Por classificação na Copa do Brasil, Corinthians repete plano crucial em título paulista
Em ação envolvendo de elenco à diretoria, Timão deixa problemas em segundo plano e foca em clima de final contra o Palmeiras
Para se classificar às quartas de final da Copa do Brasil, o Corinthians adotou a mesma estratégia que foi bem-sucedida na conquista do Campeonato Paulista.
A ideia é blindar os jogadores das dificuldades no extracampo e dos problemas sejam empurrados com a barriga pelo menos nas próximas duas semanas.
O movimento atual, porém, é mais amplo do que na época do Estadual e envolve conjuntamente elenco, comissão técnica, departamento de futebol e diretoria.
A Trivela apurou que, mesmo com problemas recentes em que os aspectos administrativo, financeiro e político respingaram nos jogadores, o intuito agora é tornar uniforme o pensamento de que há um bem maior em jogo.
Neste caso, mais do que o caráter classificatório da Copa do Brasil, também pesa o adversário ser o Palmeiras.
Maior rival do Timão, o clube alviverde já havia sido o oponente corintiano na final do Paulistão, em março.
Nos últimos dias, figuras de liderança no elenco têm conduzido um movimento para contagiar o restante do grupo. O executivo de futebol Fabinho Soldado também tem trabalho para isso.
Já a comissão técnica trabalha o planejamento para os Dérbis desde a semana passada, o que justifica a escolha pela escalação reserva no empate com o Botafogo, no último sábado (26).
Situações diferentes, espírito igual
Se para focar na decisão do Campeonato Paulista o Corinthians precisou controlar internamente alguns problemas do elenco, agora o clube precisou resolver as coisas de fora para dentro.
Com as mudanças na direção corintiana, o grupo de atletas ficou mais exposto aos problemas administrativos do clube. E a blindagem que era feita desde o ano passado ficou muito prejudicada.
O elenco foi impactado financeiramente desde o afastamento de Augusto Melo e a interinidade de Osmar Stábile na presidência do Corinthians.
Houve atraso no pagamento de salário e premiações.
E como processo visando a limpeza do ambiente para os clássicos contra o Palmeiras, as pendências em aberto foram renegociadas, parceladas e a primeira parte já foi paga.
Esses acordos e o cumprimento deles foram as principais influências da diretoria no movimento que levou o elenco a se fechar.
O cenário atual ainda carece de confiança interna, mas tudo isso tem sido jogado para escanteio até os jogos contra o Palmeiras pela Copa do Brasil.
Outros problemas internos de menor escala também estão sendo minimizados para que o foco geral esteja nos clássicos.
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Dérbi tem peso gigante em diferentes aspectos para o Corinthians
O cenário atual leva o Corinthians a ter um peso muito maior no Dérbi do que o Palmeiras.
O resultado final após as próximas duas semanas interfere não só no aspecto esportivo como também no político do clube alvinegro.
Dentro de campo, além de influenciar no aspecto anímico, a história do confronto pode impactar no planejamento corintiano para o restante da temporada.
Com os empates contra Cruzeiro e Botafogo, o cenário de pressão em relação ao técnico Dorival Júnior diminuiu. O treinador, porém, segue em análise internamente e o saldo dos clássicos pela Copa do Brasil impactará na decisão da diretoria.
O desempenho da equipe também influenciará bastante. De todo modo, a tendência é que em caso de eliminação, nem mesmo o time jogando bem deve livrar Dorival Júnior do desligamento.

Memphis Depay é outro que pode passar por algumas reavaliações após os jogos contra o Palmeiras.
Ainda que a diretoria se manifeste publicamente favorável ao cumprimento do contrato do atleta, há movimentos que defendem a revisão do acordo por questões financeiras.
O cenário não está descartado, mas a postura interna no momento é que o atacante é quem precisará se manifestar para que a uma nova negociação do vínculo seja feita.
Até mesmo a possibilidade de rescisão já foi aventada nos bastidores, mas não é defendida publicamente pela alta cúpula corintiana.

O resultado dos clássicos entre Corinthians e Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil também pode impactar politicamente o clube alvinegro.
Isso porque somente três dias após o jogo de volta haverá a Assembleia Geral de Sócios que votará em última instância o impeachment do presidente afastado Augusto Melo.
Nos bastidores, a diretoria interina do Corinthians receia a influência dos resultados esportivos aos associados.
Teme-se que uma eliminação desanime parte dos sócios a votar e impacte no quorum geral, favorecendo a militância engajada de Augusto Melo.
Caso a votação, marcada para o dia 9 de agosto, seja favorável a Augusto, ele voltará à presidência corintiana sumariamente, mesmo sendo réu no caso “Vai de Bet” em que, dentre outros crimes, ele responde por furto qualificado ao Corinthians.



