Brasil

Nubank assume ‘liderança’ dos naming rights do Brasil com arena do Palmeiras; veja ranking

Banco digital expande presença no Brasil após investida no Inter Miami, dos Estados Unidos; valores de patrocínio são mantidos em sigilo, mas aumentam em relação ao antigo acordo com a Allianz

A partir desta sexta-feira (10), o Allianz Parque deixa de ter a seguradora como patrocinadora e passará a adotar o Nubank em seu nome. O banco digital acertou a compra do naming right do estádio do Palmeiras nesta semana, depois de nove meses de negociação com a WTorre, gestora da arena. A tendência é que, com o novo acordo, a construtora passe a receber o dobro do que os valores repassados pela antiga parceira.

Termos contratuais não foram revelados no anúncio oficial nesta sexta-feira, na casa palmeirense, por motivos de “confidencialidade”. Entretanto, como descrito pelos porta-vozes do Nubank e WTorre, a tendência é que seja um contrato “de longo prazo”, podendo se estender até 2044, quando o Palmeiras se tornará gestor da arena. De acordo com “O Globo”, os valores giram na casa dos US$ 10 milhões (R$ 51 milhões anuais).

Essa casa dos R$ 50 milhões anuais é o maior já registrado por um contrato de naming rights no futebol brasileiro.

A Allianz, em 2013, já havia se tornado uma pioneira ao acertar com a WTorre pela visibilidade da marca. Além das partidas do Palmeiras, o estádio também recebe shows e eventos corporativos ao longo do ano.

Três nomes passarão por votação popular (Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank), e a oficialização virá em 4 de maio. Até lá, o Palmeiras atuará no Allianz Parque. Mudanças estruturais, no envelopamento e exibição do banco digital, deverão ocorrer somente em julho, durante a pausa para a Copa do Mundo.

Palmeiras receberá parcela dos valores do Nubank em acordo com a WTorre

O Palmeiras não tem influência nem fez parte das negociações. Entretanto, terá direito a uma parcela dos ganhos. No antigo acordo, com a Allianz, o clube tinha direito a 5% dos repasses, entre 2013 e 2024; depois disso, essa parcela subiu para 15%, dos cerca de R$ 25 milhões anuais — valor reajustado conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Na prática, o acordo pouco rendia financeiramente ao Palmeiras — considerando somente o naming rights. O clube tinha direito, desde o aumento dos repasses, a cerca de R$ 4 milhões. Se as bases contratuais forem mantidas com o Nubank, essas parcelas subirão para cerca de R$ 7,5 milhões anuais.

Allianz Parque, estádio do Palmeiras
Allianz patrocinava o estádio do Palmeiras desde 2013 (Foto: Leandro Bernardes/ZUMA Press Wire/Imago)

O acordo entre WTorre e Palmeiras pela cessão do estádio foi iniciada ainda em 2013, durante a reconstrução do antigo Palestra Itália. A ideia das partes era transformar o estádio em uma arena multiuso, para além das partidas do clube alviverde. Por isso, nesse período de gestão da construtora (30 anos), o Palmeiras também tem direito a ganhos com os eventos organizados no espaço.

— É uma oportunidade de abordar e enaltecer a postura da Leila. Desde o primeiro momento, da primeira abordagem (do Nubank), a postura do Palmeiras foi absolutamente profissional. O que é o melhor para arena, é melhor para o Palmeiras. Não houve nenhum momento em que o Palmeiras colocou em dúvida. É para ser engrandecido — afirmou Marcelo Frazão, vice-presidente da WTorre.

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Como acordo da WTorre se compara a outros naming rights

Com base nos valores ventilados acerca do Nubank Parque (ou Nubank Arena, ou Parque Nubank), a WTorre acertou maior valor pelo patrocínio do tipo. Essa base de R$ 50 milhões já era ambicionada pela construtora, que via o antigo acordo (R$ 15 milhões, durante 20 anos) defasado em relação aos valores praticados no mercado.

O mesmo ocorreu no rival Corinthians. Desde que Osmar Stábile assumiu a presidência, em 2025, o clube tem buscado um parceiro para substituir a Hypera Pharma pelos naming rights da Neo Química Arena. O desejo da diretoria é chegar a um montante de R$ 60 milhões anuais; neste momento, o clube recebe cerca de R$ 21 milhões, com reajustes, mas acertou a exposição da marca pelas mesmas bases do Palmeiras (R$ 15 milhões durante 20 anos).

Palmeiras e Corinthians diluíram o montante de R$ 300 milhões durante duas décadas. Desde então, São Paulo (entre R$ 25 e R$ 30 milhões anuais), e Pacaembu (R$ 1 bilhão durante 30 anos) superaram os valores da dupla paulista com os acordos junto à Mondeléz e Mercado Livre, respectivamente.

Ranking de valores de patrocínio de naming rights na capital paulista

  • Nubank (Palmeiras) – cerca R$ 50 milhões anuais
  • Mercado Livre Arena Pacaembu (Mercado Livre) – R$ 1 bilhão por 30 anos – R$ 33,3 milhões por ano
  • Morumbis/São Paulo (Mondeléz) – R$ 90 milhões por 3 anos – R$ 30 milhões por ano
  • Neo Química Arena/Corinthians (Hypera Farma) – R$ 300 milhões por 20 anos – R$ 15 milhões por ano

Além da capital paulista, outros estádios também levam marcas em seus nomes. No estado de São Paulo, Arena Nicnet (Botafogo-SP) e Arena Crefisa Barueri (Crefipar, uma das empresas de Leila Pereira) também rendem valores pelos naming rights, mas inferiores àqueles no topo do ranking.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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