Brasil

Convocações da Seleção escancaram padrão de formação de atacantes no Brasil

Ancelotti tem vasto leque de opções para as pontas, mas ainda encontra dificuldades para firmar um camisa 9

A menos de 100 dias para a Copa do Mundo, a seleção brasileira se prepara para os testes derradeiros vislumbrando a lista final de Carlo Ancelotti. Porém, uma tendência entre os atacantes postulantes a convocação rumo ao mundial da América do Norte revela, com certa profundidade, um padrão de formação nas categorias de base nacionais: escassez do centroavante clássico, mas abundância do ponta moderno.

A discussão não é nova, principalmente quando se fala de camisa 9 do Brasil em Copas do Mundo. Em 2022, Richarlison e Pedro não convenceram. Já em 2018 e 2014, Gabriel Jesus e Fred foram duramente criticados.

Ou seja, há 16 anos, a Seleção não chega a um Mundial com um centroavante afirmado, com Luís Fabiano sendo o último de uma safra, que parecia infinita, de goleadores decisivos com a camisa verde e amarela.

Enquanto o Fabuloso carregava a 9 e colocava-se como um dos poucos isentos de críticas da campanha da Seleção de 2010 na África do Sul, nomes como João Pedro, Matheus Cunha e Igor Jesus ainda entendiam o que o futebol poderia representar em seus respectivos futuros. Por outro lado, a “colheita” de pontas seguiu um caminho inverso e de evolução.

A transformação do conceito de ponta ideal

O técnico Carlo Ancelotti em amistoso da seleção brasileira
O técnico Carlo Ancelotti em amistoso da seleção brasileira. Foto: IMAGO / Buzzi

Próximo à década de 2010, o conceito de um bom ponta se alterou de forma consistente. As exigências, que antes estavam muito alinhadas à busca da linha de fundo e extremos de pé natural, transformaram-se em vigor físico, passada larga e, em boa parte dos casos, pé trocado. Isso reflete, inclusive, o crescimento do protagonismo e expectativa em relação ao ponta.

Um exemplo claro desse processo é Cristiano Ronaldo superando a marca de 20 gols por temporada em seus últimos três anos de Manchester United. Depois do português, atletas como Gareth Bale, Arjen Robben e o próprio Neymar foram frutos dessa espécie de revolução no jogo pelos lados do campo.

Pensando no que Carlo Ancelotti têm à disposição para as convocações, é possível citar, ao menos, três jogadores de destaque, com o conceito de ponta moderno ao pé da letra, para cada extremidade. Na direita, Estêvão, Savinho, Luiz Henrique, Rayan e Antony são muito lembrados.

Destes, é possível ver uma boa diversidade de qualidades a partir do protótipo atual do extremo: pé trocado, velocidade, vigor físico e capacidade de recomposição. Na esquerda, além de Vinicius Júnior, Gabriel Martinelli e o recém lesionado Rodrygo seguem a mesma tendência.

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O dilema do camisa 9 da Seleção

João Pedro vive a melhor temporada da carreira
João Pedro vive a melhor temporada da carreira (Foto: Paul Terry / Sportimage / Imago)

Diante do contexto de formação citado, as características dos atacantes selecionáveis por Carlo Ancelotti neste momento são distintas. De certa forma, esse é um ponto positivo pensando nos diversos cenários de jogo que uma Copa do Mundo pode oferecer. 

Enquanto Matheus Cunha tem um perfil mais organizador e de associações com os meio-campistas, Gabriel Jesus oferece muita movimentação, interações fora da área e um trabalho tático elogiável, principalmente quando existe a necessidade de pressionar.

Endrick, por sua vez, é um caso à parte, principalmente pelo talento. Mesmo com bom faro goleador, o talento ex-Palmeiras parece se aproveitar mais de suas qualidades fora da área ou em uma função de segundo atacante, principalmente pelo fato de não oferecer tanta referência. A altura é uma desvantagem nesse caso.

Recentemente, João Pedro, Igor Thiago e Igor Jesus ganharam mais destaque na Premier League e o trio reúne características mais próximas do autêntico camisa 9: resistência e vigor físico, explosão, jogo aéreo e boa capacidade de finalização. Os números não mentem:

  • Igor Thiago: 21 gols em 31 partidas pelo Brentford
  • João Pedro: 17 gols em 38 jogos pelo Chelsea.
  • Igor Jesus: 12 gols em 26 jogos como titular pelo Nottingham Forest.

Se Igor Jesus e João Pedro apostam mais na capacidade explosão, Igor Thiago trabalha bem como uma referência em função de pivô, aspecto bastante importante para contextos específicos e algo, de certa forma, escasso entre os selecionáveis de Ancelotti.

Apesar da tese de formar mais pontas protagonistas do que centroavantes, a diversidade de opções que Carlo Ancelotti têm à disposição não pode ser ignorada. Se por um lado falta uma afirmação de 9, do outro existe uma fartura de perfis a serem explorados de acordo com o jogo que a Seleção quer jogar.

Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaGerente de Mercado

Nascido em Petrópolis e criado no Rio de Janeiro, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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