O que deveria fortalecer foi o que matou o Corinthians contra o São Paulo
Saída de Oscar parecia ser positiva para o Timão, mas fez o Tricolor fortalecer o meio-campo e acabar com o jogo corintiano
A saída do meia Oscar, do São Paulo, com apenas 15 minutos do clássico contra o Corinthians, parecia uma grande notícia para o Timão.
No entanto, o que parecia fortalecer o clube alvinegro foi exatamente o que matou o clássico disputado no MorumBIS.
O volante Alisson entrou para ser o terceiro homem do meio campo, ao lado de Bobadilla e Marcos Antônio. Com a mudança, o Tricolor ganhou em força física e passou a dominar a zona central.
Nos primeiros minutos, o Corinthians até tentou marcar algo na saída de bola adversária. Mas a partir da saída de Oscar e a entrada de Alisson, o Corinthians parou de jogar.
A partir da alteração, o São Paulo dominou o jogo e fez jus a uma vitória por 2 a 0 que poderia ser até maior por tudo que a equipe mandante jogou, mas também tudo pelo que os visitantes não jogaram.
Se a máxima é que clássico não se joga, ganha, o Corinthians ficou devendo as duas coisas.
Esquema que consagrou Ramón não funciona com Dorival
O Corinthians foi escalado pela terceira partida consecutiva com quatro meias posicionados em losango.
O esquema tático que foi fundamental para a arrancada heróica do Timão no fim do ano passado e também para o título paulista nesta temporada, ambos com Ramón Díaz, parece não funcionar nas mãos de Dorival Júnior.
A equipe alvinegra até começou a partida organizada e, principalmente, marcando forte a saída de bola são-paulina.
Essa aplicação, porém, durou somente até a metade do primeiro tempo. Quando o São Paulo acertou o meio-campo, o Corinthians parou de jogar. A partir daí começaram os problemas do Timão.
A péssima atuação dos meias José Martínez e André Carrillo permitiram os alas do São Paulo chegarem constantemente em liberdade e criando jogadas ofensivas.
E quando o Corinthians conseguiu criar uma chance de perigo, a única da partida, Romero perdeu uma bola açucarada. Memphis deixou o atacante paraguaio cara a cara com o goleiro Rafael, que defendeu a finalização com o rosto.

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Erros iguais que alternam a cada jogo do Timão
Se a falta de inspiração dos atacantes foi o que comprometeu o Corinthians na derrota para o Red Bull Bragantino, no último fim de semana, o problema contra o São Paulo foi o sistema defensivo.
O Timão sofreu dois gols em um intervalo de três minutos, ambos marcados por Luciano. O atacante vestiu a camisa corintiana entre 2013 e 2014.
E nas duas situações a parte defensiva do Corinthians foi desastrosa.
No primeiro gol, o volante são-paulino Marcos Antônio ganhou no alto pelo meio, após saída de bola do goleiro corintiano Hugo Souza. O meio-campista acionou André Silva, que recebeu com liberdade, avançou e serviu Luciano livre.
No lance, o sistema defensivo do Timão foi completamente passivo. E o zagueiro André Ramalho deixou a posição, na tentativa de parar a evolução do ataque adversário, mas deixou um buraco aproveitado por Luciano.
A torcida do São Paulo ainda comemorava o primeiro gol quando Félix Torres, zagueiro que no clássico novamente foi improvisado como lateral-direito, não cortou uma inversão são-paulina.
Substituído no intervalo, Memphis sequer volta para o segundo tempo (e o Corinthians também)
Visto o prejuízo no primeiro tempo, o técnico Dorival Júnior retornou o Corinthians para o segundo tempo com três mudanças. A mais surpreendente foi a saída de Memphis Depay para a entrada do garoto Gui Negão. A decisão pela mudança foi técnica.
O neerlandês sequer ficou entre os reservas na etapa final, assim como o volante José Martínez, que também foi substituído – para a entrada de Raniele.
A outra mudança foi a entrada do lateral de ofício Léo Maná no lugar do improvisado Félix Torres.
Porém, assim como Memphis, o Corinthians não voltou para o segundo tempo.

A sensação foi de que a equipe estava desesperada, com os jogadores tentando resolver sozinho e não conseguindo.
O saldo foi que a única oportunidade de perigo do clube alvinegro no segundo tempo aconteceu nos acréscimos, em um lance de bola parada em que Raniele dubiu de cabeça após cobrança de falta cobrada por Rodrigo Garro. Rafael novamente fez uma grande defesa.
O contraste com um São Paulo centrado foi visível. E não foi difícil para o Tricolor manter o resultado positivo e garantir os importantes três pontos para se distanciar da zona do rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Alguns tabus corintianos seguem
O Corinthians chegou a cinco derrotas consecutivas como visitante contra o São Paulo – foram quatro jogos no MorumBis e um no Mané Garrincha, pelo Brasileirão do ano passado.
Jejum que é ainda maior quando se trata do clássico Majestoso pela competição nacional.
A última vitória corintiana sobre o Tricolor pelo Campeonato Brasileiro aconteceu no dia 13 de dezembro de 2020, que na ocasião aconteceu na Neo Química Arena, casa corintiana.
Desde então, foram nove jogos com seis triunfos são-paulinos e três empates.
E o jejum corintiano chegará a 15 anos quando se trata de vitórias sobre o São Paulo como visitante por Brasileirões. A última vez que isso aconteceu foi em 7 de novembro de 2010, pelas 34ª rodada daquela edição na competição nacional.
O que o Corinthians tem pela frente?
O Corinthians volta a campo nesta quarta-feira (23), às 19h30 (horário de Brasília), quando enfrenta o Cruzeiro, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será realizada na Neo Química Arena, casa corintiana.
O Timão ainda encara o Botafogo, fora de casa, no dia 26 de agosto, antes do clássico contra o Palmeiras, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.
O jogo de ida contra o rival alviverde está marcado para o dia 30 de agosto, em Itaquera.



