Com roteiro perfeito, título do Corinthians cura torcida ferida e premia elenco resiliente
Hugo Souza consolida idolatria no Timão e Fiel volta a sorrir após seis anos em triunfo contra o maior rival
Quando o ano passado terminou, o Corinthians deixou claro que a história escrita no fim da última temporada não teria ponto final.
E, embora com algumas interrogações, exclamações exageradas e quebras de parágrafos, o clube alvinegro iniciou a temporada em reticências.
Ainda que algo honrado, galopar em vitórias de modo capaz de sair da zona do rebaixamento e se classificar à Libertadores é pouco para um time do tamanho do Corinthians. O Timão.
Os jogadores sempre souberam disso. A torcida sempre mereceu.
Mesmo combalida por seis anos sem títulos, gestões financeiramente desastrosas e um extracampo muito conturbado, a Fiel nunca deixou de ser, acima de tudo, Corinthians.
Em 2025, não houve uma partida sequer do Timão em casa com público inferior a 40 mil corintianos. O que parece insano, na verdade, é normal para tantos loucos que amam em bando.

Uma torcida que não vive de títulos, mas que ama celebrá-los. A ansiedade era tanta que os sinalizadores foram acesos e os fogos estourados antes mesmo do apito final.
O título paulista de número 31 na galeria corintiana é único por inúmeros motivos.
A conquista estadual premia a consistência de quem teve a melhor campanha, mais vitórias, mais gols e liderou todas as etapas da competição.
Mas também brinda a história de quem flertou com o destino ingrato e trombou com a possibilidade do maior rival devolver o que por tanto foi motivo de orgulho. A conquista na casa alheia e o tetra perdido em um passado nem tão distante.
Nisso, o futuro presenteou o Timão. Que, para isso, precisou jogar. Não somente dois jogos, mas dois Dérbis e duas finais.
E, assim, a história teve um ponto final.
Roteiro escrito pela 31ª vez, mas nunca repetido e que há tempos não se via.
Um bom time começa com um bom ídolo
Quando Cássio deixou o Corinthians, no primeiro semestre do ano passado, a lacuna da idolatria corintiana em campo ficou aberta.
Carência que durou poucos meses e foi suprida por Hugo Souza.
O goleiro corintiano já deu inúmeras mostras de que chegou para ficar. E ficou para ser eterno.
O Corinthians precisava dele tanto quanto ele necessitava ter o Timão na vida.
Para quem em tão pouco tempo fez tanto, ainda faltava algo. Não falta mais.
A conquista do título só foi possível porque, talvez no único momento de real perigo do Palmeiras em 180 minutos de decisão, ele fez o milagre que se espera do herói.
A defesa de Hugo no pênalti perdido por Raphael Veiga ressoou tão alto quanto o gol de Yuri Alberto, no Allianz Parque, que, em números finais, deu o título paulista ao Corinthians.
E que desculpe o dono original da alcunha, mas Hugo Souza é gigante.

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E um bom time também precisa ser resiliente
Mas Hugo não joga sozinho. E ao elenco corintiano teve o mérito da resiliência.
Todos os atletas, sem exceção, entenderam já no fim do ano passado que para entrar para a história do Timão não bastavam boas campanhas. Era fundamental ser campeão.
Além disso, eles sabiam o quão gostoso seria levantar uma taça junto à Fiel Torcida.
Yuri ficou, Garro também. Outros atletas também optaram por permanecer e não sair antes de sentir o gosto de ser campeões pelo Corinthians. Sentiram.

No ano em que o roteiro começou já não sendo exatamente o traçado no fim da temporada passada. O elenco fechado passou pelos primeiros atritos e foi provado. As divergências, no entanto, ficaram em segundo plano quando o Timão cruzou a primeira fase do Paulistão.
No momento em que precisou, o grupo se uniu novamente, pois o objetivo em comum era maior: ser campeão paulista.
Teve goleiro atuando com dores na perna, atacante com problema no ombro, meia tomando injeção para desinchar o joelho.
Teve de tudo. E, sobretudo, título.
Enquanto o Palmeiras fez dois jogos, Corinthians jogou dois Dérbis
A história isolada do Dérbi disputado nesta quinta-feira (27) é muito menor que tudo o que levou ao confronto.
Nem precisou de gols para o Corinthians ser campeão. Precisou apenas ser Timão.
O Time do Povo, que venceu com a sua população.
Em campo, coube ao clube alvinegro jogar um futebol tático e neutralizar o rival.
Nas quatro linhas não entraram os milhões investidos pelo rival, as conquistas dos três anos anteriores e todas as outras de um histórico recente.
O Palmeiras jogou duas partidas, o Corinthians jogou mais que duas finais. Foram dois Dérbis.
Com a faca entre os dentes, o Timão foi aplicado e efetivo. Suficiente para sofrer poucos sustos em duas partidas e se deleitar com a tão aguardada conquista no fim.



