‘Papel fundamental’: Como Klopp quer mudar a cultura da Red Bull
Diretor de futebol do Bragantino, Diego Cerri detalha como é a atuação do alemão no dia a dia do clube
Pouco mais de um ano atrás, o Grupo Red Bull anunciava Jürgen Klopp como seu novo diretor global de futebol. Após fazer história por longos e vitoriosos anos como técnico do Liverpool, o alemão chegava para estabelecer novas diretrizes para a rede internacional de clubes da companhia austríaca.
O agora ex-treinador foi anunciado oficialmente no cargo no dia 9 de outubro de 2024. Desde então, ele viveu uma verdadeira imersão nos bastidores do grupo para entender como cada braço funciona em cada um dos países em que a organização tem equipes.
E agora, Klopp está pronto para colocar em prática uma verdadeira mudança de cultura dos clubes do Grupo Red Bull.
— Ele veio por acreditar muito no que é feito na Red Bull. E a empresa também buscou o Klopp porque, além de ser uma figura muito grande, ele também tinha características de jogo que podem ser muito bem aproveitadas e aplicadas no Red Bull. É por isso que aconteceu esse casamento. E acho que essa é uma das missões dele. Trabalhar em cima das ideias que ele acredita e construir esse processo junto com todos aqui dentro — conta o diretor de futebol do Red Bull Bragantino, Diego Cerri, em entrevista exclusiva à Trivela.
‘O Klopp tem um papel fundamental na Red Bull’
Após um processo de ambientação que envolveu viagens a todos os clubes do grupo — inclusive o Bragantino —, Klopp começa a desenvolver e colocar em prática uma metodologia de trabalho com ideias de jogo para construir uma identidade de futebol em comum para todas as equipes da Red Bull.
Trata-se de um plano que deve iniciar sua implementação já em 2026, com alguns pontos-chave “inegociáveis” e que devem ser marca da maneira de atuar dos clubes do grupo a partir de agora.
— A gente tem falado muito sobre metodologia, sobre como as equipes em geral do Red Bull vão jogar. Pelo menos no que esteja pontos cruciais e inegociáveis da metodologia do Red Bull. E nisso, o Klopp tem um papel fundamental. É o que ele tem que desenvolver e vai começar a ser feito cada vez mais a partir de agora. Nós estamos inseridos nesse contexto, nesse processo, sendo um dos braços do projeto aqui no Brasil — afirma Cerri.
Apesar da busca por uma mesma “identidade” que independe do país em que se atua, a Red Bull também entende que os contextos locais impactam no jogo. A busca do projeto é por um estilo de jogo que respeite as nuances de cada liga em que o projeto está inserido.
— A gente quer ter uma identidade. Em que pese que cada país tem um tempero autêntico cultural, levando tudo o que se passa dentro da liga que joga, porque eu não posso comparar o Brasil aqui com a Áustria, que tem o maior orçamento da liga. Agora, tem coisas que não podem ser diferentes. Que você olhe de fora e fale: o Red Bull tem essa característica. Aqui no Brasil é assim, na Europa é assim também, na equipe do Japão, dos Estados Unidos… A gente vê coisas em comum e outras que são particulares de cada projeto — afirma Cerri.
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Como é a atuação de Klopp no dia a dia do Red Bull Bragantino?
Hoje, o grupo Red Bull empresta seu nome a quatro clubes que são diretamente “supervisionados” por Klopp: o Leipzig (Alemanha), o New York Red Bull (Estados Unidos), Omiya (Japão) e o Bragantino (Brasil).
A companhia também é acionista do Leeds United, clube para o qual o alemão trabalha como um “consultor”. E mesmo dividido entre cinco equipes, o alemão consegue participar da rotina de cada uma delas.
As reuniões de Klopp com a diretoria do Red Bull Bragantino são rotineiras e abordam desde questões mais gerais até quesitos mais pontuais de treinamentos e de execução do modelo de jogo em partidas.

Klopp costuma acompanhar os jogos do Massa Bruta e recebe até mesmo imagens de treinamentos para analisar situações de metodologia de trabalho. Quando não pode assistir às partidas, o alemão recebe vídeos dos principais momentos e fases de jogo para dar seu parecer.
Por óbvio, Klopp também participa do processo seletivo para decidir o treinador tanto do Bragantino quanto dos demais clubes.
O único quesito em que o alemão não se envolve tão diretamente é na contratação de jogadores, até por respeitar o maior conhecimento da equipe de scout local sobre os mercados brasileiro e sul-americano. Mas não é raro que a comissão de Klopp e do gerente Mario Gomez sugiram nomes ao Bragantino.
— São vários clubes ao mesmo tempo, tem coisas mais macro e estratégicas, mas ele como um apaixonado por futebol e com a expertise que ele tem, sem dúvida que participa disso também. Não digo que ele vai assistir a todos os treinamentos online e vai discutir com cada treinador Mas assistir ao jogo inteiro ou a algumas partes importantes, sim. Então, a gente discute muito se a coisa está funcionando do jeito que a gente achava ou não, o que causou uma dificuldade maior, o que possibilitou a gente executar da maneira como a gente conversa — explica Diego Cerri.



