Brasil

Presidente se isola no poder e deixa lacuna que faz Diniz ter mais funções na Seleção

Seleção se apresenta nesta segunda para jogos contra Venezuela e Uruguai pelas Eliminatórias com presidente como chefe de delegação (de novo)

Por onde passou nos dias em que a Seleção Brasileira ficou em Belém durante a última Data Fifa, Ednaldo Rodrigues atraiu olhares e atenções, seja de jornalistas ou autoridades locais, a ponto até de “ofuscar” os jogadores durante um dos treinamentos no Mangueirão. É natural para uma figura de tanto poder quanto a do presidente da CBF, especialmente em uma cidade que não recebia a Seleção há quase 12 anos.

Mas esta é uma percepção ainda mais forte com a atual gestão da entidade. Rodrigues optou por se isolar no comando da CBF e centralizar todas as decisões sobre as seleções. Todas, mesmo. Tanto a masculina, quanto a feminina. Tanto as de base quanto a principal.

E isso ficou nítido na última Data Fifa, mesmo com atenções para os primeiros dias de trabalho de Fernando Diniz e depois para as vitórias sobre a Bolívia, em Belém, e o Peru, em Lima. O presidente foi o chefe da delegação e viajou sem a companhia de vice-presidentes ou de presidentes das federações.

A tendência é que este se cenário se repita agora em Cuiabá e depois em Montevidéu. O Brasil enfrenta a Venezuela na próxima quinta-feira (12), às 21h30 (horário de Brasília), na Arena Pantanal, depois tem pela frente o Uruguai, no Estádio Centenário, em 17 de outubro, às 21h (de Brasília), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Ednaldo Rodrigues conversa com jornalistas durante treino da Seleção (Foto: Eduardo Deconto)

A Trivela ouviu de mais de uma fonte na CBF que o presidente optou por se “isolar” no comando da entidade. Ednaldo hoje centraliza todas as decisões e em muitos casos sequer compartilha opiniões e percepções com os vice-presidentes ou presidentes de federações.

Foi assim, por exemplo, com a Seleção feminina. Poucas pessoas do entorno do presidente souberam quais seriam os próximos passos após o fracasso na Copa do Mundo. Ednaldo guardou para si as decisões de demitir Pia Sundhage e contratar Arthur Elias, do Corinthians, como substituto. Neste início de Eliminatórias, muitas decisões mais “mundanas” só são tomadas após o aval do presidente. Até mesmo no dia a dia da imprensa.

– Ednaldo fechou tudo, tanto para presidentes (de federações) quanto para os vices. Está isolado, mas é um direito dele – disse um dos vice-presidentes consultados pela reportagem.

Lacuna no poder amplia responsabilidades de Diniz

Fernando Diniz acaba de completar três meses como técnico da Seleção. São pouco mais de 90 dias em que as responsabilidades do técnico foram muito além de convocar, treinar e escalar o Brasil para os compromissos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Quem é próximo do treinador diz que ele se “transforma” quando está em campo, o lugar em que mais se sente à vontade.

Diniz é um cara que respira futebol e está sempre – sempre mesmo – pensando em futebol. Mas que teve de se desdobrar para lidar com outras questões que fogem do gramado nestes dias como técnico da Seleção. Tudo isso, por conta de um vácuo no organograma de gestão da CBF.

Hoje, a entidade não tem a figura de um coordenador técnico na Seleção. O cargo era ocupado por Edu Gaspar sob Tite e teve Ricardo Gomes como interino com o também temporário Ramon Menezes. Hoje, está vago. Sem esta figura para fazer o elo entre decisões e posições institucionais e a seleção brasileira, cabe a Diniz ser o gestor das crises recentes, além de uma espécie de porta-voz da entidade.

Foi assim, por exemplo, no caso da não convocação de Lucas Paquetá, antes da primeira lista do treinador. O anúncio dos convocados atrasou cerca de uma hora, porque Diniz e Ednaldo estavam reunidos para tomar a decisão, logo após uma denúncia de suposto envolvimento do meia com apostas esportivas na Inglaterra.

No dia da convocação, Diniz foi o único que falou sobre o caso, assim como sobre as investigações contra Antony por uma denúncia de agressões à ex-namorada. Foi o técnico que botou a cara a tapa para falar sobre o episódio, à época tratado por ele como “incipiente”.

A decisão de cortar o atacante, aliás, é outro exemplo de como Diniz teve de assumir a responsabilidade. Após novas denúncias de agressão terem sido publicadas pelo portal Uol, Antony foi cortado da Seleção na última segunda-feira (5). Uma reunião de emergência por videochamada entre Diniz, já em Belém, e Ednaldo Rodrigues, no Rio de Janeiro, definiu a saída do jogador. E foi o técnico quem telefonou para comunicá-lo.

Os convocados por Fernando Diniz:

  • Goleiros: Alisson (Liverpool), Ederson (Manchester City) e Lucas Perri (Botafogo);
  • Laterais: Danilo (Juventus), Yan Couto (Girona), Guilherme Arana (Atlético-MG) e Carlos Augusto (Inter de Milão);
  • Zagueiros: Bremer (Juventus), Marquinhos (PSG), Gabriel Magalhães (Arsenal) e Nino (Fluminense);
  • Meio-campistas: André (Fluminense), Casemiro (Manchester United), Bruno Guimarães (Newcastle), Gerson (Flamengo) e Raphael Veiga (Palmeiras);
  • Atacantes: Neymar (Al-Hilal), Rodrygo (Real Madrid), Vinicius Junior (Real Madrid), Gabriel Jesus (Arsenal), Richarlison (Tottenham), David Neres (Benfica) e Matheus Cunha (Wolverhampton).

Quando joga a Seleção

A Seleção enfrenta a Venezuela em 12 de outubro, às 21h30 (horário de Brasília), na Arena Pantanal, em Cuiabá, pela terceira rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Depois, no dia 17, o adversário será o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O Brasil lidera as Eliminatórias com seis pontos e 100% de aproveitamento nos dois primeiros jogos.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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