Brasil

Juninho Paulista: ‘O Brasil não está fabricando mais camisas 10. É uma loucura’

Campeão do mundo em 2002 criticou a metodologia de formação no Brasil

O futebol mundial vem, cada vez mais, formando jogadores decisivos pelos lados do campo e um exemplo claro desse fenômeno é a disposição usual das convocações da seleção brasileira. O contraste entre a oferta de extremos em relação a camisas 9 ou 10, é uma realidade e Juninho Paulista, campeão do mundo em 2002 pelo Brasil, refletiu sobre o assunto em entrevista ao “Charla Podcast”.

— Não estamos fabricando mais camisas 10. É uma loucura. O cara se destaca no meio e começa a cair para os lados. Os nossos 10 estão todos nas pontas — avaliou o ex-jogador, que marcou época dentro e fora do futebol brasileiro.

Brasil não revela mais camisas 10?

Estêvão e João Pedro comemoram gol da seleção brasileira
Estêvão e João Pedro comemoram gol da seleção brasileira. Foto: IMAGO / Sports Press Photo

Após a declaração, os nomes de Estêvão e Raphinha foram citados como exemplos de camisas 10 que acabaram caindo para os lados do campo. Com isso, Juninho Paulista foi além e tratou de criticar o método de formação atual dos clubes brasileiros, que, segundo ele, trabalham menos os fundamentos.

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) formalizou, no início do mês, a criação e a composição de um Grupo de Trabalho (GT) dedicado a discutir e propor melhorias para as categorias de base do futebol brasileiro.

As discussões focarão em cinco pontos principais:

  1. Calendário de competições x calendário escolar.
  2. Certificação e governança dos clubes formadores.
  3. Regulamentação das categorias de base.
  4. Diretrizes nacionais para formação de talentos.
  5. Desenvolvimento específico da base no futebol feminino.

— Eu acho que a gente está pecando muito na formação dos nossos atletas. Hoje um jogador com 12, 13 ou 14 anos é mais educado sobre o entendimento de jogo do que fundamento. Antigamente era fundamento. Passe, domínio, drible, finalização. A gente tá perdendo muito isso — lamentou.

Diante do debate sobre aprimoramento dos fundamentos dos jovens na base, Juninho Paulista destacou a importância do futsal para o desenvolvimento técnico de um futuro jogador de futebol de campo.

— Todos os grandes jogadores passaram pelo futsal. Drible curto, rapidez de raciocínio… Precisamos voltar para isso. Se for preparar jogador para ir ao futebol europeu estando 24 anos na fila e isso não mudar, vamos demorar mais — destacou o ex-São Paulo, Vasco, Flamengo e Palmeiras.

Raphinha comemora gol pelo Barcelona
Raphinha comemora gol pelo Barcelona (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

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Metodologia de base da Alemanha entrou em pauta

Quando questionado sobre a implementação de uma metodologia de categorias de base no Brasil, Juninho Paulista foi indagado se seria possível um processo disruptivo como a Alemanha realizou a partir da Copa de 2002. Porém, o ex-coordenador de seleções da CBF recuou.

— É preciso fazer na conversa. Por exigência não funciona. Você não pode interferir no trabalho de formação dos clubes. Nós tentamos implementar uma metodologia. Fizemos um trabalho de DNA do futebol brasileiro, entrevistamos vários treinadores e jogadores, e foi um trabalho muito importante e que pode ser aplicado nos clubes — revelou.

Na Alemanha, a revolução se iniciou após a derrota para o Brasil na final da Copa do Mundo, quando a federação alemã começou a interferir nas categorias de base dos clubes.

O projeto consistia em evoluir as condições de desenvolvimento da base, credenciando uma empresa responsável por analisar o avanço das equipes nesse sentido. A maioria já tinha algum centro de formação, mas poucos alcançavam a excelência. Assim, foram dadas as devidas ferramentas para formar atletas melhores na Alemanha.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaGerente de Mercado

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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