Brasil

Está na hora de ligar o alerta para a seleção brasileira após a derrota para a França?

A impressão passada pode não ser das melhores, mas é importante lembrar de algumas coisas antes de criar pânico

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A derrota do Brasil para a França nesta quinta-feira (26), por 2 a 1, fez muita gente ligar o sinal de alerta. Chegou ao ponto dos torcedores no estádio em Foxborough (não, ele não é em Boston) cantarem pedindo Neymar e de vários membros da imprensa criarem uma narrativa extremamente pesada sobre a qualidade da Seleção.

Mas a atuação contra a França realmente é um motivo para se preocupar pensando no Mundial?

A impressão passada na derrota pode não ser das melhores, mas é importante lembrar de algumas coisas antes de criar um nível de pânico provavelmente desnecessário.

Essa é a Seleção que vai jogar o Mundial?

Vini Jr. não conseguiu se destacar em duelo com a França (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Desde que Carlo Ancelotti assumiu a Seleção em 2025, esta deve ser a pior Data Fifa em questão de desfalques.

Dos jogadores que começaram a partida contra a França, apenas Casemiro, Vinícius Junior e Raphinha – que saiu lesionado, inclusive – figuram rotineiramente entre os titulares do italiano. Wesley e Douglas Santos até podem ser os laterais escolhidos, mas não existe certeza nas posições.

Alisson, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães são titulares incontestáveis com Ancelotti e não estiveram presentes no amistoso. Estêvão, que parecia ter ganhado seu espaço, também não estava lá. E Rodrygo, um dos preferidos do italiano, nem no Mundial estará.

Não dá para julgar o time que entrou em campo contra a França como os 11 que iniciarão o Mundial pelo Brasil.

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É necessário colocar o ciclo em pespectiva

Léo Pereira em ação pela seleção brasileira
Léo Pereira em ação pela seleção brasileira (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

As duas equipes entraram em campo com formações quase espelhadas. Ambas com um quarteto ofensivo. A França tinha Michael Olise, Hugo Ekitike, Ousmane Dembélé e Kylian Mbappé, enquanto o Brasil era liderado por Gabriel Martinelli, Raphinha, Vinicius Junior e Matheus Cunha.

Sim, os nomes franceses são melhores no momento – principalmente por causa da grande temporada de Olise –, mas a grande diferença foi como os quatro jogadores se portaram quando os companheiros tinham a bola no pé.

E sim, Ekitike pode ser uma novidade na seleção francesa, mas entrou em uma equipe que já tinha uma base formada com o longo trabalho de Didier Deschamps, que comanda Les Bleus desde 2012.

A França nem criou tanto até quando tinha 11 jogadores em campo. Mas nas oportunidades em que o quarteto de frente se movimentou e abriu espaço para os companheiros, as chances de gol apareceram.

É um nível de coesão e estabilidade que a seleção brasileira não teve desde o fim da Copa do Mundo de 2022, quando Tite deixou o comando.

Ancelotti em treino da seleção brasileira (Foto: IMAGO / Fotoarena)

Em um ciclo menor que o habitual, já que o Mundial do Catar foi no fim do ano de 2022, a Seleção teve três técnicos – Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior. Todos com ideias diferentes de futebol, seja com a bola ou sem a bola, em estilo de preparação física e até de tratamento aos jogadores.

Ancelotti está no comando da Seleção há apenas dez meses e já tentou algumas alternativas, tendo um meio-campo um pouco mais cheio nos melhores jogos e testando a formação com quatro atacantes para tentar aproveitar a riqueza de pontas do país.

Daria para estar melhor? Sim. Só que é ingenuidade comparar um trabalho que chega a 14 anos neste Mundial com um que tem menos de um ano, por mais que o treinador tenha renome.

Então, o que dá para questionar?

Vinicius Jr. durante Brasil x França (Foto: Imago/Sports Press Photo)
Vinicius Jr. durante Brasil x França (Foto: Imago/Sports Press Photo)

O principal ponto que pode ser questionado são as atuações individuais.

Vinícius Junior continua sem conseguir reproduzir seu desempenho do Real Madrid com a seleção brasileira. A chegada de Álvaro Arbeloa ajudou o agora 10 da Seleção a recuperar seus melhores momentos com os merengues, mas isso não se traduziu para a equipe nacional. O jogo contra a França foi um dos piores dele com a Amarelinha, ops, a azul.

Jogando apenas um tempo, Raphinha teve uma atuação discreta, longe do seu melhor com a camisa do Barcelona.

Casemiro teve inúmeros problemas com a bola no pé, incluindo o lance do primeiro gol. Tudo bem que Léo Pereira também errou na sequência que levou ao tento de Mbappé, mas o capitão da Seleção tomou uma decisão bem ruim de tentar girar com uma marcação próxima.

Gabriel Martinelli também não mostra o que consegue desempenhar sob o comando de Mikel Arteta no Arsenal. Ele até teve o melhor chute do Brasil na primeira etapa, mas pouco mostrou além disso.

Ederson segue sem inspirar muita confiança no torcedor. Não dá para colocar os dois gols na culpa dele, mas a saída no tento de Ekitike pareceu de um goleiro que não está no nível da Seleção.

O único jogador que saiu com saldo completamente positivo deste jogo foi Luiz Henrique. Existem dúvidas pelo fato dele atuar na Rússia, mas o ex-Botafogo mostrou novamente que é o ponta da Seleção com mais coragem para chamar jogo e de fato mostrar a que veio. Theo Hernández terá pesadelos com o Pantera Negra por um bom tempo.

Foto de Matheus Rocha

Matheus RochaSubcoordenador de conteúdo

Matheus Rocha é natural de Uberlândia, onde se formou em Jornalismo na Unitri em 2014. Começou a carreira no jornalismo na Trivela antes de passar por ExtraTime e Yahoo, participando da cobertura de três Copas do Mundo e cinco Olimpíadas.

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