Vini Jr. assume a 10 da Seleção, mas atuação contra a França reforça falta de protagonismo
Atacante não consegue gerar mesmo volume de chances com a Amarelinha, mas continua prestigiado por Ancelotti
Vinicius Júnior será o camisa 10 da seleção brasileira na Copa do Mundo caso não haja nenhum imprevisto — leia-se lesão do atacante do Real Madrid ou a convocação de Neymar em maio. Mas a atuação do ex-camisa 7 na derrota diante da França por 2 a 1 mostra que, no ataque de Carlo Ancelotti, ainda resta a Vini assumir o papel de protagonista para substituir o maior artilheiro do Brasil e até o lesionado Rodrygo.
Ancelotti manteve o esquema com quatro atacantes, que na visão dele é o que mais se encaixa no elenco que planeja levar para a Copa do Mundo. Vini caiu pela ponta-direita, pelo mesmo lado de Gabriel Martinelli. Tentou criar oportunidades ao longo da primeira e segunda etapa, mas pecou nas finalizações, no último passe e em decisões com a bola no pé na derrota por 2 a 1.
Dos titulares, Vini talvez seja o que saia do Gillette Stadium com a maior pressão sobre si. É o principal nome da seleção brasileira, pelo que já conseguiu alcançar com a camisa do Real Madrid nas últimas temporadas. Mas, assim como 2022, ele chega à Copa do Mundo com o peso de ser um protagonista que ele ainda não mostrou ser com a Amarelinha.
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O duelo com a França pode ser considerado um dos mais esquecíveis do novo camisa 10. Em um teste para as ambições do Brasil na Copa do Mundo — já que a França é o primeiro adversário europeu que o Brasil enfrenta com Ancelotti —, Vini Jr. colecionou números ruins: duas finalizações, uma grande chance perdida, já nos acréscimos da segunda etapa, e 18 perdas de posse de bola.
Vini não foi o único atacante do Brasil que ficou abaixo nesta quinta-feira, no entanto. Martinelli e Raphinha, que deixou o campo no intervalo com dores na coxa, chegaram a criar oportunidades, mas esbarraram na ineficiência do setor ofensivo em Foxborough, que recebeu seu segundo maior público na história do estádio.
Por que falta protagonismo a Vini Jr. na seleção brasileira?
O atacante do Real Madrid se prepara para disputar sua segunda Copa do Mundo pelo Brasil. No Catar, em 2022, estava sujeito aos mesmos questionamentos: falta de poder de decisão, protagonismo e criatividade no ataque do Brasil. Não à toa, só conseguiu ir às redes nas oitavas de final, no duelo com a Coreia do Sul, e foi substituído no segundo tempo da eliminação diante da Croácia.
Mesmo assim, naquela seleção de Tite, ele poderia contar com outros nomes para apoiá-lo. O principal deles sendo o de Neymar, dono da camisa 10 “honorária” da seleção brasileira, e que voltará a assumi-la caso seja convocado. Raphinha, que também foi criticado pelos mesmos motivos de Vini, e Rodrygo completavam o ataque brasileiro.
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Sem Rodrygo, além de assumir a 10, Vini precisa comandar o ataque. No segundo tempo, quando o Brasil também perde Raphinha, que será avaliado novamente nesta sexta-feira sobre a gravidade da lesão, Vinicius não consegue movimentar a seleção rumo ao gol — e acaba sofrendo o segundo tento pelos pés de Hugo Ekitiké.
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Vini Jr. tem duas versões diferentes pelo Real Madrid e Seleção
— Não falta nada. Raphinha teve um problema, mas teve muitas oportunidades, com movimento muito bom sem bola. Vini é muito perigoso. Não vejo diferença. Pode ser que não tenha marcado. Um ponta não precisa marcar sempre. É um trabalho bem feito — afirmou Ancelotti, na entrevista coletiva após a partida.
Ancelotti entende que não há diferenças entre a atuação de Vini pelo Real Madrid e pela seleção brasileira. Entretanto, depois de duas partidas de destaque pelos Galácticos, contra Manchester City e Atlético de Madrid, quando marcou quatro vezes, somando os dois jogos, ele volta a esbarrar nas dificuldades que tem apresentado pela Amarelinha.
Quando era comandado por Dorival Júnior, o cenário se repetia. Enquanto brilhava com Ancelotti no Real Madrid, não conseguia reproduzir os mesmos desempenhos pela seleção brasileira. A eliminação da Copa América em 2024, logo após conquistar a Champions League, assim como suas atuações individuais nas Eliminatórias, pesavam sobre o craque merengue.
Números de Vini Jr. com a camisa da seleção brasileira
- 46 jogos
- 8 gols
- 7 assistências
O cenário pré-Copa se inverte. Agora, é com Ancelotti, que potencializou seu desempenho entre 2021 e 2025, que Vini não consegue criar e protagonizar o ataque da seleção, enquanto com Álvaro Arbeloa, no Real Madrid, voltou a ter números que o acompanharam quando ganhou o The Best, da Fifa, e ficou em segundo lugar na Bola de Ouro.
Contra a França, se Mbappé e Ekitiké foram os destaques do ataque de Didier Deschamps, Luiz Henrique foi quem protagonizou os principais lances de perigo da seleção brasileira — mesmo tendo entrado somente na segunda etapa. Parte dele o gol de Bremer, que recolocou o Brasil na partida com um a menos, e que Vini Jr. não conseguiu durante os 99 minutos em que esteve em campo.