Memphis faz justiça para Corinthians que pode competir mais se não jogar com covardia
Timão muda comportamento entre primeiro e segundo tempo e empate que no começo parecia benção pareceu até pouco
Se há uma virtude do Corinthians em termos de elenco é a parte ofensiva. Poucos clubes no Brasil possuem opções tão qualificadas na frente, como Memphis Depay e Yuri Alberto, por exemplo.
Em compensação, o sistema defensivo é o grande problema do Timão há algum tempo. Essa desconexão entre os setores faz da equipe inconstante. O que é pior quando a decisão técnica é abdicar de jogar e, com isso, apenas se defender.
Foi assim que o Timão entrou em campo contra o Botafogo, neste sábado (26), pelo Campeonato Brasileiro. O que custou uma melhor sorte ao clube alvinegro. Principalmente com a atuação na segunda etapa, quando a evolução corintiana foi absurda. É claro que a escalação inicial tem muito a ver com isso.
Frente a um clássico importante com o Palmeiras, pela Copa do Brasil, na próxima quarta-feira (30), a decisão do técnico Dorival Júnior foi escalar a equipe completamente reserva no Rio de Janeiro. A exceção do goleiro Hugo Souza.
Soma-se isso ao comportamento corintiano no início do jogo, que foi completamente retraído e deixou o adversário jogar. O Timão foi para o vestiário perdendo por 1 a 0, mas o prejuízo poderia muito bem ser maior se o Botafogo agredisse mais. Na etapa final, tudo mudou. Atletas, formação e postura.
O resultado disso foi o domínio corintiano contra o atual campeão brasileiro. E o ponto conquistado que no começo parecia utopia, no final pode até ser considerado prejuízo.
Botafogo poderia ter cobrado (muito) mais caro por monólogo no primeiro tempo
Poucas vezes um time ditou o ritmo do jogo com tanta eficácia como o Botafogo no primeiro tempo contra o Corinthians. A equipe mandante fez da etapa inicial no estádio Nilton Santos um monólogo, que só não teve roteiro de humilhação, porque no gênero faltou ação.
Jogando em linha baixa, o Timão chamou o Glorioso ao seu campo. A equipe mandante, então, teve volume. Porém, agrediu menos do que poderia.
O Botafogo chegou a registrar quase 80% de posse de bola, mas criou somente duas grandes chances. Em uma delas, fez o gol. Aos 24 minutos do primeiro tempo, Mateo Ponte cruzou pela direita, Nathan Fernandes ajeitou de cabeça para pequena área e Arthur Cabral escorou para o fundo da rede.

O centroavante botafoguense foi alvo do Timão há um ano, quando jogava no Benfica, de Portugal, mas não teve a contratação concretizada.
E no lance do gol botafoguense, a prova de que um time de defesa frágil não pode priorizar uma atuação de estilo defensivo. Pois, por mais organizado que o sistema esteja, as peças individuais podem comprometer. Neste caso, foram Léo Maná e João Pedro Tchoca.
O lateral-direito entrou especialmente mal, errando praticamente todas as ações. E no lance em que o Botafogo abre o placar, ele deixa Nathan completamente sozinho para dar a assistência.
Tchoca também vacila ao deixar Arthur Cabral passar com liberdade nas suas costas. No entanto, a falha no movimento inicial foi crucial para a indecisão que levou o zagueiro corintiano a também falhar.
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Corinthians não pode adotar a mesma estratégia em todos os jogos
A postura defensiva do Corinthians no primeiro tempo contra o Botafogo foi muito parecida com a que o time adotou contra o Cruzeiro.
O Timão deu liberdade para os zagueiros e volantes adversários jogarem, abaixando as suas linhas e marcando no seu campo.
No entanto, o Botafogo tem uma postura e peças mais verticais que a Raposa e aproveitou melhor essa condição dada pelo Corinthians.
Além disso, a situação ofensiva do Timão foi completamente diferente do duelo anterior.
No Rio de Janeiro, a equipe teve o ataque formado por Talles Magno e Romero. E embora o primeiro também estivesse em campo no meio de semana, o segundo não. E o paraguaio tem características muito diferentes às de Memphis Depay, titular contra o Cruzeiro.
Com Romero isolado, o Corinthians não conseguiu reter as bolas no setor ofensivo e também teve dificuldades nas transições rápidas ao ataque, o que também tem a ver com a má atuação de Talles Magno.
Segundo tempo do Corinthians deu a tônica da estratégia que deveria ser tomada desde o início
A opções por preservar alguns jogadores quando se tem uma partida importante à frente é natural – principalmente se esse jogo for um clássico contra o maior rival por uma competição mata-mata.
No entanto, Dorival poderia ter sido menos econômico ao escalar o time contra o Botafogo.
Frente a um duelo contra o Palmeiras, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o treinador corintiano preservou todos os atletas de linha que devem atuar no Dérbi marcado para a próxima quarta-feira (30).
A entrada de quatro titulares no intervalo (Matheuzinho, Breno Bidon, Memphis Depay e Yuri Alberto) mostrou que a escolha por um time misto poderia ser melhor.
Principalmente quando se passaram apenas 15 dias desde o retorno do futebol brasileiro após pausa de um mês por conta do Mundial de Clubes.

A entrada do quarteto citado acima deu muito mais qualidade ao Corinthians, mas não foi o único fator que levou ao desempenho completamente diferente do clube na etapa final.
Dorival Júnior entendeu a importância de explorar o jogo lateral, abdicou da presença de atletas centrais e mudou o sistema tático para um 4-4-2-, com dois volantes, dois jogadores abertos e dois atacantes.
E todo o script de domínio botafoguense no segundo tempo caiu por terra com essas alterações.
O contexto do jogo mudou completamente, com o Corinthians se tornando dominante. E a virada só não se registrou também no placar, porque o Timão perdeu algumas oportunidades claras de gol. A melhor delas com Yuri Alberto, tentando encobrir o goleiro, mas errando o alvo.
O empate corintiano aconteceu aos 34 minutos do segundo tempo, com Memphis Depay, com um belo giro e finalização, após um chute errado que virou assistência de Breno Bidon.
Memphis é discreto, mas decisivo
Dos quatro atletas que entraram no intervalo, Memphis Depay foi o mais discreto nos primeiros minutos.
A postura do atacante até mesmo indicava uma falta de disposição, próximo a que foi apresentada na derrota corintiana para o São Paulo, na semana passada.
Memphis, porém, foi crescendo durante o jogo. E é inegável que um jogador do porte dele é decisivo e pode resolver o jogo com um movimento.
E foi a finalização de primeira, com extrema felicidade, que tirou o Corinthians de uma derrota e levou ao empate.



