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Atlético-MG não assume, mas errou no planejamento, e legião de desfalques não apaga isso

Atlético tinha posições carentes desde o início da temporada, mas não se movimentou para resolver isso

Um dos temas mais recorrentes no último mês do Atlético-MG foi a legião de desfalques que o clube teve. Em certos jogos, chegou a ter mais de um time de fora. Esse tipo de situação é difícil prever e afetaria qualquer clube, mas não pode servir para esconder os erros de planejamento do clube.

As várias lesões e suspensões combinaram com o período da Copa América, quando o Galo já sabia que perderia três jogadores. Segundo o diretor de futebol, Victor Bagy, o clube sabia que enfrentaria dificuldades nessa época, mas não esperava sofrer com tantas ausências.

— Na verdade, sabíamos que viveríamos um mês difícil com as convocações, mas não prevíamos que perderíamos 10 jogadores. Não estou dando desculpa, mas isso foi um ponto importante nesse período. Você com um elenco de 28 atletas ter 10 desfalques a ponto de não conseguir nem ter um número para compor banco — relembrou o jogo contra o Atlético-GO, quando o Galo teve cinco atletas de linha no banco apenas.

São situações que você não controla e não prevê. O planejamento é feito e às vezes situações fogem dele, aí a gente tenta corrigir isso de outra maneira. Trabalhamos para fazer o time cada vez mais forte para dar resposta ao torcedor — Victor

Realmente é uma situação difícil de prever, seja para o Atlético ou para o Real Madrid, mas, certamente, ela poderia ter sido amenizada se o clube não tivesse deixado falhas no elenco desde o início da temporada.

Os erros de planejamento do Atlético

Os problemas no elenco do Atlético eram perceptíveis desde o início do ano. Não é que a troca de Felipão por Milito, que tem um estilo de jogo diferente, fez com que algumas posições ficassem mais carentes, elas sempre foram.

  • Cadê os volantes?

O Atlético iniciou o ano com apenas três volantes que se destacam mais na marcação: Otávio, Battaglia e Paulo Vitor. Os dois primeiros já eram titulares com Felipão, e seguiram sendo com Milito. Ou seja, o clube sempre teve só um reserva para a posição.

Para piorar, Paulo Vitor sofreu uma grave lesão em março e só retornou no fim de junho. O jovem da base tem pouca experiência no profissional, então, naturalmente, vai oscilar e pode sentir um jogo grande, como o contra o Flamengo nesta quarta, em que ele foi titular e não se saiu tão bem.

Então, o único reserva de volante de marcação do Atlético desde o início era um jogador ainda em desenvolvimento e que teve o azar de uma grave lesão. O resultado foi uma lesão de Otávio que o tirou de ação por dois meses e desestabilizou todo o time atleticano, que só tinha Battaglia (que estava jogando de zagueiro) na posição.

Paulo Vitor tinha menos de 90 minutos como profissional, voltou de uma lesão séria e já foi titular. Otávio ficou 2 meses fora e também já foi titular. Tudo por necessidade e não opção (Pedro Souza/Atlético)

Mesmo que as lesões não acontecessem e todos passassem saudáveis até esse ponto da temporada. Se Otávio fosse só suspenso de um jogo (algo natural para um volante do estilo dele), seria seguro para o Atlético ter só um volante reserva de marcação, que é um jovem em formação, e não ter mais nenhum no banco? Sem Otávio em um jogo eliminatório, seria justo colocar a responsabilidade nas costas de um jovem?

  • Reservas não confiáveis no ataque

Em outras posições, o Atlético até tem peças, mas que não são confiáveis, e o próprio clube sabia disso. No ataque, por exemplo, Paulinho e Hulk formam uma dupla implacável, mas, se um deles estiver fora, não há substitutos confiáveis.

O melhor atacante reserva hoje é Vargas, que o Atlético fez de tudo para negociar desde o início, ou seja, um jogador no qual nem o clube confiava. Fora ele, que ficou fora desse período com o Chile na Copa América, as outras opções são também dois jovens em formação e que podem (e estão) oscilando muito ainda: Cadu e Isaac.

Além dos dois, a outra opção é Alan Kardec, jogador que em dois anos de Atlético reúne mais lesões do que gols, estando há mais de um ano sem balançar as redes, ou seja, nada confiável.

Há um ano sem marcar, Alan Kardec tem péssima passagem no Galo, mas é a opção que Milito tem no momento (Pedro Souza / Atlético)
  • Na lateral-direita, o mesmo

O caso de não ter um reserva confiável também aparece na lateral. Desde 2023, Mariano já dava sinais de sofrer mais problemas físicos e também não aguentar mesmo o ritmo de jogo do time. Mesmo assim, o Galo renovou com ele para 2024, e agora tem um jogador que muitas vezes não serve para o estilo de jogo proposto, que pede intensidade, algo que ele já não tem mais.

Em dois dos últimos três jogos ele foi titular, pois Saravia se lesionou — e não há outras opções. E até foi bem dentro do possível. Mas, contra o Flamengo, por exemplo, voltou a reserva, pois Milito precisava de um defensor com mais velocidade, algo que ele não tem mais, e ficou claro no lance do quarto gol Rubro-Negro.

Galo tenta resolver, mas pode ser tarde demais

Nessa janela de meio de temporada, o Atlético busca resolver essas carências. O clube deve anunciar os zagueiros Lyanco e Junior Alonso, que atuam ainda como laterais direito e esquerdo, respectivamente. Além dele, Fausto Vera, volante de marcação do Corinthians, também deve chegar. Resta saber se um atacante será contratado também.

Os buracos no elenco devem ser preenchidos, mas pode ser tarde demais para 2024, já que metade da temporada se foi e, pelo menos no Brasileiro, o Galo já se vê bem distante dos líderes.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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