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Brasil faz seu melhor jogo com Ancelotti contra Senegal e corrige grande problema da nova era

Vitória contra senegaleses veio em principal teste para Ancelotti e com melhorias defensivas significativas

O Brasil venceu Senegal em amistoso deste sábado (15), por 2 a 0, no que foi possivelmente o melhor jogo da seleção brasileira com Carlo Ancelotti. E, de quebra, mostrou como o modelo de jogo da equipe já está consolidado.

O 4-2-4 (ou 4-2-3-1, como preferir) com movimentação, troca de posições e priorização do jogo apoiado pelo meio virou a marca registrada da Seleção. Mas, mais do que isso, a vitória diante da equipe senegalesa também serviu para ver como a equipe brasileira poderia se defender contra um adversário mais forte.

Vieram, então, duas respostas de uma vez: um Brasil que defende de forma muito agressiva e que consegue criar chances a partir disso, além de um time que consegue baixar as linhas e suportar a pressão.

Brasil corrige problema que foi crucial diante do Japão

Contra Senegal, a equipe de Ancelotti começou defendendo em bloco alto e pressionando forte, mas de forma mais coordenada do que em relação ao jogo diante do Japão, na última Data Fifa.

A pressão alta tem sido uma pulga atrás na orelha na era Ancelotti. Bons momentos de pressão pós-perda já existiram antes, como no jogo contra o Chile, o primeiro grande desempenho do Brasil nessa nova fase.

Na grande vitória contra a Coreia do Sul, a Seleção teve seu melhor jogo na transição defensiva: optou por pressionar forte e teve sucesso. No entanto, o sistema de pressão durante a fase de organização defensiva ainda não havia se mostrado tão positivo.

Contra o Japão, o time foi desorganizado para encontrar os encaixes individuais — se perdeu na construção em 3-1-2 japonesa e permitiu que os asiáticos avançassem sem grande oposição. Isso foi diferente contra Senegal.

Agora, o Brasil seguiu defendendo alto e com os encaixes individuais que já são padrões com Ancelotti, mas optou por deixar o goleiro com a bola e pressionar forte as opções de passe. Senegal construía em 4-1, com os dois meias recuando para se aproximar do volante — e todos os apoios centrais eram perseguidos.

Pressão alta do Brasil contra Senegal
Pressão alta do Brasil contra Senegal (Foto: Reprodução/getv)

O papel do centroavante, Vinícius Júnior, nesse caso, era condicionar a construção senegalesa para a perna ruim de Mendy, na esquerda, e os pontas brasileiros ocupavam posições intermediárias. Dessa forma, tinham espaço para saltar a pressão no zagueiro que recebesse curto ou correr para trás e pressionar o lateral, caso o passe fosse mais longo.

Isso resultou em diversas tentativas de lançamentos ou passes perigosos de Mendy, geralmente interceptados ou que acabavam em duelos próximos à área defensiva de Senegal. A primeira finalização do jogo, inclusive, veio desta forma: Estêvão, nessa posição intermediária, recuou levemente para parar o lançamento para o lateral-esquerdo. Se não fosse ele, Militão estava avançando para pressionar por trás.

Estêvão rouba a bola com a pressão brasileira
Estêvão rouba a bola com a pressão brasileira (Foto: Reprodução/getv)

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Militão na lateral faz Ancelotti mudar o Brasil, mas não sua identidade

A grande novidade no elenco brasileiro neste amistoso foi a presença de Eder Militão na lateral-direita. Apesar de ter ganhado espaço no São Paulo no início da carreira como lateral e ter jogado na posição tanto pela Seleção quanto por Porto e Real Madrid, ele se consolidou como zagueiro.

O modelo de jogo da seleção brasileira até o momento contava com uma dupla de laterais distinta: na direita, um que avançasse e desse amplitude; na esquerda, um que ficasse entre os zagueiros, formasse uma linha de três na saída de bola e desse mais suporte como construtor.

A dupla Militão e Alex Sandro, no entanto, fez com que Ancelotti mudasse. Contra Senegal, a construção foi em 4-1, com os dois laterais mais baixos e Casemiro como principal apoio central. Ocasionalmente, quando pressionado, o Brasil ainda contava com Bruno Guimarães descendo para apoiar e formar um 4-2.

No entanto, apesar das mudanças, pequenas nuances fizeram com que o Brasil mantivesse o padrão na construção. A ideia nesse momento do jogo, durante quase toda a era Ancelotti, é buscar passes de ruptura dos zagueiros para encontrar os atacantes entre as linhas.

A ideia se manteve. Se não mais com três defensores, agora, o lateral do lado forte da jogada avançava levemente para puxar seu marcador, dar tempo e espaço ao zagueiro e abrir o campo para que fosse criada a linha de passe para quebrar as linhas de marcação adversárias.

Construção do Brasil, com lateral do lado forte levemente à frente e movimentação para gerar passe de ruptura
Construção do Brasil, com lateral do lado forte levemente à frente e movimentação para gerar passe de ruptura (Foto: Reprodução/getv)

O cerne dos padrões ofensivos da Seleção não mudaram com a entrada de Militão, mas a entrada do jogador do Real Madrid representou melhora defensiva notável. Venceu duelos, saltou pressão para interceptar passes na construção senegalesa e foi muito bem na transição defensiva.

A entrada do zagueiro-lateral junto a Alex Sandro, outro mais conhecido pela capacidade defensiva a essa altura da carreira, casou com o jogo que mais exigiria da seleção brasileira defensivamente. Curiosamente, Senegal teve mais a bola (53% em ambos os tempos) em todo o jogo, algo que só havia acontecido contra o Equador, no primeiro jogo de Ancelotti (excluindo as condições adversas da Bolívia).

E foi um ótimo teste. O Brasil soube defender alto e pressionar no primeiro tempo e, com o resultado construído, defendeu mais baixo e de forma muito segura na segunda etapa. E os padrões defensivos seguiram: zagueiros perseguindo atacantes que descem para ajudar a construir e compensações defensivas para não gerar desvantagem numérica nas regiões centrais do campo se mantiveram.

Marquinhos e Magalhães perseguem seus opositores por distâncias muito longas
Marquinhos e Magalhães perseguem seus opositores por distâncias muito longas (Foto: Reprodução/getv)

Estêvão segue brilhando e ataque da seleção brasileira tem boas incógnitas

Estêvão marcou o primeiro gol da partida e teve mais um bom desempenho. Em diversos momentos esteve bem posicionado e não recebeu o passe e criou com conduções.

O quarteto ofensivo de modo geral tem sido o grande ponto positivo da era Ancelotti. Com lesões de Raphinha e ocasionais ausências de Vini e Rodrygo, o ataque mudou, mas a formação com Rodrygo, Vinícius, Cunha e Estêvão parece ter se consolidado.

Novamente, o camisa 7 do Real Madrid foi o centroavante de mobilidade e que muitas vezes caía pela esquerda, enquanto Rodrygo, ponta-esquerdo, teve liberdade para ser um criador pelo meio, enquanto Matheus Cunha pareceu um misto de falso nove com meia tradicional do 4-2-3-1.

Há incógnitas: Vini será centroavante ou passará para a esquerda? Saudável, Raphinha deve entrar na vaga de Matheus Cunha, Estêvão ou Rodrygo? Ou sequer entraria? Cunha pode perder a vaga para João Pedro?

Ainda há possibilidade de testes. Richarlison não convenceu, Vitor Roque é mais um centroavante de ruptura (como Kaio Jorge e Igor Jesus) convocado e que não deve ter grande espaço no time, o que indica que Vini deve realmente ser o escolhido para a posição. Fato é que a incógnita ofensiva, nesse momento, é positiva.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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