Brasil

Pagamentos incomuns a intermediário e revolta interna podem iniciar colapso no Corinthians

Chapa importante na política do Timão estuda retirar apoio à gestão de Augusto Melo após suspeitas sobre contrato com a Vai de Bet

Nos últimos meses, o Corinthians é um emaranhado de intrigas políticas que, vira e mexe, enlaça mais uma polêmica.

No entorno de toda a crise administrativa, que já teve até a demissão do diretor de futebol, figuras importantes estudam retirar o apoio à gestão de Augusto Melo, principalmente após as denúncias envolvendo o intermediário do contrato entre clube e a Vai de Bet, principal patrocinadora. Assim, o presidente fica cada vez mais pressionado.

O acordo multimilionário com a casa de apostas colocou o Timão na primeira prateleira de patrocínios máster do futebol brasileiro — e sul-americano — mas trouxe um arranhão profundo para a reputação do atual comando.

Caso Vai de Bet pode resultar em debandada da gestão Augusto Melo

Segundo a apuração da Trivela, a chapa 82, conhecida como Movimento Corinthians Grande (MCG) — que conta com figuras importantes na gestão, como o diretor financeiro Rozallah Santoro — estuda retirar o apoio político a Augusto, se providências não forem tomadas em relação às suspeitas sobre o contrato com a Vai de Bet.

Na noite da última terça-feira (21), mais de 50 sócios do MCG, sendo 21 deles conselheiros ativos no clube, se reuniram para debater o andamento da atual gestão.

Fontes ouvidas pela reportagem, que estiveram presentes no encontro, revelaram que o teor da conversa foi muito duro diante dos últimos acontecimentos. Boa parte dos integrantes vota pelo desembarque imediato da gestão.

Movimento Corinthians Grande

No início desta semana, a coluna do Juca Kfouri publicou uma reportagem confirmando que a empresa Rede Social Media Design Ltda., pertencente ao intermediário Alex Cassundé, realizou dois repasses a uma terceira, de nome fantasia Neoway. Esses valores seriam oriundos da comissão do negócio entre a Vai de Bet e Corinthians.

No entanto, a Neoway é colocada como uma companhia “fantasma”, segundo a reportagem, que afirma a inexistência de atividades nos endereços cadastrados na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo).

Diante deste cenário, o integrantes do MCG exigem as demissões de Sérgio Moura, superintendente de marketing, e Marcelo Mariano, diretor administrativo, suspeitos de envolvimento com Alex. A permanência do grupo político na gestão está atrelada a essas saídas.

Na próxima segunda-feira (27), o Conselho Deliberativo do Corinthians vai se reunir para discutir os contratos da gestão Duílio Monteiro Alves, mas também devem estudar os pontos do contrato com a Vai de Bet que estão sob análise da Comissão de Justiça do clube.

Sérgio Moura, superintendente de marketing do Corinthians (à esquerda); Gustavo Lima, cantor (centro); e Marcelo Mariano, diretor administrativo (à direita) (Foto: Reprodução)

Ingerência no pagamento da comissão

Um dos fatos que pesa na decisão do MCG está relacionado aos pagamentos das duas primeiras notas de comissão à Rede Social Media Design Ltda. Segundo apurado pela reportagem, houve ingerência neste processo — ou seja, desrespeito aos procedimentos internos do cube. Isso porque Rozallah não havia autorizado esses pagamentos. 

Segundo apurado pela Trivela, Marcelo Mariano passou por cima da autoridade de Rozallah para que dois depósitos de R$ 700 mil fossem realizados no período de três dias.

Segundo fontes, na ausência de Rozallah, que estava em viagem, Marcelo (diretor administrativo) esteve no departamento financeiro por três vezes, uma delas acompanhado por Alex Cassundé, pressionando o gerente do setor financeiro, Roberto Gavioli, para pagar as notas emitidas pela Rede Social Media Design Ltda.

Em duas oportunidades, o Corinthians não tinha caixa. Na terceira, o aval para a liberação do dinheiro foi concedido.

Veja abaixo as datas dos pagamentos:

  • Dia 18/03 — R$ 700.000,00
  • Dia 21/03 — R$ 700.000,00

Os personagens do imbróglio

infográfico corinthians vai de bet
Infográfico: Trivela

Vai de Bet pode mesmo rescindir contrato com o Corinthians?

Neste cenário, a Vai de Bet estuda a possibilidade de rescindir o de patrocínio com o Corinthians. A informação foi inicialmente publicada pelo ge, e confirmada pela Trivela.

O assunto está sendo tratado internamente, entre o clube e a casa de apostas, após a repercussão negativa das matérias que levantam suspeitas sobre a idoneidade do intermediário.

Por outro lado, a reportagem também ouviu fontes que definem o “alarde de rescisão” como uma forma de a empresa pressionar a diretoria alvinegra por respostas. Isso porque a casa de apostas fechou contrato com o Timão por meio de um intermediário, acreditando que se trata de um profissional legítimo do mercado.

Corinthians fechou o maior patrocínio máster da América do Sul

O patrocínio da Vai de Bet, de cifras inéditas no Brasil, se estende para a equipe feminina, além dos times de base e de eSports do Timão.

O valor anual a ser pago é de R$ 120 milhões — quase seis vezes mais do que o contrato com a anunciante anterior, a Hypera Pharma.

Em 2021, quando fechou negócio com a gigante farmacêutica, o Timão recebia R$ 17 milhões por temporada. Depois do reajuste, as cifras subiram para R$ 22 milhões. Mesmo assim, o número não chega nem perto do atual patrocínio.

Ao fim da temporada passada, o então presidente Duílio Monteiro Alves chegou a encaminhar o acordo com outra casa de apostas, a Pixbet.

O valor era de R$ 75 milhões por ano. Augusto Melo solicitou que o negócio não fosse concretizado antes de sua posse para o triênio 2024–26, porque ele tinha uma proposta maior em vista.

Vale lembrar que a Pixbet tem contrato vigente para estampar as mangas da camisa do Corinthians até 2025. Por ser do mesmo segmento que a nova anunciante, o vínculo deverá ser rompido para que a VaideBet tenha exclusividade. O contrato do Corinthians com a Vai de Bet supera todos recebidos pelos rivais no mercado.

Quais eram os maiores valores de patrocínio?

  • Flamengo e Pixbet — R$ 170 milhões em 2023
  • Palmeiras e Crefisa — R$ 81 milhões fixos e R$ 14 milhões de bônus por títulos em 2023
Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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