Copa América

Tite: “Temos uma posição clara sobre a Copa América e os jogadores falaram com Caboclo, mas vamos externar depois da Data Fifa”

Treinador falou na coletiva de imprensa sobre o debate interno quanto à realização da Copa América; Casemiro não compareceu à entrevista

Em meio ao debate sobre a realização da Copa América no Brasil, a Seleção lida com um entrave interno envolvendo os jogadores e o presidente da CBF, Rogério Caboclo. Nesta quinta, Tite deu uma entrevista coletiva, antes da partida contra o Equador válida pelas Eliminatórias. O treinador contou que a comissão técnica e jogadores se reuniram com Caboclo para uma “conversa direta com o presidente” sobre a competição continental – sem entrar em detalhes.

Segundo informação do jornalista Pedro Ernesto na Rádio Gaúcha, os jogadores em atividade na Europa questionam a participação no torneio. Já no Globo Esporte, os jornalistas Martín Fernandez e Bruno Cassucci apontam que jogadores mais experientes estão insatisfeitos por descobrirem através da imprensa e das redes sociais que o Brasil será sede. Eles também indagam sobre a possibilidade de que a Copa América não seja realizada, após Colômbia e Argentina desistirem da realização. Pedro Ivo Almeida, da ESPN, aponta que o incômodo não é com a realização da Copa América no meio de uma pandemia, mas com a falta de um diálogo mais aberto com Caboclo, que não tem muita simpatia junto aos atletas. O presidente não falou nada sobre a mudança de sede quando foi à Granja Comary no domingo, só comparecendo na quarta para conversar com o elenco – o que causou desconforto no grupo, por Caboclo “só aparecer na hora da foto”.

Perguntado sobre a mudança de sede da Copa América, Tite respondeu: “Temos uma opinião muito clara e fomos lealmente, numa sequência cronológica, eu e Juninho, externando ao presidente [Rogério Caboclo] qual a nossa opinião. Depois, pedimos aos atletas para focarem apenas no jogo contra o Equador. Na sequência, solicitaram uma conversa direta com o presidente. Foi uma conversa muito clara, direta. A partir daí, a posição dos atletas também ficou clara. Temos uma posição, mas não vamos externar isso agora. Temos uma prioridade agora de jogar bem e ganhar o jogo contra o Equador. Entendemos que depois dessa Data Fifa as situações vão ficar claras”.

“Não estou abrindo mão das respostas e estou colocando os fatos, com discernimento e sensatez que tenho. É muito importante a Copa América. Mas mais importante é o nosso jogo amanhã. É jogarmos bem, porque vamos ser cobrados, inclusive com o nosso torcedor. Ele cobra nossa posição”, complementou o treinador. “Temos posição clara. Mas deixa a nossa cabeça voltada para o jogo de amanhã. Entendo todos vocês e também entendo que é importante essa posição e não estou me eximindo”.

Casemiro deveria participar da coletiva, mas não compareceu. Segundo Tite, o pedido inicial para que os jogadores não participarem da coletiva foi dele. Depois, os próprios jogadores solicitaram se ausentar da entrevista. O treinador apontou que “num momento oportuno” os atletas conversarão com a imprensa.

Questionado se o debate sobre a realização da Copa América no Brasil afeta a Seleção, Tite apontou que há efeitos, mas o compromisso é com o resultado nas Eliminatórias: “Tem efeito negativo sim em campo. Mas temos que superar e jogar bem. Ela te traz prejuízo. Compete a nós todos filtrarmos essa situação, fazer grande jogo e ter o resultado que a gente merecer”.

O questionamento quanto à realização da Copa América, mesmo após a desistência de Colômbia e Argentina, foi realizado publicamente por treinadores e jogadores durante os últimos dias. Nomes como Ricardo Gareca, Lionel Scaloni, Martín LasarteSergio Agüero manifestaram preocupação. Segundo a imprensa argentina, um movimento na seleção local foi iniciado entre os jogadores, entrando em contato com atletas de outras equipes para debater o tema e a própria participação no torneio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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