no primeiro encontro entre os times neste ano em São Paulo, em abril, pelo Campeonato Brasileiro, muita coisa era diferente — e nem os técnicos eram os mesmos. Na época, Ramón Díaz levou a melhor sobre Fábio Carille, que optou por mandar a campo um time praticamente reserva, e venceu por 3 a 0.
Apesar da força que teve fora de casa nesta temporada, o Vasco terá um enorme desafio pela frente: o clube nunca venceu o Corinthians na Neo Química Arena desde que ela foi inaugurada, em 2014.
Instabilidade e elenco enxuto do Vasco em 2025
Se fez campanha parecida com a do Corinthians no Brasileirão, o desempenho defensivo foi bem distinto. E isso pode ser o fiel da balança para o rival nesta decisão. O Vasco sofreu 60 gols em 38 rodadas, terceira pior marca dos 20 times, e 13 a mais do que o adversário paulista.
Apesar de ter se reforçado bem no meio da temporada, apresentou boas atuações no segundo semestre. Entretanto, ainda oscila e sofreu com panes ao longo da temporada, seja com Carille ou, agora, com Diniz. Desde novembro, o Vasco venceu apenas uma partida no Brasileirão de oito disputadas. Foram 19 gols sofridos no período, com destaque para derrotas diante de Botafogo (3 a 0) e Atlético-MG (5 a 0).
O desempenho na reta final do Brasileirão também acende o alerta para o estado em que o elenco do Vasco chegará para o duelo. Antes do primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil, o Vasco foi com reservas na goleada contra o Atlético-MG na última rodada do Brasileirão e acabou goleado por 5 a 0.

A decisão de poupar os titulares pareceu fazer efeito. A equipe teve forças para arrancar uma vitória de virada, no último minuto, sobre o Fluminense, no Maracanã, e sair na frente na busca por vaga na final. O resultado foi crucial para levar a disputa para os pênaltis, depois da derrota por 1 a 0 na partida seguinte — em um confronto em que o ataque foi parado pelo goleiro Fábio.
Neste segundo confronto contra o Tricolor, o time cruzmaltino sofreu fisicamente a partir da metade do segundo tempo. A queda física já foi um problema maior, como no meio do ano, mas ainda é um fator que preocupa, já que o espaço entre os jogos é de apenas quatro dias.
O banco de reservas do Vasco tem oferecido mais dúvidas que certezas ao técnico Fernando Diniz. Vários nomes pouco têm oferecido de positivo ao treinador, como o atacante David, o meia Matheus França, o volante Matheus Carvalho, dentre outros. Isso pode ser uma dor de cabeça para Diniz caso tenha que fazer mudanças nos jogos. Se finais costumam dar espaços a heróis improváveis, há no banco do Cruzmaltino algumas opções.
Campanhas de Corinthians e Vasco na Copa do Brasil
Em 2024, o Corinthians chegou a estar virtualmente eliminado da disputa da Copa do Brasil nesta temporada. Para garantir a vaga, a equipe de Ramón Díaz precisou engatar uma sequência de nove vitórias seguidas, que classificaram o time para a competição e para a pré-Libertadores.
Dorival Júnior estreou no Corinthians contra o Novorizontino, na terceira rodada, e conquistou a classificação com duas vitórias por 1 a 0. Na sequência, passou pelo Palmeiras nas oitavas de final, com 3 a 0 no agregado, e Athletico-PR, nas quartas. Na semifinal, eliminou o Cruzeiro, nos pênaltis, depois de empate por 2 a 2 na soma dos placares.
O Vasco, como não se classificou para a Libertadores, estreou logo na primeira rodada, contra o União Rondonópolis. Depois, eliminou Nova Iguaçu e Operário-PR nas fases seguintes. A partir das oitavas de final, passou por CSA (3 a 1) e Botafogo (2 a 2, classificação nos pênaltis). Na semifinal, em nova disputa por pênaltis, eliminou o Fluminense para voltar à decisão da Copa do Brasil.



