Corinthians: Entenda as denúncias do Ministério Público contra Augusto Melo e ex-diretores
Seis pessoas ligadas ao Caso Vai de Bet foram denunciadas pelo MP-SP, com pedido de indenização ao clube
O Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça o presidente afastado do Corinthians, Augusto Melo, dois ex-dirigentes do clube – Marcelo Mariano e Sérgio Moura – e o empresário Alex Cassundé por três crimes diferentes em investigação sobre as negociações do patrocínio da Vai de Bet.
Segundo os promotores do Ministério Público, Augusto Melo e companhia “se associaram para o fim específico de cometer crimes de furto qualificado e lavagem de capitais”.
No documento, o MP-SP denuncia os três ex-dirigentes corintianos e o empresário Alex Cassundé por três crimes diferentes:
- Associação criminosa (art. 288 do Código Penal), com pena de 1 a 3 anos de reclusão;
- Furto qualificado (art.155, § 4º), com pena de 2 a 8 anos de reclusão;
- Lavagem de dinheiro (art. 1, § 1º, inciso II, e §4º da lei nº 9.613/98), com pena de 3 a 10 anos de reclusão.
Os empresários Victor Henrique de Oliveira Shimada e Ulisses de Souza Jorge também foram denunciados por lavagem de dinheiro por participação no esquema.
Além das denúncias, o MP-SP pede que os denunciados paguem uma indenização de 40 milhões de reais ao Corinthians, para a compensação de valores perdidos pelo clube:
- R$ 38,89 milhões pela rescisão com a Pixbet, que era patrocinadora do clube antes do acordo com a Vai de Bet;
- R$ 1,4 milhão pelo valor pago à empresa “Rede Social Media Design”, que teria feito a intermediação do acordo com a Vai de Bet.
O “Caso Vai de Bet”
No início da gestão Augusto Melo, no início de 2024, o Corinthians firmou o que dizia ser “o maior acordo de patrocínio do Brasil”, com a empresa de apostas Vai de Bet pagando R$ 370 milhões para ter o espaço máster por três anos.
Entre os dias 18 e 21 de março de 2024, a “Rede Social Media Design Ltda”, apontada em contrato como intermediária entre Corinthians e “Vai de Bet”, recebeu dois pagamentos, cada um na quantia de R$ 700 mil, que partiram do clube alvinegro.
Os valores fariam parte de uma quantia de R$ 25 milhões que a “Rede Social Media Design Ltda” deveria receber por intermediar o contrato.
Esses pagamentos foram autorizados por Marcelo Mariano, diretor administrativo do Corinthians à época.

Após passar por duas empresas consideradas de fachada (“Neoway Soluções Integradas” e “Wave Intermediações e Tecnologias Ltda”), o dinheiro chegou a UJ Football Talent Intermediações Ltda.
A empresa de agenciamento de atletas é investigada em Portugal por suposto envolvimento com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
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A fundamentação de denúncia contra Augusto Melo e cia
Segundo a denúncia do MP-SP, não existe nenhum documento que comprove a participação de Alex Cassundé como intermediário entre Corinthians e Vai de Bet.
Segundo informações do telefone do empresário, ele não passou pelo Parque São Jorge nos dias em que o contrato era negociado e nem apareceu no anúncio do que seria “o maior acordo de patrocínio do Brasil”.
As duas primeiras versões do contrato entre Corinthians e Vai de Bet não mostravam a existência de um intermediário, o que só foi adicionado após o questionamento de um membro da equipe jurídica da casa de apostas.
De acordo com o MP-SP, a adição foi feita apenas no dia 3 de janeiro de 2024, para “ocultar a falsa informação que se inseria no contrato e era essencial para viabilizar a prática dos crimes posteriores”, já que o setor jurídico já tinha os dados da empresa desde o dia 29 de dezembro de 2023.



