Brasil

Com 4-3-3, Ancelotti resgata prioridade no Brasil e muda defesa em atuação contundente

Seleção brasileira faz bom jogo após dúvidas sobre o modelo de jogo pós-derrota para a França e consolida ideia camaleônica de Ancelotti

O Brasil enfrentou a Croácia nesta terça-feira (31), no Camping World Stadium, nos Estados Unidos, e venceu por 3 a 1. Mesmo com 16 modificações e com momentos de posse croata, o jogo foi majoritariamente controlado pela seleção brasileira, mesmo sem bola.

Para o último amistoso da Data Fifa de março, Carlo Ancelotti promoveu ainda mais testes na Seleção. Saindo do seu tradicional 4-2-4, promoveu novidades nas pontas, uma dupla de ataque titular inédita e mais uma experiência com um zagueiro pela lateral-direita.

Os novos testes de Ancelotti no Brasil

O último jogo da Data Fifa de março viu Ancelotti voltar ao 4-3-3 clássico, uma escalação usada em apenas dois dos seus dez jogos à frente da Seleção, e que haviam resultado em atuações ruins contra Equador e Japão.

A diferença da vitória contra os croatas e os dois desempenhos ruins anteriores com o 4-3-3 está nas prioridades dos jogos em questão. Na estreia contra o Equador, por exemplo, o Brasil estava exageradamente acelerado e buscava verticalidade em praticamente todas as jogadas.

Contra o Japão, foi feito um teste como Vinícius Júnior de falso nove que não rendeu. além de um sistema de pressão mal coordenado que foi dominado pela saída de três asiática.

Já diante da Croácia, a prioridade defensiva foi outra: ainda no mesmo 4-4-2 de quase todo o ciclo com Ancelotti, em vez de pressionar alto em desvantagem numérica a saída a três, o foco foi proteger o talentoso meio com Luka Modric e Petar Sucic. A dupla de atacantes recuava para impedir a progressão pelo meio e isso fez toda a diferença.

Mesmo com formação diferente, Brasil seguiu defendendo em 4-4-2, mas com outra prioridade
Mesmo com formação diferente, Brasil seguiu defendendo em 4-4-2, mas com outra prioridade (Foto: Reprodução/GETV)

Dessa forma, por mais que a Croácia tivesse sequencias de posse de bola, não conseguia progredir com qualidade e, quando avançava o suficiente, o Brasil defendia de forma compactada em bloco baixo e obrigava o adversário às laterais. Com passes para trás, ativava o gatilho de pressão para o time subir de volta. Mais uma vez, provou que escalar um quarteto de atacantes não impacta a forma do time defender.

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O ‘novo’ 4-3-3 de Ancelotti na seleção brasileira

O 4-3-3 ficava claro já na saída de bola. O Brasil construía em 4-1, com Casemiro à frente da defesa e os meias, Matheus Cunha e Danilo, escalonados às suas diagonais. Diante de uma Croácia que alternava em fase defensiva de 5-3-2 para 5-4-1, houve um resgate à priorização pela construção por baixo.

Mesmo sob pressão e com dificuldade de sair pelo meio, a Seleção priorizou sair por baixo, sem bolas longas. E ter Vini na ponta-esquerda foi importante para o sucesso na construção. Isso acontecia por alguns pontos:

  • No 4-3-3, os meias ocupavam os meio-espaços e seguravam seus opositores nessas regiões, impedindo que eles subissem pressão pelo lado;
  • Matheus Cunha atacava a profundidade e obrigava que um dos marcadores o acompanhasse, abrindo mais espaço para Vini receber na linha lateral e entrar para o meio;
  • Na direita, Ibañez, como lateral-direito, invertia levemente para puxar seu marcador e abrir a linha de passe de Marquinhos para Luiz Henrique ter espaço para carregar pela lateral.
O 4-3-3 clássico da seleção brasileira contra a Croácia
O 4-3-3 clássico da seleção brasileira contra a Croácia (Foto: Reprodução/GETV)

Na prática, o 4-3-3 contra a Croácia foi uma exibição clássica da formação, com pontas bem impactantes na entrada no último terço. Duelos individuais de Vini pela esquerda puxaram marcadores para abrir espaço para Matheus Cunha criar com passes e finalizações e para combinar com Danilo entrando na área.

Foi dessa forma, inclusive, que saiu o gol de Danilo. Em excelente passe de Matheus Cunha para armar um contra-ataque com Vinicius, que puxa dois marcadores e encontra Danilo livre para marcar um belo gol.

Na direita, Luiz Henrique foi destaque vencendo quatro dos cinco duelos individuais e provocando dois cartões amarelos, além de sofrer cinco faltas. E como referência, João Pedro fez um jogo discreto, mas teve liberdade para descer como apoio até mesmo na primeira fase de construção, para ajudar a manter a bola por baixo.

A volta para o 4-2-4 e mais gols

O teste com o 4-3-3 foi positivo, mesmo que não impactasse em nada a proteção do meio-campo ou a forma como o time defendia. Na segunda etapa, no entanto, Ancelotti fez as oito mudanças permitidas e voltou o time ao 4-2-4, com mais testes.

Os últimos 20 minutos de jogo contaram com um quarteto de Gabriel Martinelli, Igor Thiago, Endrick e Rayan. E o jovem do Lyon, em pouco tempo, roubou a cena: sofreu um pênalti convertido pelo centroavante do Brentford e deu uma assistência para o jogador do Arsenal.

É justo reforçar que os últimos minutos foram mais caóticos do que o normal, por conta das 16 mudanças somando os dois times. Mas mostra que Ancelotti ainda quer observar possibilidades dentro do 4-2-4 que marcou seu ciclo.

A vitória contra a Croácia dá tranquilidade depois de uma derrota para a França que rendeu debates sobre modelo de jogo, convocações e formação. Ancelotti mostrou que se adapta e que pode montar o time de diferentes formas. Sem Rodrygo, que era um termômetro para a ideia central de aproximação e foco no corredor central, um 4-3-3 de sucesso agora pode fazer o italiano repensar no padrão para a Copa do Mundo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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