Futebol feminino

Por que chegou a hora de Arthur Elias na seleção feminina?

Arthur Elias mal assumiu o cargo e já está sendo questionado, mas números mostram que o técnico é a melhor opção para a seleção feminina

Arthur Elias mal assumiu o cargo de treinador da seleção brasileira e já recebeu os primeiros questionamentos (e de um adversário). O técnico do Palmeiras, Ricardo Belli, questionou a convocação de nove jogadoras do Corinthians para o grupo de 30 atletas que vão participar da primeira sessão de trabalho do comandante corintiano.

Entretanto, os números da temporada justificam as escolhas de Arthur, que respondeu Belli ainda com um tom de provocação,

– A gente ter um futebol feminino mais forte passa pela responsabilidade de cada profissional, principalmente se tratando de uma equipe de expressão e qualificada como o Palmeiras. Não sei como ele diz isso sendo que o Palmeiras, nos confrontos que tivemos, nunca nos venceu, a não ser quando coloquei as categorias de base – declarou.

Parte das nove escolhidas do Corinthians serviram como base da seleção nos últimos meses: quatro estiveram na Copa do Mundo (Letícia, Tamires, Luana e Duda Sampaio) e duas estiveram no ciclo e brigaram por vaga no Mundial (Yasmin e Gabi Portilho).

Kemelli (24 anos) e Jheniffer (21), terceira na artilharia do Brasileirão com 10 gols, fazem parte da nova geração do país, enquanto Kati (29) surge como uma das laterais-direitas mais regulares do futebol nacional nos últimos anos.

Do Palmeiras de Ricardo Belli, Arthur Elias convocou Bia Zaneratto, uma das principais atletas do país, e Amanda Gutierres, goleadora do Brasileirão com 14 gols.

Da academia para a bola

Arthur Elias foi confirmado como técnico da seleção brasileira e traz uma sensação de justiça. Aos 42 anos, o treinador é um dos símbolos do principal projeto de futebol feminino do país: o multicampeão Corinthians, que apresenta uma rara dinastia no esporte nacional.

Estudioso, Arthur trouxe conhecimentos do mundo acadêmico e transformou na prática uma equipe de futebol feminino que virou referência no país. A ida para a seleção parecia questão de tempo e ocorre logo na primeira brecha deixada por Pia Sundhage, que possuía contrato até Paris 2024.

Arthur ainda permanece no comando do Corinthians até o fim da Libertadores, em outubro, mas já divulgou a primeira lista de convocados e deu uma amostra do que virá pela frente.

O “Rei Arthur” corintiano agora comanda uma nação e com potencial de transportar a revolução do Parque São Jorge para todo um país.

“Rei Arthur”

Arthur é um nome próximo da unanimidade no futebol brasileiro feminino. O estilo de jogo ousado, com a goleira adiantada e atuando como líbero, e o poderio ofensivo criativo do Corinthians consolidaram o treinador como “Rei Arthur”.

O apelido é difundido pelo próprio clube e demonstra o tamanho do treinador dentro do projeto, o principal do país há praticamente uma década. Ninguém dominou tanto o cenário nacional quanto o Corinthians de Arthur Elias.

Arthur encabeçou um projeto da Universidade de São Paulo (USP) sobre o desenvolvimento de atletas universitárias, um projeto científico para abordar as dificuldades do esporte feminino no Brasil. Ali, em 2006, começou o projeto pessoal da vida do treinador.

O aperfeiçoamento técnico, com um trabalho detalhista, tornou o Corinthians referência. Mesmo com saídas de atletas importantes, Arthur e as jogadoras que permaneceram mantiveram o nível. As derrotas de tornaram raras, e surpreendentes quando ocorriam.

Nove das 30 jogadoras convocadas por Arthur Elias representam o Corinthians, que serve de guia para o trabalho na seleção. O Rei Arthur, antigo alvinegro, agora é verde-amarelo e líder de um projeto que tem a promessa de durar até a Copa de 2027.

Histórico no futebol feminino

Arthur Elias dedicou a carreira de treinador ao futebol feminino. Este paulistano trabalhou no Nacional-AC (2009 a 2010) e no Centro Olímpico de São Paulo (2010 a 2015), clube no qual também atuou como supervisor de futebol.

A partir de 2016, quando chegou ao Audax/Corinthians, a carreira decolou de vez. Com a parceria entre o time de Osasco e o Timão, Arthur levou o time ao topo da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores de 2017.

A parceria com o Audax terminou, mas a consolidação do Corinthians no futebol feminino se misturou com a promoção de Arthur como maior técnico do país e candidato natural à sucessão na seleção.

Pelo Corinthians, Arthur conquistou duas Libertadores (2019 e 2021), quatro Campeonatos Brasileiros (2018, 2020, 2021 e 2022), três Paulistas (2019, 2020 e 2021), duas Supercopas do Brasil (2022 e 2023) e uma Copa Paulista (2022).

Arthur surgiu como opção antes mesmo de a seleção definir por Pia Sundhage. A sueca trabalhou por quatro anos e testemunhou a evolução do projeto de Arthur, que, mesmo com vai e vem de atletas, sustentou o Corinthians no topo do futebol nacional.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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