Brasil

‘Huijsen brasileiro’: Joia do Palmeiras entra na mira de Fàbregas, Barcelona e Arsenal

Zagueiro de 1,97m desperta disputa entre clubes de diferentes prateleiras do velho continente

O rótulo pode soar precoce, mas diz muito sobre o impacto que Luis Benedetti vem causando nos bastidores do futebol europeu. Chamado por alguns olheiros de “Huijsen brasileiro”, o zagueiro do Palmeiras já entrou de vez no radar de clubes relevantes do continente — e não apenas daqueles que costumam apostar em promessas sul-americanas como ativos de revenda. Há interesse concreto, monitoramento constante e, em alguns casos, movimentações formais por parte de gigantes.

Revelado pela prolífica base palmeirense, Benedetti é mais um produto de um sistema que se acostumou a exportar talentos prontos ou quase prontos para a Europa. Aos poucos, ele vai deixando de ser somente uma promessa interna para se tornar peça observada com lupa fora do país. O processo lembra o de Vitor Reis, hoje consolidado no Girona, mas com um detalhe que chama ainda mais atenção: o pacote físico e técnico de Benedetti o coloca em uma prateleira diferente.

Alto, com 1,97m, e dono de uma velocidade incomum para a posição, o defensor combina atributos que o futebol moderno valoriza cada vez mais. Além de imposição física e jogo aéreo, trata-se de um defensor com capacidade de recuperação, boa condução e leitura em campo aberto. É esse conjunto que alimenta comparações com Dean Huijsen, zagueiro espanhol que se destacou no Bournemouth e hoje defende o Real Madrid.

Quais são os clubes interessados no zagueiro do Palmeiras?

Luis Benedetti em ação pelo Palmeiras
Luis Benedetti em ação pelo Palmeiras (Foto: Eduardo Carmim / Sports Press Photo / Imago)

O crescimento de Benedetti não passa despercebido. Segundo o “Diario AS”, da Espanha, o Como, comandado por Cesc Fàbregas, é um dos clubes que monitoram de perto a situação do zagueiro. A possível saída de Jacobo Ramón, que deve retornar ao Real Madrid, abriu uma lacuna no elenco italiano — e o brasileiro aparece como um dos nomes considerados para reposição.

Mas o Como não está sozinho nessa corrida. Arsenal, Nottingham Forest, Napoli e Barcelona também acompanham o jogador, alguns deles já tendo feito movimentos mais concretos.

Ainda assim, dentro do Palmeiras, o discurso é de controle. O clube paulista entende que tem um ativo valioso nas mãos e trabalha para desenvolvê-lo com cautela, sem acelerar etapas. A renovação contratual até dezembro de 2029, com ampliação da multa rescisória, foi um movimento claro para proteger esse investimento.

O zagueiro já começou a transitar no time principal, ganhando minutos importantes e respondendo bem às exigências. No Campeonato Paulista, teve papel relevante nos quatro primeiros jogos da equipe de Abel Ferreira, mostrando consistência e pouca oscilação.

A avaliação externa reforça essa percepção. O CIES (Centro Internacional de Estudos do Esporte) o colocou entre os zagueiros sub-20 mais promissores do mundo na última temporada, ao lado de nomes que já começam a se firmar na Europa.

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Por que o Como pode ser o caminho ideal para Benedetti?

Fàbregas faz trabalho de destaque à frente do Como
Fàbregas faz trabalho de destaque à frente do Como (Foto: Marco Canoniero / Imago)

Diante de tanto interesse, a questão que se impõe não é mais “se” Benedetti irá para a Europa, mas “quando” e “para onde”. E é nesse ponto que o Como surge como uma alternativa interessante — talvez até mais estratégica do que uma transferência direta para um gigante.

Sob o comando de Cesc Fàbregas, o clube italiano tem construído um ambiente propício para o desenvolvimento de jovens jogadores. A ideia de jogo, baseada em posse, construção desde a defesa e protagonismo com a bola, casa bem com as características de Benedetti. Mais do que isso, oferece um contexto controlado, sem a pressão imediata por resultados que costuma engolir promessas em clubes maiores.

Os exemplos recentes ajudam a sustentar essa tese. Jacobo Ramón, contratado junto ao Real Madrid, encontrou no Como um espaço importante para ganhar minutos e amadurecer. Nico Paz, também produto das categorias de base merengue, seguiu caminho igual, desenvolvendo-se em um ambiente que privilegia evolução técnica e entendimento de jogo.

Para Benedetti, um movimento nessa direção poderia representar o equilíbrio ideal entre desafio e adaptação. Em vez de ser lançado diretamente em um cenário de alta exigência, ele teria a oportunidade de ajustar detalhes do seu jogo, ganhar experiência europeia e, só então, dar o salto definitivo.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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