Copa América

Peru e Paraguai ofereceram um épico à Copa América, com o emocionante empate por 3 a 3 e a vitória peruana nos penais

Num jogo repleto de emoções e reviravoltas, o Peru conseguiu buscar a classificação rumo às semifinais

A Copa América demorou a engrenar, com uma fase de grupos arrastada e de poucos jogos importantes. Porém, bastou uma partida dos mata-matas para que 90 minutos já fossem melhores que todo o resto do torneio. Peru e Paraguai fizeram uma batalha memorável pelas quartas de final, no Estádio Olímpico de Goiânia. Foi daqueles confrontos que não mereciam terminar com um eliminado, tamanho o empenho dos times. Enquanto a bola rolou, o empate por 3 a 3 guardou uma série de reviravoltas e dramas. Os paraguaios saíram em vantagem, mas tomaram a virada e ficaram com um jogador a menos no fim do primeiro tempo. Já na segunda etapa, os guaranis buscaram o empate duas vezes, enquanto os peruanos também viram uma expulsão. Com a igualdade, a definição ficou para os pênaltis. E mesmo que o goleiro Antony Silva tenha pegado dois chutes, Gallese foi o herói que colocou o time de Ricardo Gareca nas semifinais, com a vitória por 5 a 4.

Num jogo que começou pegado, o Paraguai iniciaria pressionando mais e conseguiria o primeiro gol logo aos 11 minutos. Depois de uma cobrança de escanteio, Héctor Martínez cabeceou e Ricardo Gallese operou um milagre. Porém, a bola ficou viva na pequena área e Gustavo Gómez abriu a contagem para a Albirroja, na raça. Os paraguaios ainda mantinham a posse de bola e Gallese fez outra defesa contra Carlos González no susto, mas o Peru não demorou a responder na sequência. Sergio Peña exigiu uma boa intervenção de Antony Silva e o empate surgiu aos 21. André Carrillo fez a jogada individual pela direita, cruzando rasteiro para Gianluca Lapadula emendar às redes.

As emoções se seguiram durante o primeiro tempo. O Paraguai seguia mais ofensivo e quase deu sorte para marcar o segundo gol, num cruzamento de Ángel Romero que Christian Ramos mandou contra o próprio travessão. Porém, o Peru seria mais efetivo e arrancou a virada aos 40, repetindo sua combinação. Carrillo fez mais uma jogadaça e, de letra, passou a Renato Tapia. O volante conectou com Lapadula, que mandou para as redes mais uma vez, por baixo de Antony Silva. E a situação se complicou mais para os paraguaios nos acréscimos. Gustavo Gómez deixou o braço em Lapadula, recebeu o segundo amarelo e acabou expulso – numa decisão rigorosa. Os guaranis já reclamavam de um pênalti não marcado quando o placar estava empatado.

A desvantagem numérica não impediu o Paraguai de iniciar o segundo tempo na blitz. O gol de empate saiu aos nove minutos, de novo na bola parada. Após cobrança de escanteio, a zaga não afastou por completo e Junior Alonso mandou para as redes. A partir disso, o Peru buscou mais o ataque. Impôs uma pressão no campo ofensivo e buscou mais o gol. Carrillo infernizava os adversários e, num chute cruzado, parou em nova defesa de Antony Silva. A superioridade peruana era clara, sempre puxados por Carrillo. O ponta ainda aplicou um chapéu que quase terminou em gol, quando Santiago Ormeño arriscou de fora. De novo Antony Silva salvou.

O abafa peruano teve resultado com o empate aos 36 minutos. Carrillo mais uma vez iniciou a jogada, para o chute de Yoshimar Yotún. O meio-campista contou com um desvio para chegar às redes, com o goleiro Antony Silva totalmente vendido. A classificação peruana, entretanto, seria posta em xeque. Logo depois, Carrillo recebeu o segundo amarelo e também foi expulso, saindo desconsolado do campo. Era a esperança para que o Paraguai voltasse ao confronto. Lapadula ainda tirou tinta da trave em busca do quarto. Mas o novo empate saiu aos 44.

A partir de um chutão do goleiro Antony Silva, Héctor Martínez cruzou. Braian Samudio brigou pela bola e conseguiu rolar para Gabriel Ávalos se tornar o herói, apenas escorando para dentro. O Paraguai revivia no jogo de maneira inacreditável, com a ajuda de seu banco de reservas. E os acréscimos quase concederam a chance do quarto, num tiro de Julio Enciso que saiu por pouco. Foi uma pena que o regulamento da Copa América não prevê prorrogação, porque o jogaço merecia tempo extra. A classificação ficou para os pênaltis.

Na marca da cal, os quatro primeiros batedores fizeram. O Paraguai errou seu terceiro tiro, com Héctor Martínez isolando. Antony Silva safou sua equipe ao defender o chute de Ormeño, mas Samudio também bateu para fora o quarto penal paraguaio. Tapia e Piris da Motta fizeram depois, deixando a chance de decidir para Christian Cueva. E o meia também errou o quinto peruano, com nova intervenção de Antony Silva. O triunfo do Peru só saiu na primeira série de alternadas, quando Gallese brecou o tiro de Espínola e Trauco fechou a contagem.

A seleção do Paraguai chegou a fazer algumas boas partidas nesta Copa América e superou adversidades. Mesmo com a lesão de Miguel Almirón na fase de grupos e com a expulsão de Gustavo Gómez nesta noite, a Albirroja garantiu o épico nas quartas de final. Todavia, o espírito de luta não seria suficiente para desbancar o Peru. E o time de Ricardo Gareca, que voltou a pegar embalo no último mês, amplia sua história de bons desempenhos na competição continental. Só não parece páreo a medir forças eventualmente com o Brasil na semifinal.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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