Quem pode ficar fora da Copa com mais convocações e quem deve ir com apenas uma
Há quem foi convocado em todas as listas e pode não ir para a Copa do Mundo, mas quem precisou de um jogo para impressionar Ancelotti
A Data Fifa de março marcou a última convocação de Carlo Ancelotti para a seleção brasileira antes da lista final para a Copa do Mundo. Depois dos jogos contra França e Croácia, houve alguns claros vencedores que viram suas chances de aparecer no elenco do Mundial aumentarem.
Da mesma forma, há também quem participou ativamente do ciclo com o italiano, mas perdeu espaço e, com o crescimento de concorrentes, pode ficar de fora da Copa. Há até quem esteve em todas as convocações, mas tem poucas chances reais de ir aos Estados Unidos, Canadá e México. A Trivela analisa as situações de todos eles.
Os ‘muito convocados’ que podem ficar de fora da Copa do Mundo
A competição no ataque da Seleção é possivelmente a mais acirrada. Diversos nomes passaram pela era Ancelotti e não conseguiram causar impacto. Talvez Richarlison seja o maior exemplo.
Querido pelo italiano por terem trabalhado juntos no Everton, o camisa 9 do Tottenham esteve presente em quatro das cinco convocações e entrou em seis jogos dos oito possíveis. Só não foi chamado na última lista, em março.
No entanto, Richarlison não jogou bem em nenhuma partida. Foi titular em dois dos piores jogos da era Ancelotti, na estreia, contra o Equador, e na derrota para a Bolívia na altitude. Em sua última convocação, em novembro, sequer entrou em campo contra Senegal e Tunísia.
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Com Tite, Richarlison foi o centroavante titular da Copa do Mundo de 2022 e teve boas experiências como ponta-direita no título da Copa América de 2019. Mas seu momento ruim desde que chegou ao Tottenham, depois do Mundial do Catar, seguiu na Seleção: não marcou nenhum gol nos últimos quatro anos com a amarelinha.
Um caso semelhante é o de Lucas Paquetá. Titular em 2022 e em boa parte do ciclo para 2026, só havia perdido a primeira convocação de Ancelotti e foi importante com o italiano.
O atual meia do Flamengo foi chamado em três das cinco convocações e também foi titular duas vezes em atuações ruins da Seleção: contra Bolívia e Japão — apesar do bom jogo diante dos asiáticos. Entrou em todos os seis jogos possíveis.
No entanto, ficou de fora da Data Fifa de março e viu um concorrente como Danilo ter boas atuações. O que deixa a situação ainda mais difícil é a mudança tática de Ancelotti para um 4-3-3 contra a Croácia que colocou Matheus Cunha, um pilar do ciclo, exatamente no lugar que Paquetá poderia ocupar.
Fabrício Bruno é outro que foi convocado três vezes e também foi titular nos piores jogos do Brasil: contra Bolívia e Japão — este, inclusive, marcado por uma falha individual. O zagueiro do Cruzeiro voltou a ser chamado depois disso, mas se limitou a um minuto contra Senegal e 30 contra a Tunísia, mas sem destaque.
FIM DE JOGO EM ORLANDO!
🇧🇷3-1 🇭🇷
DANILO
IGOR THIAGO ⚽️
GABRIEL MARTINELLI ⚽️ pic.twitter.com/NtNcNRs4r1— brasil (@CBF_Futebol) April 1, 2026
O problema para Fabrício é a falta de um zagueiro canhoto. Destro, o defensor de 30 anos foi testado como reserva de Gabriel Magalhães e ficou evidente como não consegue suprir a necessidade criada por um canhoto na fase de construção.
Talvez o caso mais curioso desses exemplos seja Hugo Souza. O goleiro do Corinthians esteve em todas as convocações de Ancelotti, mas fica o sentimento de que nem sempre era a opção ideal para compor o elenco. Na última ocasião, em março, esteve na lista que contou com corte de Alisson; em outra, quando Ederson foi cortado.
E, mais uma vez, seu único jogo foi contra o Japão, uma derrota de virada que, inclusive, gerou debate sobre uma possível falha em um dos gols. Para além disso, a evidente distância de Hugo para os demais em construção pode fazê-lo ser o único jogador a estar em todas as listas de Ancelotti a não ir para a Copa.
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Quem só precisou de uma chance na seleção brasileira para encantar Ancelotti
Por outro lado, há exemplos de quem foi chamado somente para a Data Fifa de março e pode ter carimbado a vaga para o Mundial. Danilo (que passou a usar o sobrenome Santos, por conta do xará flamenguista) é o mais evidente.
O meio-campista do Botafogo entrou contra a França e foi elogiado, mas sua titularidade no jogo seguinte, contra a Croácia, mostrou uma das melhores atuações de um jogador da sua posição na era Ancelotti. Foi destaque ao entrar na área, finalizando três vezes com perigo e marcando um gol.
Também foi dinâmico para transições ofensivas, pressionante quando o Brasil subia a marcação e bem defensivamente em bloco baixo. Com somente uma convocação, Danilo pode ter desbancado Paquetá, por exemplo, também por conta do ótimo momento no Brasileirão.
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A lesão de Rodrygo impactou a forma como Ancelotti deve escalar o time. A substituição contra a França e o jogo contra a Croácia mostram que, talvez, o italiano pretenda usar Vinicius Júnior como ponta, o que liberaria mais uma vaga no ataque. É aí que Igor Thiago pode ganhar uma vaga.
O artilheiro brasileiro da Premier League se mostrou importante como o centroavante clássico para ser alvo de bolas longas e fazer o “trabalho sujo” de brigar com zagueiros, além de ser forte em transições. Mais do que isso, marcou o gol de pênalti contra os croatas e está de fato no páreo para ser a opção mais “camisa 9” que o Brasil terá na Copa do Mundo.
Endrick, por sua vez, é outro que foi chamado apenas uma vez e, inclusive, fez ótimo jogo com menos de 20 minutos diante da Croácia. Sofreu o pênalti convertido por Igor Thiago e deu a assistência para Martinelli marcar o terceiro.
Mesmo que Ancelotti tenha o discurso de prepará-lo para o próximo ciclo, tem sido difícil pensar em uma lista com 26 nomes que não tenha o atacante do Lyon. Um nome de muito apelo da torcida e com atributos que vão além da tática — por mais que possa ser o camisa 9 de profundidade ou segundo atacante, é o clássico brigador raçudo que o brasileiro gosta. Foi assim, inclusive, que sofreu o pênalti.
A defesa, por outro lado, pode ter adições novas mais por falta de segurança em outros nomes do que por desempenho positivo. A queda de Fabrício Bruno pode abrir espaço para Bremer, que foi titular contra a França e estava na Copa de 2022, além de viver boa temporada na Juventus.
E a grande ausência de um zagueiro canhoto de confiança para ser reserva de Magalhães pode abrir espaço para Léo Pereira estar na lista final. Mesmo que não tenha tido boas atuações contra França e Croácia, incluindo erros cruciais contra os franceses, o fato de Lucas Beraldo e Alexsandro não terem sido consistentes ao longo do ciclo e nem chamados por Ancelotti pode ser um sinal favorável para o flamenguista.
Há quem ainda possa sonhar com sua convocação recente. Roger Ibañez, por exemplo, fez bom jogo contra a Croácia e é um substituto de Éder Militão — o zagueiro que pode atuar como lateral-direito. Caso o jogador do Real Madrid não esteja saudável, pode ser uma opção.
IGOOOOOOOOOOOR THIAAAAAAAAAGOOOOOOOOO PRA SACUDIR A REDEEEEEEEEEEEEE! 🔥🔥🔥🔥🔥
COM EMOÇÃO, COM VONTADE! É GOL DO BRASIL! 💚💛 pic.twitter.com/X9Ta632bH0
— brasil (@CBF_Futebol) April 1, 2026
No fim, grande parte do elenco está encaminhada e uma lista de 26 nomes é grande o suficiente para se dar o luxo de levar um jogador muito específico ou alguém que seja mais líder do que impactante com a bola. E Ancelotti sanará todas as dúvidas no dia 18 de maio, na convocação para a Copa do Mundo de 2026.