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De ‘quase demitido’ a 15 vitórias seguidas: a montanha russa de Jorge Jesus no Al-Hilal

Início devagar no Al-Hilal quase levou Jorge Jesus a demissão, mas técnico português elevou desempenho do time e deu a volta por cima

A notícia em 20 de setembro era que a direção Al-Hilal se reuniu com o empresário do técnico Jorge Jesus para passar um ultimato: se o desempenho não melhorasse, o contrato com o português pode ser rescindido. Naquele momento, o clube saudita, um dos quatro que receberam os investimentos do governo local, vivia o pior momento dentro do campo, empatando com o modesto Navbahor, do Uzbequistão, e, um dia depois da informação da saída, outro empate, dessa vez com o Damac, com direito a vaias das arquibancadas para o treinador, resultado que custou a liderança da Saudi League para o Al-Ittihad.

O início da temporada também tinha sido devagar. Pela Copa dos Campeões Árabes, perdeu a decisão para o rival Al-Nassr de Cristiano Ronaldo e Luis Castro.

Após a turbulência com poucos meses no cargo, Jorge Jesus parece ter entendido o recado da direção e, desde o empate com Damac em 21 de setembro, acumula 15 vitórias consecutivas por todas as competições – a maior sequência positiva da história do Al-Hilal. A mais recente aconteceu nesta segunda-feira (4), em partida pouco inspirada, mas efetiva: 2 x 1 sobre o Nassaji Mazandaran, do Irã.

Contexto competitivo tem peso, mas Al-Hilal de Jorge Jesus se provou também contra grandes

Os petrodólares despejados pela família real da Arábia Saudita nos clubes Al-Hilal, Al-Nassr, Al-Ahli e Al-Ittihad desequilibraram completamente a balança do futebol local e há uma gigantesca distância entre o quarteto e o restante do Campeonato Saudita – no máximo, o Al-Taawoun, pelo bom trabalho do técnico brasileiro Pericles Chamusca, e o Al-Ettifaq, treinado por Steven Gerrard que teve investimentos em Jordan Henderson, Moussa Dembélé e outros.

No restante, a distância fica muito grande, motivo que talvez explique boa parte das 15 vitórias seguidas do time de Jorge Jesus. A sequência teve um 9 x 0 em cima do Al-Hazem, lanterna da liga, além de vários outros triunfos tranquilos, sem ao menos sofrer gols, em cima de Al-Shabab, Al-Akhdood, Al-Khaleej e Al-Fateh.

Ao menos nos duelos contra os adversários mais difíceis da Saudi League, o Al-Hilal mostrou o desempenho e a regularidade esperada pela gestão. No primeiro clássico após a turbulência, o Al-Ahli de Roberto Firmino, Allan Saint-Maximin e Riyad Mahrez pouco fez e sofreu nas mãos do rival: 3 x 1 e Alexandar Mitrovic até perdeu um pênalti antes de marcar um dos gols.

Inclusive, o centroavante sérvio é um capítulo a parte nessa grande fase do time da Lua Crescente (tradução de Al-Hilal). Ele esteve em campo nas 15 vitórias e só passou em branco nos duelos contra Nassaji Mazandaran, Navbahor e Al-Jabalaian. No restante, marcou gols ou distribuiu assistências. Na ausência de Neymar, que pouco jogou, Mitrovic tornou-se definitivamente a referência técnica do time, com uma finalização apurada, ótimo pivô, sempre forte no físico e aéreo. São 20 gols em 21 partidas pelo clube saudita, sendo os dois mais recentes no duelo contra o Al-Nassr, até então rival a ser batido na Arábia Saudita, mas facilmente superados pelos comandados de Jorge Jesus: 3 x 0, fora o baile. Como nos tempos de Flamengo, o time de JJ atua de forma intensa e ofensiva, mas agora, em algumas partidas, não tem vergonha de recuar e ceder a bola ao adversário.

Para não citar apenas o artilheiro Mitrovic, o capitão Salem Al-Dawsari (aquele que marcou contra a Argentina na Copa do Mundo de 2022) permaneceu como titular mesmo com a contratação de vários jogadores de peso e mantém sua importância na ponta esquerda, marcando gols, dando assistências e infernizando defesas adversárias com dribles.

Al-Hilal/Jorge Jesus
Al-Dawsari segue como um dos melhores jogadores do Al-Hilal mesmo com invasão de estrangeiros (Foto: Divulgação/Al-Hilal)

A queda na competitividade na Arábia Saudita também foi levada à fase de grupos da Champions League, onde o Al-Hilal sobra contra os modestos Navbohar (time que quase complicou Jesus), Nassaji Mazandaran e Mumbai City, da Índia. Eles continuam vivos (e são favoritos) na Copa do Rei, competição na qual enfrenta o Al-Taawoun de Chamusca na próxima segunda-feira (11), pelas quartas de final.

Vale destacar que boa sequência também se deu sem Neymar em campo. Pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, o brasileiro sofreu uma lesão ligamentar no joelho e só volta no próximo ano. O Al-Hilal pouco pode contar com o meia, que atuou apenas cinco vezes com a camisa azul, não dando tempo nem de se entrosar. Por isso, é injusto alguns comentários vistos sobre o time de Jorge Jesus melhorar sem o camisa 10. Provavelmente, com Ney, o time de Jorge Jesus jogaria ainda melhor e marcaria mais gols.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
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