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O que o Brasil pode aprender com Espanha, Itália e Croácia para seu maior teste contra a França

Ancelotti deve levar suas ideias consolidadas contra os franceses e ter boa notícia se comparar com o retrospecto

A seleção brasileira enfrentará a França nesta quinta-feira (26), às 17h no horário de Brasília. Este será o maior teste para o time de Carlo Ancelotti antes da Copa do Mundo, em sua penúltima convocação pré-Mundial.

O Brasil chega para o grande confronto do seu ciclo com dúvidas ainda não respondidas. Quem são os laterais titulares do time? Quem substitui Rodrygo? Raphinha e Estêvão jogam juntos? E Endrick? Mas algumas certezas já concretizadas podem ser o fator crucial contra a França.

Apesar das dúvidas, Brasil já consolidou seu estilo

Durante sua entrevista coletiva nesta quarta-feira (25), Ancelotti falou sobre as várias formas que a Seleção pode jogar, seja com a bola, mais pausado, ou com buscando profundidade constante e em contra-ataques.

Dois históricos, no entanto, apontam para um jogo controlado pelo meio e com aproximações como a opção mais vantajosa para o Brasil:

  • Primeiro, porque o time atuou melhor jogando dessa forma. Os melhores desempenhos na era Ancelotti vieram com partidas focadas na progressão pelo meio;
  • E, mais especificamente visando o duelo contra os franceses, foi assim que o time de Didier Deschamps sofreu suas piores derrotas no ciclo para a Copa do Mundo.
Ancelotti
Ancelotti, técnico da seleção brasileira (Foto: IMAGO / Brazil Photo Press)

Mesmo que ainda não esteja claro se o lateral-direito será Éder Militão ou Wesley, por exemplo, sabe-se que a construção deve priorizar a progressão pelo meio, os volantes em alturas alternadas para criar janelas de passes e um falso nove descendo para ser opção de um passe em ruptura para progredir rápido.

Usando o mesmo exemplo, é claro que a característica do lateral traz mudanças ao estilo. Wesley sobe mais no apoio e gosta mais do corredor, o que combinaria com um ponta que entre mais no meio-espaço — que tem sido o padrão de Ancelotti com Estêvão e Raphinha. Militão, em seu bom jogo contra Senegal, não subiu tanto e foi mais uma opção de construção e reciclagem da posse, além de fazer a cobertura para transições.

Sem Gabriel Magalhães e possivelmente com Léo Pereira como titular, Ancelotti mantém a ideia de um zagueiro canhoto para continuar com os mesmos ângulos de passe na construção. Testes com o próprio Militão ou Fabrício Bruno na esquerda não foram positivos, principalmente porque, destros, não têm naturalmente a linha de passe para o meio-espaço esquerdo, facilitando a marcação.

O padrão brasileiro se mantém independente das peças, mesmo que, em alguns casos, elas possam mudar levemente o rumo do jogo. Salvo grandes desfalques, o melhor da Seleção é isso: progredir pelo meio com aproximação entre pontas, volantes e falso nove, com aproximações, tabelas e associações curtas, com um ou mais jogadores atacando a profundidade para fixar a zaga ou aproveitar espaços.

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O que Brasil pode aprender com Espanha, Itália e Croácia

As três derrotas mais duras da França recentemente vieram contra Espanha, Itália e Croácia. Nos três jogos houve um padrão das equipes vencedores que pode ser usado pelo Brasil nesta quinta.

  • Contra a Espanha, na semifinal da Nations League em junho de 2025, os franceses começaram perdendo por 4 a 0 antes de voltarem ao jogo, mas perderam por 5 a 4;
  • Contra a Croácia, em março e 2025, um 2 a 0 construído pelos croatas ainda no primeiro tempo, em que criaram mais oportunidades claras e dividiram a posse de bola;
  • Diante da Itália, em setembro de 2024, um 3 a 1 sofrido em casa onde os italianos criaram mais chances e mereceram categoricamente a vitória.

Apesar da diferença nos estilos de cada seleção, um ponto em comum foi a forma como povoaram o meio-campo em construção e priorizaram a aproximação dos seus jogadores para progredir.

No 4-3-3 clássico espanhol, Martin Zubimendi, Mikel Merino e Pedri se aglomeravam para criar linhas de passes curtos e contavam com a aproximação de Mikel Oyarzabal como falso nove que descia para criar superioridade numérica. É muito parecido com o que o Brasil já faz.

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Posicionamento médio de Zubimendi (18), Pedri (20), Merino (6) e Oyarzabal (21) contra um meio espaçado da França (Foto: Reprodução/Sofascore)

A Espanha ainda contou com Lamine Yamal na direita, um ponta que recuava um pouco mais e ajudava a progredir em espaços curtos, e Nico Williams na esquerda, que era um atacante de ruptura que sempre buscava a profundidade. As dinâmicas são parecidas com Estêvão e Vinicius Júnior na seleção brasileira.

Na derrota para a Croácia, os franceses enfrentaram um meio com Luka Modric, Mateo Kovacic e Martin Baturina muito próximos entre si, além de Andrej Kramaric como um ponta que se aproximava do centro de jogo e a dupla de laterais, Josko Gvardiol e Josip Stanisic, muito bons construtores para ajudar os meias.

O padrão de aproximação e profundidade também existia com os croatas, mesmo que não usassem um falso nove. Ante Budimir era um centroavante mais tradicional para fixar zagueiro e ocupava regiões mais altas, enquanto Ivan Perisic, na direita, era quem buscava corridas em profundidade.

Já contra a Itália, foi a primeira fase de construção que venceu o jogo. O 3-4-2-1 de Luciano Spaletti saía com Riccardo Calafiori, o zagueiro pela esquerda, entrando como volante ao lado de Samuele Ricci para criar uma dupla de pivôs e manipular a pressão individual francesa. Dessa forma, a partir de um 3-1, criava-se praticamente uma saída em 4-2.

Mateo Retegui como centroavante também teve liberdade de descer e contou com as corridas de Davide Frattesi como um meia que atacava a área, além da criatividade de Lorenzo Pellegrini e Sandro Tonali próximos no meio-campo para criar perigo.

Kylian Mbappé em jogo da seleção francesa
Kylian Mbappé em jogo da seleção francesa (Foto: Baptiste Fernandez/Icon Sport)

Mesmo com diferentes formações e até prioridade dentro dos seus respectivos modelos de jogo, é notório que Itália, Croácia e Espanha fizeram a França sofrer com padrões muito parecidos: aproximação de jogadores criativos no meio, alternância nas alturas durante a construção para sair da pressão e jogadores que saíam do ataque para se aproximar do centro de jogo combinando com quem atacava o espaço em profundidade.

Citar essas características é praticamente dizer como o Brasil de Carlo Ancelotti joga. Mesmo com todos os testes — Vini como um falso nove que não deu certo contra o Japão, ou de um time que buscava velocidade a todo o momento como contra o Equador –, o cerne brasileiro é esse. E pode ser o trunfo contra os franceses.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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