Corinthians: Augusto Melo é indiciado no ‘Caso Vai de Bet’ e pressão por impeachment aumenta
Presidente e outros dirigentes são apontados em investigação que apura crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado
Presidente do Corinthians, Augusto Melo foi indiciado nesta quinta-feira (22) por supostos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado.
O documento possui cerca de 4 mil páginas e conta com as informações coletadas durante cerca de um ano de investigação.
Segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), órgão ligado à Polícia Civil responsável pelo caso, Augusto tem participação nos desvios de recursos referentes ao contrato de patrocínio máster firmado com a empresa de apostas “Vai de Bet”, em janeiro do ano passado.
Em um dos relatórios presentes no indiciamento, no qual a Trivela teve acesso parcial, o delegado Tiago Fernando Correia aponta que o caminho dos valores pagos pela intermediação chegou até a empresas ligadas ao crime organizado.
Entre os dias 18 e 21 de março de 2024, a “Rede Social Media Design Ltda”, apontada em contrato como intermediária entre Corinthians e “Vai de Bet”, recebeu dois pagamentos, cada um na quantia de R$ 700 mil, que partiram do clube alvinegro.
Esses pagamentos foram autorizados por Marcelo Mariano, diretor administrativo do Corinthians à época. Braço-direito do presidente Augusto Melo, Marcelinho, como é conhecido, também foi indiciado.
Após passar por duas empresas consideradas de fachada (“Newoay Soluções Integradas” e “Wave Intermediações e Tecnologias Ltda”), o dinheiro chegou a UJ Football Talent Intermediações Ltda.
A empresa de agenciamento de atletas é investigada em Portugal por suposto envolvimento com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
A “UJ Football Talent” também é citada por Antonio Vinicius Gritzbach em delação à Justiça como um dos braços do PCC para lavagem de dinheiro através do futebol.
Gritzbach foi assassinado em 8 de novembro de 2024, no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a motivação do crime foi justamente a delação feita por Vinicius.
Alex Cassundé não foi reconhecido pela Polícia como intermediário
Proprietário da “Rede Social Media Desgin Ltda”, Alex Cassundé também é indiciado por suposta participação na associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado no “Caso Vai de Bet”.
A Polícia não considera o empresário como intermediário do negócio entre o Corinthians e a empresa de apostas. De acordo com a investigação, Cassundé fazia parte do plano liderado por integrantes da diretoria corintiana para o desvio da verba.
Além de Augusto Melo e Marcelo Mariano, o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura também é indiciado pela participação no suposto crime.
Moura, inclusive, é apontado como o responsável por apresentar Alex Cassundé ao presidente Augusto Melo.
A “Rede Social Media Design Ltda” foi a responsável pelos serviços de mídias digitais da campanha presidencial de Augusto no Timão.
Durante as investigações, José André da Rocha Neto, dono da “Vai de Bet”, afirmou desconhecer Alex Cassundé.

O proprietário da empresa de apostas afirmou que o negócio houve intermediação, mas através do empresário Antônio Pereira dos Santos, conhecido como Toninho Duettos.
Duettos, por sua vez, afirma ter sido vítima de um golpe de Marcelo Mariano e nunca recebeu o dinheiro que era de direito pelo “meio-campo” feito entre a “Vai de Bet” e o Corinthians.
Ex-diretor jurídico do Corinthians, Yun Ki Lee ainda pode ser indiciado como partícipe, pois não apresentou o contrato para o compliance. A situação dele será avaliada de forma específica, pois ainda não teve direito de ampla defesa.
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Uma vez indiciado, Augusto Melo se tornará réu caso MP aceita a denúncia
Os indiciamentos de Augusto Melo, assim como de Marcelo Mariano, Sérgio Moura e Alex Cassundé não os tornam réus de forma automática.
A denúncia é oferecida pela Polícia Civil ao Ministério Público, que decide pelo prosseguimento da situação à Justiça ou arquivamento.
Através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o MP/SP acompanha o caso desde o começo. O órgão é representado pelo Dr. Juliano Carvalho Atoji.
Desta forma, a tendência é que a situação seja levada adiante e o grupo de indiciados responda criminalmente.
Mesmo com o indiciamento, Augusto Melo não pretende renunciar à presidência corintiana.
– Jamais. Não tenho nada a ver com isso. São sempre as mesmas negociações. Tudo o que eu faço, tem o jurídico e o compliance que me dão o suporte – disse o dirigente em entrevista coletiva concedida na última semana.
Ainda assim, Augusto é alvo de quatro processos de impeachment. Um deles relacionado às investigações referentes à intermediação do contrato entre o Corinthians e “Vai de Bet”.
Esse pedido de destituição do presidente será votada pelos conselheiros do Timão nesta segunda-feira (26), no Parque São Jorge.
A votação será retomada após duas paralisações. A primeira, em dezembro do ano passado, por conta de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça a Augusto Melo. Já a segunda, em janeiro deste ano, foi suspensa após confusões e avanço do horário.
O Conselho Deliberativo já votou a inclusão da pauta na reunião, o que foi aceito por 126 votos a favor contra 114 contrários.



